domingo, janeiro 22, 2017

Moçambique - LFP «Tete»


(Post reformulado a partir de outro já publicado em 31 de Março de 2009)




Moçambique - A LFP "Tete" em Bampona


A LFP «Tete»- P 371 foi construída em Inglaterra pela Casa Yarrow e montada em Quelimane pela Companhia da Zambézia cujos trabalhos tinham sido concluídos em Maio de 1920. Classificada como Lancha de Fiscalização Pequena em 9 de Outubro de 1959, manteve o nome que já tinha anteriormente.

Características, máquinas propulsoras, equipamento, armamento e lotação de acordo com o seguinte quadro:



Ficou afecta a missões de soberania, patrulha e fiscalização, transporte de material e pessoal militar e civil ao longo dos vários postos dos rios Zambeze e Chire, prestando apoio às populações principalmente em tempos de cheias efectuando ao longo daqueles percursos frequentes escalas e abastecimentos de lenha.

A variação anual do nível das águas durante a época seca não permitia a navegação para montante da foz do rio Chire. Além de outros locais, escalou os portos do Chinde, Luabo, Marromeu, Chemba, Chiramba, Anquaze, Tambara e Tete.

A partir de Maio de 1971 não há quaisquer registos do navio, sabendo-se que permaneceu atracado no Chinde todo o resto do ano e no decurso de todo o ano de 1972. Foi substituída nas missões de soberania do rio Zambeze pela LFG «Sabre».




Moçambique - A LFP "Tete" atracada no rio Chire


Em 1973 foi assinalada como encalhada na praia do Chinde, abandonada e muito danificada. Ainda foi iniciado um projecto que envolvia o transporte para Lisboa com destino ao Museu de Marinha mas foi abandonado com o processo de descolonização.

Não foi encontrada a data de abate ao efectivo dos navios da Armada.

Comandaram a LFP «Tete» os seguintes oficiais dos Quadro Permanente:

1TEN António Luciano Estácio dos Reis, 09Out59 a 11Ago60;
1TEN Augusto Miranda Filipe da Silva, 11Ago60 a 08Ago64;
1TEN Rui Lobato Pires dos Santos, 08Ago64 a25Set67;
1TEN Ruy Vital Pinto Molarinho do Carmo, 25Set67 a 21Dez68;
1TEN Fernando Manuel Loureiro de Sousa, 21Dez68 a 26Mar71;
1TEN Francisco José Cabedo e Vasconcelos, 26Mar71 a 19Mai71;


Fontes:
«Dicionário de Navios & Relação de Efemérides», Adelino Rodrigues da Costa, Edições Culturais da Marinha – 2006; «Setenta e Cinco Anos no Mar», Lanchas de Fiscalização Pequenas (LFP), 16º VOL, Comissão Cultural de Marinha, 2005: fotos de arquivo do autor do blogue, Arquivo de Marinha;

mls

sexta-feira, janeiro 20, 2017

Moçambique - Reserva Naval na LFP «Sabre»


Os Oficiais da Reserva Naval na LFP «Sabre»-P 1139

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 28 de Março de 2009)


A LFP «Sabre»- P 1139 era a antiga lancha «Chinde», adquirida à Sena Sugar Estates e modificada e adaptada nas oficinas navais do Comando Naval de Moçambique, em Lourenço Marques.

Características, máquinas propulsoras, equipamento, armamento e lotação de acordo com o seguinte quadro:



Era do mesmo tipo das lanchas de transporte quer de carga quer de passageiros que navegavam no rio Zambeze há largos anos. Foi no entanto percursora de um novo sistema de propulsão que consistia num par de colunas com hélices rotativas, accionadas por dois motores Mercedes diesel. Não dispunha de leme.

Apesar dos melhoramentos a que foi sujeita, a estabilidade não era famosa devido a possuir super-estruturas muito altas e em madeira, o que a obrigava a navegar de braço dado com duas lanchas auxiliares.

Foi aumentada ao efectivo dos navios da Armada em 31 de Outubro de 1972 mas ainda numa fase muito atrasada de aprontamento, nomeadamente as cobertas da guarnição, beliches, cacifos, equipamento de cozinha, esgotos, equipamento de comunicações e a monitorização da lancha de apoio a estibordo.




Moçambique - A LFP «Sabre» navegando ao largo de Chinde.


Em Março iniciou a subida do rio Zambeze para a sua futura base, em Tete, passando a efectuar missões de patrulha e fiscalização à navegação mercante, bem como o apoio logístico no transporte de pessoal e material das Forças Armadas naquele rio.

As missões efectuavam-se com grandes dificuldades devido à pouca profundidade das águas. Além disso, as mudanças frequentes do leito do rio tornavam difícil encontrar o canal navegável o que originou vários encalhes, sempre resolvidos.

A variação anual do nível das águas durante a época seca não permitia a navegação para montante da foz do rio Chire. Escalou os portos do Chinde, Luabo, Marromeu, Chemba, Chiramba, Anquaze, Tambara e Tete.

Em 16 de Janeiro de 1975 foi abatida ao efectivo dos navios da Armada.

Comandaram a LFP «Sabre» os seguintes oficiais da Reserva Naval:

2TEN RN Jorge Manuel da Silva e Noronha Falcão, 19.º CFORN, 06Nov72 a 15Dez72;
2TEN RN Pedro Castro Vaz Pinto, 19.º CFORN, 15Dez72 a 05Jun74;
2TEN RN Vicente Manuel de Castro Apolinário, 22.º CFORN, 05Jun74 a 16Jan75;


Fontes:
«Dicionário de Navios & Relação de Efemérides», Adelino Rodrigues da Costa, Edições Culturais da Marinha – 2006; «Setenta e Cinco Anos no Mar», Lanchas de Fiscalização Pequenas (LFP), 16º VOL, Comissão Cultural de Marinha, 2005: fotos de arquivo do autor do blogue, Arquivo de Marinha;

mls

terça-feira, janeiro 17, 2017

4.º CEORN - Curso Especial de Oficiais da Reserva Naval




Listagem completa do 4.º CEORN(clicar)


O ano de 1961 ficou na História de Portugal como um ano de viragem, resultante de uma sequência de acontecimentos que apenas teriam um desfecho em 1974.

Foi em 6 de Outubro de 1961 que a Escola Naval recebeu o 4.º CEORN - Curso Especial de Oficiais da Reserva Naval, curso marcado pela invasão do Estado Português da Índia, pela União Indiana, em 18 de Dezembro e, já anteriormente, em 4 de Fevereiro, pelo início da insurreição em Angola, início de um guerra terminada em 1974 e alastrada, entretanto, a Moçambique e à Guiné.

África foi o destino dos primeiros oficiais da Reserva Naval saídos ainda do 3.º CEORN, traçando desde logo a rota para os integrantes dos cursos seguintes.




Era então Comandante e 1.º Director da Escola Naval, o Comodoro Laurindo Henriques dos Santos que rendera no cargo o CAlm Manoel Maria Sarmento Rodrigues (em cima, à esquerda).

Deste 4.º CEORN, foi Director de Instrução o CTEN Paulo Belmarço da Costa Santos (em cima, à direita).

O patrono do curso foi Nuno Tristão, navegador a quem o Infante D. Henrique confiou, em 1441, a exploração da costa africana. Descobridor do Cabo Branco, atingiu em 1444 a costa do Senegal. Dois anos após, naquela que viria a ser a sua última expedição, foi morto por indígenas na foz do Salum, a norte do rio Gâmbia.

Incorporando 44 cadetes, foi o primeiro curso a receber a classe de Fuzileiros da Reserva Naval, no seguimento da criação em 24 de Fevereiro de 1961, da classe de Fuzileiros para Sargentos e Praças.

Foi desta classe e deste curso que se verificou a primeira reprovação de um cadete da Reserva Naval, o qual foi abatido ao efectivo e incorporado, como primeiro-grumete escriturário, destacando para o Corpo de Marinheiros da Armada e, mais tarde, mobilizado para uma comissão de serviço na Guiné.

Quarenta e quatro cadetes, sendo 22 de Marinha, 3 de Saúde Naval, 3 Engenheiros Maquinistas, 7 de Administração e 9 Fuzileiros, passaram pela Escola Naval, Escola de Artilharia, Grupo n.º1 de Escolas da Armada, em Vila Franca de Xira, Escola de Limitação de Avarias, Hospital de Marinha, Base Naval de Lisboa e Escola de Fuzileiros, em Vale do Zebro, cursando diferentes áreas e habilitando-se com as matérias próprias de cada especialidade.




Na Escola Naval, em pé: Osório de Barros, Garcia e Costa, Oliveira e Silva, Costa Miranda, Ferraz de Abreu, Silva Bastos, Almeida Pinto, Cardoso da Silva, Fernandes Sequeira e José Burnay.
Em baixo: Leal de Melo e Salazar Ferro






Na Escola de Limitação de Avarias, da esquerda para a direita: Pires de Lima, Cardoso da Silva, Salazar Ferro, Martins Figueira, Fernandes Sequeira e Oliveira e Silva

Aí foram tomando conhecimento mais directo com a Marinha, estabelecendo os primeiros contactos com profissionais instrutores – oficiais e sargentos – muitos deles reencontrados após a promoção a oficial da Reserva Naval.

Algumas referências de memória para os cadetes deste curso foram os 1TEN Francisco Viriato de Castro Guise, em Marinharia, 1TEN Vítor Manuel Trigueiros Crespo, no Armamento Ligeiro, 1TEN Vasco Leote de Almeida e Costa e 1TEN José Fernandes Martins e Silva, na Educação Física, 1TEN Rodolfo da Veiga Prata de Vasconcelos Castelo, na Navegação Costeira e Cálculos Náuticos, 1TEN João José Ribeiro Pacheco e 1TEN João Cristóvão Moreira, nas Comunicações, 1TEN João Garcês Correia, na Luta Anti-submarina, 1TEN Joaquim Aguiar Neves Lopes, nas Informações de Combate.

Também os Comandantes Eugénio Eduardo da Silva Gameiro, na Navegação Astronómica, Avelino Teixeira da Mota em Administração e Regulamentos e João Zodíaco Fernandes, na Escola de Limitação de Avarias. Aqui memória ainda para o 1TEN António Vasco de Magalhães Martinha.

Na Escola de Artilharia Naval referência para o Comandante Manuel de Sousa Barbosa e para os 1TEN José Manuel Monteiro Fiadeiro e 1TEN Afonso Telo Marques Carneiro, bem como para o Sargento Abel Afonso, este também instrutor de Infantaria, como auxiliar do Comandante Armando Saturnino Monteiro, Comandante do Corpo de Alunos da Escola Naval.

Ao longo do 1.º período, passado na Escola Naval, foram proporcionadas aos cadetes, largadas para o mar, numa primeira experiência e contacto com a vida a bordo, em embarques de fim-de-semana no Draga-Minas «Ribeira Grande». A primeira saída teve como destino o porto de Portimão, entre os dias 15 e 17 de Dezembro.




Em pé: Leal de Melo, Almeida Pinto, Garcia e Costa, José Figueira, Fonseca Luz, Oliveira e Silva e Pires de Lima; Sentados: Salazar Ferro e Magalhães Salgado

Para a Viagem de Instrução, em Março de 1962, o curso foi dividido em duas partes, embarcando a classe de Marinha na Fragata «Corte Real», navegando durante duas semanas ao longo da costa, enquanto as restantes classes, embarcadas na Fragata «Pero Escobar», tocavam Ponta Delgada, Funchal e Portimão.

Na 2.ª quinzena desse mês, efectuou-se a troca dos cadetes dos dois navios, com os mesmos destinos.

Comandavam estes navios, o CFR Alberto Alves Lopes, ainda nesse mês rendido pelo CFR Henrique Eduardo Vosgien de Noronha, na «Corte Real», e o CFR António José de Barros Vieira Coelho, a «Pero Escobar».

Seguiu-se o juramento de Bandeira presidido pelo Ministro da Marinha, CAlm Fernando Quintanilha Mendonça Dias, no dia 30 de Abril e a entrega ao cadete EMQ Luís Gonzaga de Castro Mendes de Almeida do Prémio Reserva Naval, por ter sido o aluno mais classificado no conjunto da média de frequência escolar e da classificação de carácter militar.

A promoção a Aspirante da Reserva Naval teve a data de 1 de Maio e o destacamento para as várias Unidades foi o passo seguinte dos integrantes deste Curso.

É também deste curso o primeiro oficial, na História da Reserva Naval, a concluir o curso de Fuzileiro Especial. Embora pertencente à classe de Marinha, João Pedro Gião Toscano Rico ofereceu-se para a sua frequência, tendo sido mobilizado após a conclusão da especialidade e integrado no DFE 1 - Destacamento de Fuzileiros Especiais n.º 1, de que foi Comandante o 1TEN Henrique Coelho Metzner, Oficial Imediato o 2TEN Luís Camós de Oliveira Rego e 3.º oficial o 2TEN José Júlio Neto Abrantes Serra. Toscano Rico foi o 4.º Oficial deste Destacamento embarcando para Angola em 10 de Novembro de 1962.

É ainda do 4.º CEORN o primeiro oficial da Reserva Naval a atingir o posto de 1.º Tenente da Reserva Naval. Após sucessivas prorrogações voluntárias de prestação de serviço, José Manuel de Carvalho Garcia e Costa foi promovido a este posto, em 12 de Março de 1969.




ASP RN Luis Gonzaga de Castro Mendes de Almeida, 2TEN FZE RN João Pedro Gião Toscano Rico e 1TEN RN José Manuel de Carvalho Garcia e Costa

Foi ainda este curso que forneceu a maioria dos oficiais que integraram as Companhias de Fuzileiros n.º 1 e n.º 2, destacadas em Angola e em Moçambique, respectivamente.

Na CF n.º 1, sob o comando do 1TEN Joaquim Alberto Pires Dias e sendo Imediato o 2TEN António Luciano de Sá Homem de Gouveia, prestaram serviço José Máximo de Brito e Castro, Armando Garrido Pais e Silva, Humberto Jorge Santana e José Cardoso Moniz, estes dois últimos integrando mais tarde os Quadros Permanentes da Armada onde alcançaram o posto de Capitão-de-Mar-e-Guerra.

Ainda a esta Companhia pertenceu o 2TEN MN Eduardo Magalhães Crespo, oriundo do 3.º CEORN, que viria também a fazer parte do QP da Marinha.
Sob o comando do 1TEN José Carlos Borges Delgado, na CF n.º 2, cujo oficial Imediato era o 2TEN José Manuel Ilharco de Moura, prestaram serviço Luís França e Sousa, José Maria Abecassis, Carlos Alberto Costa Miranda, estes três da classe de Marinha, Alexandre Cruz Mendes, da Classe de Fuzileiros e o Médico Naval António Santos Magalhães.

Não foram estas as únicas mobilizações para o Ultramar dos oficiais do 4.º CEORN. Em 1963 tiveram lugar as primeiras rendições nas Lanchas de Fiscalização, até então comandadas pelos oficiais da Reserva Naval do 3.º CEORN.

Para Angola seguiram José Manuel Garcia e Costa, António Jorge de Almeida Pinto e José Augusto Pires de Lima, assumindo o comando, respectivamente, das LFP «Espiga», LFP «Pollux» e LFP «Fomalhaut». Para a Guiné, no comando das LFP «Bellatrix», LFP «Deneb» e LFP «Canopus» seguiram Ruy Osório de Barros, José Manuel Burnay e Luís Pinto Fernandes Sequeira.




No Grupo n.º 1 de Escolas da Armada

Outras movimentações para África, ainda deste curso, levaram para o Comando Naval de Moçambique, Renato Fernando de Oliveira e Silva e José Maria Lemos de Macedo; para o Comando Naval de Angola, Benjamim Esaguy Doukarsky e Francisco Lisbão Rodrigues e para o Comando da Defesa Marítima da Guiné, Fernando Vilarinho Pereira, José Martins Figueira e António Mendes de Sousa.

Este curso teve ainda acção relevante, através de João Marcelino Bravo Queiróz, Alfredo Melo de Carvalho e António Fonseca e Costa, todos da Classe de Fuzileiros, licenciados pelo Instituto Superior de Educação Física (INEF), no reforço do corpo de instrutores do CEFA-Centro de Educação Física da Armada. Foi ainda um curso saliente nos campeonatos de atletismo e de natação da Armada, com diversas provas ganhas nas duas modalidades.

A maioria dos oficiais do 4.º CEORN foi licenciada ao longo do ano de 1964, tendo alguns dos seus elementos prorrogado o tempo de serviço, como foi o caso referido de José Manuel Garcia e Costa, até à data da sua promoção a 1TEN da Reserva Naval e de António Jorge Silva de Almeida Pinto, como instrutor na Escola de Alunos no GR1 de Escolas da Armada, em Vila Franca de Xira.




Galeria de Fotos:




Fontes:
Arquivo de Marinha; Anuário da Reserva Naval 1958-1975, Lisboa, 1992, Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado; Dicionário de Navios, Adelino Rodrigues da Costa, 2006; Texto do autor do blogue compilado e corrigido a partir do publicado na Revista n.º 8 da AORN - Associação dos Oficiais da Reserva Naval, Outubro/Dezembro 1998; Fotos de Arquivo do autor do blogue.

mls