quarta-feira, dezembro 07, 2016

Navegando - Do Índico ao Lago Niassa (3)


Base Naval de Metangula – Reserva Naval nas LFP

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 28 de Fevereiro de 2009)

(continuação)

As LFP «Marte» – P 1134, «Mercúrio» – P 1135, «Saturno» – P 1136 e «Urano» – P 1137, são todas da classe «Júpiter» e foram construídas nos Estaleiros Navais do Mondego.



Em cima, a LFP «Marte» navegando no lago Niassa e, em baixo,
a LFP «Mercúrio» a entrar a barra do porto de Lisboa.





As duas primeiras foram aumentadas ao efectivo dos navios da Armada em 18 de Junho de 1965 e depois de transportadas para Metangula, as LFP «Marte» e LFP «Mercúrio», foram integradas na Esquadrilha de Lanchas do Lago Niassa em 19 de Dezembro.

Comandaram a LFP «Marte» os seguintes oficiais da Reserva Naval:

2TEN RN Manuel Mendes de Almeida Abecassis, 7.º CEORN, 05Jun65 a 05Mai67;
2TEN RN João Carlos de Castro Fonseca, 9.º CFORN, 05Mai67 a 04Jun69;
2TEN RN João Luis da Silva e Noronha Falcão, 13.º CFORN, 04Jun69 a 23Mai70;
2TEN RN José Luis Tocha Antunes dos Santos, 12.º CFORN, 26Mai70 a 26Out70;
2TEN RN Carlos Pedro Amorim Marques da Silva, 16.º CFORN, 26Out70 a 16Jun71;
2TEN RN Joaquim João Ferreira Barrocas Dórdio, 17.º CFORN, 16Jun71 a 25Mai73;
2TEN RN Décio Mário Baganha Fernandes, 20.º CFORN, 25Mai73 a 31Mar75;





Transporte por estrada da LFP «Urano».



Comandou a LFP «Mercúrio» o seguinte oficial do QP:

2TEN José Deolindo Torres Sobral, de 28Jul65 a 5Mai67;

Comandaram a LFP «Mercúrio» os seguintes oficiais da Reserva Naval:

2TEN RN Manuel Alexandre de Sousa Pinto Agrelos, 9.º CFORN, 05Mai67 a 01Ago68;
2TEN RN Manuel Agostinho de Castro Freire de Menezes, 11.º CFORN, 01Ago68 a 06Mai70;
2TEN RN Jorge Manuel Canossa da Silva, 15.º CFORN, 06Mai70 a 16Mai72;
2TEN RN Luis Alexandre Lynce de Faria, 18.º CFORN, 16Mai72 a 16Out73;
2TEN RN Carlos Eduardo Campos Valgode, 21.º CFORN, 16Out73 a 31Mar75.



A LFP «Saturno» foi aumentada ao efectivo dos navios da Armada em 29 de Julho e a LFP «Urano» em 12 de Agosto do mesmo ano. Transportadas para o Lago Niassa em Agosto de 1967, foram atribuídas à Esquadrilha de Lanchas a 21 e 19 de Agosto de 1967, respectivamente.




Aspecto do transporte para o Lago Niassa, por caminho de ferro e por estrada, das LFP «Saturno» e LFP «Urano»





Comandaram a LFP «Saturno» os seguintes oficiais da Reserva Naval:

2TEN RN Francisco Parente Mendes Godinho, 7.º CEORN, 29Jul65 a 14Nov66;
2TEN RN António Roque de Andrade Afonso, 9.º CFORN, 02Jun67 a 04Jun69;
2TEN RN José Luis Correia Belo, 13.º CFORN, 04Jun69 a 17Mai71;
2TEN RN Francisco Cascabulho Tomé, 17.º CFORN, 17Mai71 a 15Mai73;
2TEN RN Joaquim José Tição Teixeira Sampaio, 20.º CFORN,15Mai73 a 14Out74;
2TEN RN Manuel Joaquim Couto Alves dos Reis, 21.º CFORN,14Out74 a 31Mar75;

Comandaram a LFP «Saturno» os seguintes oficiais dos QP:

1TEN João Geraldes Freire, 14Nov66 a 03Dez66;
1TEN António Maria de Sá Alves Sameiro, 03Dez66 a 02Jun67;



Comandaram a LFP «Urano» os seguintes oficiais da Reserva Naval:

2TEN RN Fernando Augusto Pacheco da Costa, 7.º CEORN, 12Ago65 a 02Jul66;
2TEN RN João da Silva Boavida Canada, 7.º CEORN, 06Jul66 a 28Abr67;
2TEN RN Rogério Vieira de Sá, 9.º CFORN, 28Abr67 a 11Mai69;
2TEN RN António Carlos da Silva Carneiro, 17.º CFORN, 16Jun71 a 21Mai73;
2TEN RN José Manuel Proença Cameira, 20.º CFORN , 21Mai73 a 31Mar75;

Comandou a LFP «Urano» o seguinte oficial do QP:

2TEN José Maria da Silva Horta, 11Mai69 a 16Jun71;





Aspecto do transporte para o Lago Niassa, por caminho de ferro e por estrada, das LFP «Saturno» e «Urano»



Em 31 de Março de 1975 foram aqueles quatro navios abatidos ao efectivo dos navios da Armada.


Fontes:

Arquivo de Marinha; Revista da Armada; Setenta e Cinco Anos no Mar da Comissão Cultural de Marinha; Lista da Armada e Anuário da Reserva Naval dos Comandantes Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado; ainda amáveis cedências de Manuel Alves da Silva, CF 2 - Moçambique, 1962/65, em http://companhia2fz.blogspot.com/

mls

terça-feira, dezembro 06, 2016

Reserva Naval nas LDG - Lanchas de Desembarque Grandes (3)


LDG «Cimitarra»


(Post reformulado a partir de outro já publicado em 24 de Janeiro de 2009)

A LDG «Cimitarra» , LDG 103, foi a terceira de um grupo de quatro Lanchas de Desembarque Grandes da Marinha de Guerra Portuguesa que constituiram a classe “Alfange”, nome atribuído pelo da primeira a ser construída.

Basearam-se nas LCT (Landing Craft Tank) americanas e tratava-se de lanchas de assalto anfíbio destinadas a transportar tanques em desembarques nas “testas de praia” durante a segunda guerra mundial.



Foi construída nos Estaleiros Navais do Mondego e aumentada ao efectivo dos navios da Armada em 4 de Setembro de 1965. Efectuou o plano de adestramento básico durante 3 semanas.

Características, máquinas propulsoras, equipamento, armamento e lotação são idênticos aos da LDG “Alfange” com excepção do transreceptor que era Nimbus Curlew.

Resumo geral das características principais:



Em 27 de Abril de 1966, largou da BNL com destino a Moçambique tendo navegado até à Guiné na companhia da LDG "Montante", com escalas na Madeira e em Cabo Verde.

No princípio de Junho seguiu como navio solto, navegando em rota larga para evitar quaisquer encontros com navios hostis, escalou S. Tomé, Luanda, Moçamedes, Walwis Bay, Cape Town, Durban, Lourenço Marques, Beira, Angoche e finalmente Porto Amélia, onde atracou a 22 de Agosto.

Em quase 4 meses de viagem, ultrapassara temporais e avarias, efectuara tiradas de 15 dias sem que tivesse capacidade para mais de 5 dias de frescos e navegara cerca de 8.000 milhas.

Atribuído ao Comando de Defesa Marítima de Porto Amélia, o navio passou a apoiar operações militares no distrito de Cabo Delgado e a efectuar missões de apoio logístico, de âmbito militar e civil.

Apesar das condições de mar serem frequentemente muito adversas na costa norte de Moçambique, o navio visitava regularmente os portos de Nacala, Ibo, Mocimboa da Praia, Palme e Quionga, assegurando o reabastecimento local que a guerra impedia ser feito por terra em segurança.

Em 31 de Março de 1975 foi formalmente abatida ao efectivo dos navios da Armada, tendo servido a Marinha durante mais de 10 anos, totalizando cerca de 11.530 horas de navegação.

Foram comandantes da LDG «Cimitarra» os seguintes oficiais do QP:

1TEN Virgílio Roma Pita Barros;
1TEN Engrácio Lopes Cavalheiro;
1TEN Manuel Luís Amaral Pereira;
1TEN António Manuel Varela Marques de Sá;
1TEN Carlos Manuel Silva Serrano;

Foram oficiais imediatos da LDG «Cimitarra» os seguintes oficiais da Reserva Naval:

2TEN RN João Almeida Santos, 7.º CEORN;
2TEN RN Júlio Henriques Ferreira Alexandre, 9.º CFORN;
2TEN RN Fernando Raul Baptista do Carmo, 13.º CFORN;
2TEN RN João António de Sousa Pereira, 17.º CFORN;
2TEN RN Joaquim José Ramos Reis Santos, 20.º CFORN;
2TEN RN Ângelo Manuel Carvalho de Oliveira, 24.º CFORN;

Foi também oficial imediato da LDG «Cimitarra», o seguinte oficial dos QP:

2TEN Adelino Rodrigues da Costa;


Fontes:
Arquivo de Marinha; Texto do autor do blogue compilado e corrigido a partir de "Setenta e Cinco Anos no Mar", Comissão Cultural de Marinha; Revista da Armada; Lista da Armada; Anuário da Reserva Naval dos Comandantes Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado; cedência de fotos do Comandante Adelino Rodrigues da Costa;

mls

segunda-feira, dezembro 05, 2016

Reserva Naval, 13.º CFORN - A Pátria Honrai...


(Post reformulado a partir de outro já publicado em 11 de Dezembro de 2008)

O 2TEN FZE RN Hernâni Vidal de Rezende pertenceu ao 13.º CFORN - Curso de Formação de Oficiais da Reserva Naval e ingressou na Marinha de Guerra em 28 de Agosto de 1968.

Promovido a Aspirante da Reserva Naval em Abril de 1969, foi destacado para prestar serviço em Angola, no DFE 10 - Destacamento de Fuzileiros Especiais n.º 10, de 1969 a 1971.



Mais tarde, ingressou nos Quadros Permanentes onde desempenhou diversas funções, entre as quais comandante do Batalhão de Fuzileiros n.º 3, Chefe do Estado-Maior do Corpo de Fuzileiros e Comandante da Escola de Fuzileiros, tendo ascendido ao posto de Capitão-de-Mar-e-Guerra.


Fontes: Revista da Armada n.º 9, Junho de 1972

mls

sábado, dezembro 03, 2016

Navegando - Do Índico ao Lago Niassa (2)


Base Naval de Metangula – Reserva Naval nas LFP

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 25 de Fevereiro de 2009)

Entre os anos de 1963 e 1975, o dispositivo naval no Lago Niassa, foi reforçado com as LFP «Castor», «Régulus», «Mercúrio», «Marte», «Saturno» e «Urano», que ficaram a pertencer à Esquadrilha de Lanchas do Lago Niassa.



Passaram a ser-lhes atribuídas missões de vigilância e controlo das águas portuguesas, apoio, transporte e cooperação com as forças terrestres e aéreas em operações conjuntas na faixa costeira do lago, assumir a defesa e apoio logístico das bases e forças da Marinha – Companhias e Destacamentos e Fuzileiros, estabelecidas ao longo da faixa costeira do lago e promover apoio ao Serviço de Hidrografia.

As características gerais, armamento, equipamentos, máquinas propulsoras, energia eléctrica e lotação destas três classes de LFP–Lanchas de Fiscalização Pequenas podem ser consultadas detalhadamente na bibliografia indicada.

De cerca de quarenta oficiais subalternos que, ao longo de uma dúzia de anos de conflito, comandaram aquelas unidades navais, trinta e cinco foram Oficiais da Reserva Naval. O resumo que a seguir se faz de cada uma das LFP reflecte essa tendência.



A LFP «Castor» - P 580, construída nos Estaleiros Navais do Mondego foi aumentada ao efectivo dos navios da Armada em 3 de Setembro de 1964, apenas depois de ter sido atribuída ao Comando Naval de Moçambique, sendo de construção única na classe com o mesmo nome.

Comandou a LFP «Castor» o seguinte oficial dos QP:

1TEN Sérgio Augusto Vicente Ribeiro Zilhão, 10Fev64 a 14Nov65;



Comandaram a LFP «Castor» os seguintes oficiais da Reserva Naval:

2TEN RN António Liz Dias, 6.º CEORN, 14Nov65 a 02Jun66;
2TEN RN José Pedro Cabral Fernandes, 8.º CEORN, 02Jun66 a 17Jul68;

Em 5 de Agosto de 1968 foi cedida a título de empréstimo ao Governo do Malawi, sendo renomeada de «John Chilembwe» tendo navegado com a bandeira daquele país e alguns elementos da guarnição portugueses, nomeadamente o comandante.

A LFP «Régulus» - P 369, da classe «Antares» foi construída nos Estaleiros da Navalis (CUF), com casco em fibra de vidro construído em Portsmouth, tendo sido aumentada ao efectivo dos navios da Armada em 27 de Janeiro de 1962, depois de desembarcada em Luanda a bordo de um navio mercante.

Integrada na Esquadrilha de Lanchas do Zaire até 23 de Novembro de 1965, data em que, depois de transportada para Metangula, foi atribuída à Esquadrilha de Lanchas do Lago Niassa.

Em 21 de Março de 1970, tal como a LFP «Castor», foi cedida a título de empréstimo ao Governo do Malawi, conforme notas diplomáticas trocadas entre os dois países, sendo renomeada de «Chibisa» passando a navegar com a bandeira daquele país, sendo a guarnição integrada por alguns elementos portugueses, nomeadamente o comandante.

Em 20 de Maio de 1974 foram ambas definitivamente entregues à República do Malawi.

Comandou a LFP «Régulus» o seguinte oficial dos QP:

2TEN João Carlos da Fonseca Pereira Bastos, 07Fev62 a 28Jan64;



Comandaram a LFP «Régulus» os seguintes oficiais da Reserva Naval:

2TEN RN Manuel Joaquim Reis Assunção, 5.º CEORN, 28Jan64 a 25Nov64, 26Nov64 a 30Nov64 e 20Dez64 a 30Jul65;
2TEN RN Fernando Baptista Pereira, 6.º CEORN, 25Nov64 a 26Nov64;
2TEN RN António Jorge Silva de Almeida Pinto, 4.º CEORN, 30Nov64 a 20Dez 64;
2TEN RN João Paulo Von Mayer Reis, 7.º CEORN, 30Jul65 a 03Jan66;
2TEN RN Rui Jorge Lima Saraiva, 7.º CEORN, 03Jan66 a 05Mai66 e 13Jan67 a 22Mai67;
2TEN RN José Manuel Neto Domingues, 8.º CEORN, 05Mai66 a 13Jan67;
2TEN RN Francisco Ribeiro Nogueira Freire, 9.º CFORN, 22Mai67 a 28Set68;
2TEN RN António Roque de Andrade Afonso, 9.º CFORN, 28Set68 a 27Nov68 e 15Dez68 a 05Fev69;
2TEN RN Manuel Agostinho Castro Freire de Menezes, 11.º CFORN, 27Nov68 a 15Dez68 (Encarregado de Comando);
2TEN RN José Luis Tocha Antunes dos Santos, 12.º CFORN, 05Fev69 a 21Mar70;


(a continuar)

Fontes:
Arquivo de Marinha; Revista da Armada; Lista da Armada; Setenta e Cinco Anos no Mar da Comissão Cultural de Marinha; Anuário da Reserva Naval dos Comandantes Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado;

mls

sexta-feira, dezembro 02, 2016

Reserva Naval nas LDG - Lanchas de Desembarque Grandes (2)


LDG “Ariete”


(Post reformulado a partir de outro já publicado em 13 de Janeiro de 2009)

A LDG «Ariete» , LDG 102, foi a segunda de um grupo de quatro Lanchas de Desembarque Grandes da Marinha de Guerra Portuguesa que constituiram a classe “Alfange”, nome atribuído pelo da primeira a ser construída.

Basearam-se nas LCT (Landing Craft Tank) americanas e tratava-se de lanchas de assalto anfíbio destinadas a transportar tanques em desembarques nas “testas de praia” durante a segunda guerra mundial.





Resumo geral das características principais:



Foi construída nos Estaleiros Navais do Mondego e aumentada ao efectivo dos navios da Armada em 9 de Junho de 1965. Em Setembro, depois de efectuar o adestramento básico e na companhia da «LDG Alfange», largou da Base Naval de Lisboa com destino a Luanda.

Características, máquinas propulsoras, equipamento, armamento e lotação são idênticos aos da LDG «Alfange» com excepção do transreceptor que é Nimbus Curlew.

A viagem de Lisboa para Luanda foi integralmente efectuada sem girobússola e radar, equipamentos que apenas foram montados depois da chegada a Angola.

Escalou os portos do Funchal, S. Vicente de Cabo Verde, S. Filipe do Fogo e Bissau onde, em 4 de Outubro, largou como navio solto com destino a S. Tomé, após o que rumou a Luanda, onde atracou a 19 de Outubro, ficando atribuída ao Comando Naval de Angola.

Efectuou múltiplas missões logísticas ao longo da costa angolana no transporte de pessoal e material, aportando com frequência a SAZaire, Cabinda, Luanda, Moçâmedes e Lobito mas alternando também algumas vezes com S. Tomé – Ana Chaves.

Em 1973 instalou armamento complementar constituído por duas peças Boffors de 40 mm, tendo largado para Bissau em 2 de Julho onde atracou no dia 16 do mesmo mês, depois de ter escalado a baía de Ana Chaves em S. Tomé.

Em 3 de Dezembro, na companhia da LDG «Alfange» e as 5 LFG-Lanchas de Fiscalização Grandes, as LFG «Argos», «Dragão», «Hidra», «Lira» e «Orion», vindas da Guiné, a LDG «Ariete» rumou para Luanda, com escalas em Cabo Verde e S. Tomé, numa viagem de 3.000 milhas e onde atracou a 26 de Dezembro, ficando atribuída ao Comando Naval de Angola.

As três primeiras LFG’s efectuaram a viagem a reboque do navio balizador «Schultz Xavier» navegando as outras pelos próprios meios. Escoltava aquele complexo combóio naval, que ficou conhecido como a «Incrível Armada», a corveta «António Enes».

Em Angola continuou a efectuar missões de transporte de pessoal e material com algumas deslocações a S.Tomé, em Ana Chaves.

No dia 10 de Novembro de 1975 foi formalmente abatida ao efectivo dos navios da Armada e, no dia seguinte, foi entregue às autoridades da República Popular de Angola, juntamente com a LDG «Alfange».

Tinha servido a Marinha ao logo de mais de 10 anos, totalizando cerca de 14.800 horas de navegação.

Foram comandantes da LDG «Ariete» os seguintes oficiais do QP:

1TEN Gabriel Lobo Fialho:
1TEN Francisco Félix de Lima Duarte Costa;
1TEN Joaquim Alberto Pires Dias;
1TEN António Eduardo Barbosa Alves;
1TEN Henrique Alexandre Machado da Silva da Fonseca;

Foram oficiais imediatos da LDG «Ariete» os seguintes oficiais da Reserva Naval:

2TEN RN Manuel Branco Ferreira Lima, 7.º CEORN;
2TEN RN Florêncio António Fernandes, 7.º CEORN;
2TEN RN Álvaro Augusto Baptista da Rocha-9.º CFORN;
2TEN RN José Alcino Rodrigues de Carvalho-12.º CFORN;
2TEN RN João Maria Machado Marques Fernandes-12.º CFORN;
2TEN RN José Maria Trigoso Corrêa de Barros-16.º CFORN;
2TEN RN Eduardo Guedes de Queirós de Mendia - 24.º CFORN

Foi também oficial imediato da LDG «Ariete» o seguinte oficial do QP:

2TEN João Sotto Mayor Coelho de Sousa


Fontes:
Arquivo de Marinha; Texto do autor do blogue compilado e corrigido a partir de "Setenta e Cinco Anos no Mar", Comissão Cultural de Marinha; Revista da Armada; Lista da Armada; Anuário da Reserva Naval dos Comandantes Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado;

mls

quinta-feira, dezembro 01, 2016

LDM - Lanchas de Desembarque Médias no dispositivo naval da Guiné



Reserva Naval e LDM - Lanchas de Desembarque Médias


(Post reformulado a partir de outro já publicado em 11 de Novembro de 2008)

Falar do dispositivo da Marinha de Guerra na Guiné sem mencionar as LDM – Lanchas de Desembarque Médias, significaria omitir a participação e actuação do mais representativo e empenhado tipo de unidades que ali permaneceram ao longo de uma dúzia de anos de conflito.

Num dispositivo progressivamente crescente, a partir de 1963 e tendo como referência o ano de 1971, chegaram a estar estacionadas na Guiné, atribuídas à Esquadrilha de Lanchas do CDMG, 31 LDM das classes 100, 200, 300 e 400, algumas delas com limitações operacionais ou imobilizadas. Apareceriam ainda as LDM classe 500, com as «LDM 501» a «LDM 506», renumerada na continuação da classe 300, das LDM 308 a LDM 313.



Grave injustiça seria ainda o não reconhecimento da dedicação, abnegação e estoicismo daquelas pequenas guarnições de seis homens que asseguravam permanentemente, as indispensáveis ligações fluviais no transporte de bens, populações civis, forças militares, abastecimento de víveres e água, quer a aldeamentos quer a aquartelamentos.

Efectuavam a fiscalização e patrulha dos rios, a sós ou com grupos de combate de fuzileiros embarcados, integravam o transporte e segurança de combóios logísticos e eram ainda parte fundamental da acção dos fuzileiros no transporte e desembarque em operações militares. Participavam também, ocasionalmente, em operações de busca e salvamento ou sempre que solicitadas.

Os longos períodos de permanência em cruzeiro a que por vezes estavam sujeitas, marcavam mais vincadamente as precárias condições de habitabilidade e a limitada capacidade de conservação de frescos para a alimentação, tendo muitas vezes de recorrer ao apoio suplementar de populações e aquartelamentos locais, por onde transitavam, até serem reabastecidos.

De norte a sul da Guiné, nas bacias hidrográficas e nos rios, foram sempre suporte básico e insubstituível apoio de todo o dispositivo operacional montado, coadjuvando e complementando LFG, LDG, LFP, DFE e CF em toda a actividade operacional.

Frequentemente emboscadas e flageladas em locais de passagem nos rios mais propícios a ataques desferidos das margens com todo o tipo de armamento, reagiram sempre com prontidão e eficácia. Em algumas situações, poucas no balanço geral de uma dúzia de anos, foram mesmo visadas com a montagem de minas aquáticas.

Na maioria dos casos, as consequências dos ataques quedaram-se na pronta resposta das guarnições que, corajosa e determinadamente, enfrentavam um inimigo invisível, dissimulado nas margens, calando-o ainda que com alguns impates ou pequenos danos nas lanchas; em alguns casos as consequências foram bem mais graves, havendo a registar pesados danos materiais com baixas em combate, feridos e mesmo mortos.

Foram incontáveis os exemplos de oficiais do QP e da Reserva Naval, fuzileiros ou sem o ser, de serviços em terra ou de outras unidades navais que embarcaram em LDM - Lanchas de Desembarque Médias, no desempenho de missões de comando para que foram nomeados em combóios logísticos, escoltas a navegação comercial, operações com forças de terra e ainda outras missões.

Vivi essa experiência pessoal quando, em 13 de Setembro de 1966, enquanto oficial imediato da LFG «Orion», na altura em cruzeiro no rio Cacine, fui nomeado para, na função de comando, embarcar na LDM 307, ali igualmente em serviço e participar na «Operação Sol» levada a cabo por forças de terra.

Navegámos até ao aquartelamento de Cabedú, no limite sul do Cantanhês, embarcámos a CCAÇ 1427 ali estacionada e, na madrugada seguinte, procedemos ao seu desembarque a sul da Ilha de Melo. Depois de realizada e concluída a acção prevista, efectuou-se o reembarque da companhia transportando-a novamente a Cabedú, após o que regressámos ao rio Cacine e à LFG «Orion», com o retomar das minhas habituais funções.

Foi para mim uma honra operar com tão experiente guarnição, a quem deixo aqui público e agradecido testemunho de apreço.


Fontes:
Texto do autor do blogue; Setenta e Cinco Anos no Mar da Comissão Cultural de Marinha; Arquivo de Marinha; Foto cedida pela Escola de Fuzileiros



Comentários:

Lucas disse...

Cordiais saudações!
Estou feliz pelo autor do texto e pela sua leitura, que muito agradeço.
Ao ler o texto, por sinal muito bem elaborado, recuei no tempo e no espaço e recordei com enorme tristeza e um forte peso no peito os longos, dias, semanas, meses e anos que passei na LDM 202, no período de 1968-1970. Realmente, tal como texto refere, não foi fácil ser tripulante de uma LDM por todas as razões associadas a uma guerra terrível.
Sem dúvida que todas as guarnições prestaram ao país um serviço exemplar, dedicado, empenhado e com elevado sentido de responsabilidade.
A minha mágoa, que ainda persiste, lamentavelmente, é que pouco ou nada se falou ou se escreveu sobre o serviço que as LDM e as suas tripulações prestaram, em especial na Guiné.
Valha-nos a feliz iniciativa do autor do texto, que não tenho o prazer de conhecer para lhe dar um afectuoso abraço de admiração e de reconhecimento pelas suas palavras escritas que tocaram fundo no meu coração.
Bem haja em meu nome e do nome de tantos camaradas que navegaram nos mares de sofrimento da linda e querida Guiné.
Com amizade, sou,
Luís Lucas DaSilva
segunda nov 17, 10:32:00 da tarde WET



mls disse...
Não fiz mais do que exprimir o meu sentir e o de muitos "marinheiros" que pela Guiné passaram.
Como noutros teatros...
Independentemente de ano, unidade e posto, hoje ainda camaradas ou ex-camaradas, apelo à partilha de vivências, relatos e imagens.
Em remada conjunta para o correcto registo de um "diário histórico" escrito por náuticas mãos.
A quem o desejar pode deixar o endereço radiotelegráfico pessoal em mlemasantos@gmail.com
Saudações navais,
mls
terça nov 18, 03:31:00 da tarde WET



NO BLOG disse...
Parabéns pelo excelente artigo sobre as LDM, com que deparei por acaso quando percorria a net em busca de dados para fazer uma réplica em miniatura. Por coincidência, na altura referida no artigo, era o meu pai (na época com a patente de Cabo M. José luis Nascimento) o "Patrão" da LDM 307, cargo que desempenhou entre 25/10/65 e 31/10/67. Ele tem para cá algumas velhas fotos da lancha, que me disponho a digitalizar e colocar à sua disposição, se tiver interesse. Em contrapartida, agradeço se me conseguir também disponibilizar fotos da LDM 307 em especial ou esquemas desta classe de lanchas, para poder continuar o meu projecto.
O meu e-mail é charlien666@gmail.com.
Os meus agradecimentos antecipados e sinceros cumprimentos,
Carlos Nascimento
quarta jul 15, 04:56:00 da tarde WEST



reservanaval disse...
Sensibilizam-me as suas palavras...
Recordo perfeitamente a Operação Sol a Cabedú e a LDM 307, bem como o Cabo Nascimento, Patrão da lancha, ainda que o nome se tivesse diluído no tempo.
Grande aventura na Guiné, essa com os meus três magros meses de comissão numa tão pesada tarefa para quem não era fuzileiro.
Não fora a já sólida experiência do seu pai e da guarnição que ele comandava, a angústia no desempenho da missão teria sido bem maior.
Excelente apoio da guarnição que virou formação intensiva para mim.
Reitero o meu cumprimento e saudação à guarnição dessa LDM e de todas as outras em geral!
mls
quarta jul 15, 09:51:00 da tarde WEST



Carlos disse...
Apesar de não ser "filho da escola", servi no Exército, na Guiné durante mais de 25 meses. Nas funções que desempenhava sempre ouvi histórias, dos mais operacionais dos vários ramos, que havia muito para contar acerca de determinadas forças especiais, a Marinha e a FAP, no desenvolvimento e no envolvimento da guerra da Guiné. Todos sabemos que as LDM's e a outro nivel as LDG's, foram os transportes mais frequentes nas condições dificeis. Por isso, ainda bem que alguém que sabe do assunto relembra um pouco da história destes meios e dos seus excepcionais operadores. Continue porque muito deve ter para contar. E é sempre bom dar a conhecer o que por ali se passou e relembrar aqueles que por lá passaram que há gente que não esquece.
segunda mar 08, 10:12:00 da tarde WET


mls

quarta-feira, novembro 30, 2016

Navegando do Índico ao Lago Niassa (1)


Base Naval de Metangula

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 18 de Fevereiro de 2009)




Moçambique-Aspecto da zona do Lago Niassa e Metangula.


Em 1963 foram inauguradas as instalações do Comando de Defesa Marítima dos Portos do Lago Niassa e a Base Naval de Metangula, localizada na povoação com aquele nome e sobranceira ao Lago de Niassa.



Nesse mesmo ano, pela portaria 17320/63, de 21 de Dezembro, Metangula passou a chamar-se Augusto Cardoso, homenageando Augusto de Melo Pinto Cardoso, notável oficial de Marinha e cientista muito ligado à região.



Não obstante esta disposição legal, a nova denominação não teve aceitação geral, continuando as populações a usar o antigo nome, facto possível de constatar em muitos outros casos. A povoação de Metangula veio a reaqualificar-se definitivamente com aquela designação em 1975.

A situação de conflito existente à época e a importância estratégica do lago na região, culminou no complexo transporte de diversas unidades navais para o local, entre LFP, LDM e LDP, sendo criado o Comando de Esquadrilhas de Lanchas do Lago Niassa.



Passaram a ser-lhes atribuídas missões de vigilância e controlo das águas portuguesas, apoio, transporte e cooperação com as forças terrestres e aéreas em operações conjuntas na faixa costeira do lago, assumir a defesa e apoio logístico das bases e forças da Marinha – Companhias e Destacamentos e Fuzileiros, estabelecidas ao longo da faixa costeira do lago e promover apoio ao Serviço de Hidrografia.

A LFP «Castor» – P 580, primeira e única daquela classe, foi embarcada no N/M Sofala em 20 de Agosto de 1963 com destino ao porto de Nacala onde chegou a 25 de Setembro desse ano. Foi então transportada pelos Caminhos de Ferro de Moçambique até Catur e por transporte rodoviário até Meponda, localidade situada na parte sul do litoral moçambicano do Lago Niassa.



Foi posta a flutuar, rumando depois a Metangula onde chegou a 21 de Novembro, sendo a primeira LFP-Lancha de Fiscalização Pequena a reforçar o dispositivo do Comando da Esquadrilha de Lanchas no Lago Niassa.

Juntou-se-lhe a LFP «Régulus» – P 369 da classe “Antares”, embarcada a bordo do N/M Rovuma, em Luanda, no dia 14 de Setembro de 1965, depois de ali prestado serviço desde Janeiro de 1962 e até àquela data.

Na passagem em Lourenço Marques, em 14 de Setembro, ficou atribuída ao Comando Naval de Moçambique e, ainda o mesmo navio, transportou-a para a Ilha de Moçambique onde chegou em 8 de Outubro.



Manobras de alteamento e passagem sobre as pontes dos rios Mecuburi e Malena

Em 13 de Outubro, com amplitude de maré aceitável, procedeu-se ao encalhar e alagem do navio nos areais da praia do Lumbo, tarefa simples dada a tonelagem e calado da lancha. Veio a complicar-se o que simples parecia ser quando, já no transporte para a estação do caminho de ferro, ao passar num dos cruzamentos da via e por excesso de velocidade, a plataforma descarrilou saltando o navio sobre o berço, ficando a mesma deslocada cerca de 50 cm.

A operação de carrilamento da plataforma levantou alguns problemas delicados, seguindo depois de completada a operação até Catur, onde se procedeu a nova transferência para uma outra plataforma rodoviária que seguiu até Meponda. Reposta a flutuar, chegou a Metangula a 23 de Novembro, ficando atribuída ao Comando da Esquadrilha de Lanchas do Lago Niassa.

Em 7 de Dezembro regressou a Meponda com o objectivo de apoiar o lançamento à água da LFP «Mercúrio» – P 1134 e «Marte» – P 1135, ambas da classe «Júpiter» que entretando para ali tinham sido enviadas para reforçar o dispositivo naval.



Na passagem das pontes ferroviárias as plataformas foram empurradas à mão e depois do transporte em caminho de ferro começou a odisseia do transporte por picadas

Foram ambas transportadas para Moçambique a bordo do N/M “Beira” em 14 de Julho de 1965 e postas a flutuar no porto de Nacala nos primeiros dias de Setembro. Dias mais tarde, a 17 do mesmo mês, navegaram de Nacala para a Ilha de Moçambique enquanto os berços eram transportados por via terrestre para Lumbo, o terminal ferroviário mais próximo.

As primeiras tentativas de encalhe das lanchas nos respectivos berços efectuaram-se sem êxito, os navios voltaram ao mar e as entidades responsáveis pelo serviço, os Caminhos de Ferro de Moçambique, desistiram do trabalho.

O Comando Naval de Moçambique assumiu então a plena responsabilidade da operação «Atum», como passou a ser designada. Iniciada a 27 de Outubro as LFP’s foram encalhadas, aladas para os berços, transportadas por via ferroviária até Nampula e, posteriormente, por via rodoviária até ao Catur, Meponda e Lago Niassa.



Um grande sobressalto com a fractura do tabuleiro da ponte
sobre o rio Mangel em que quase se perdeu a fé!


A operação realizou-se com sucesso e terminou a 19 de Dezembro em Metangula, onde os navios aportaram depois de reabastecidos, ficando atribuídos ao Comando da Esquadrilha de Lanchas do Lago Niassa.

Em 11 de Junho de 1967, mais duas LFP da classe «Júpiter», a LFP «Saturno» – P 1136 e LFP “«Urano»” – P 1137, seguiram a bordo do N/M Beira para Moçambique – Lago Niassa, em percurso idêntico ao das anteriormente enviadas, sendo activada a operação «Roaz» para apoio ao transporte, primeiro ferroviário e depois rodoviário. Em 19 de Agosto foram atribuídas ao Comando da Esquadrilha de Lanchas.

Nas LFP «Castor», «Régulus», «Marte», «Mercúrio», «Saturno»e «Urano», estiveram como comandantes a prestar serviço, mais de quatro dezenas de oficiais, a maioria dos quais da Reserva Naval.

Metangula, Lago Niassa e Moçambique ficarão indelevelmente ligados à História da Marinha de Guerra dos ultimos 50 anos e à importância da participação da Reserva Naval na construção dessa memória histórica.

Um dos momentos mais marcantes ficou reflectido na viagem organizada pelo Prof. Dr. Ricardo Campos, médico naval da Reserva Naval, do 11º CFORN. Iniciada em 11 de Maio 1999, saldou-se por um notável reencontro histórico com vivências e sentimentos que, muito mais do que dividir, uniram épocas e gentes.




Foto de família do grupo na chegada a Metangula

(a continuar)

Fontes:
Arquivo de Marinha; Revista da Armada; Lista da Armada; Setenta e Cinco Anos no Mar da Comissão Cultural de Marinha; Anuário da Reserva Naval dos Comandantes Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado; imagem aérea da base naval de Metangula cedida pelo Almirante Espadinha Galo.

mls

terça-feira, novembro 29, 2016

Reserva Naval nas LDG - Lanchas de Desembarque Grandes (1)


LDG “Alfange”


(Post reformulado a partir de outro já publicado em 13 de Janeiro de 2009)


A LDG «Alfange», LDG 101, foi a primeira Lancha de Desembarque Grande da Marinha de Guerra Portuguesa, passando a designar a classe a que pertenceram também a LDG «Ariete», a LDG «Cimitarra» e a LDG «Montante».



Basearam-se nas LCT (Landing Craft Tank) americanas e tratava-se de lanchas de assalto anfíbio destinadas a transportar tanques em desembarques nas “testas de praia” durante a segunda guerra mundial.

Resumo geral das características principais:



Foi construída nos Estaleiros Navais do Mondego e aumentada ao efectivo dos navios da Armada em 4 de Março de 1965. Em Setembro, depois de efectuar o adestramento básico e na companhia da LDG «Ariete», largou para Bissau, onde atracou a 10 de Outubro, tendo ficado atribuída ao Comando de Defesa Marítima da Guiné.



A imensa mole humana transportada numa unidade naval como a LDG «Alfange»

Apesar da boa cobertura cartográfica das bacias hidrográficas guineenses, o navio depressa foi solicitado para missões logísticas, em áreas situadas fora dos limites das áreas hidrografadas, o que, em associação com as suas difícies condições de manobrabilidade, as especiais condições de correntes e marés, e a situação de guerra que então se vivia, tornavam a sua condução num permanente acto de perícia marinheira, e a sua segurança numa constante preocupação.



A preparar a abicagem à margem para mais uma descarga

Durante quase 9 anos, a LDG «Alfange» navegou “em todos os rios da Guiné”, apoiou operações, sofreu algumas emboscadas montadas pelo PAIGC e transportou milhares de soldados, toneladas de abastecimentos, centenas de viaturas e outros materiais militares e civis.

Apesar do progressivo agravamento da situação militar, a LDG «Alfange» cumpriu sempre as missões que lhe foram atribuídas, abicando em todos os locais, mesmo os mais inacessíveis e de maior risco.



Abicagens que dispensam palavras; em baixo, à esquerda, a vila de Farim

Em 14 de Outubro de 1974, acompanhada pela LDG «Ariete» e LDG «Bombarda», rumou a S. Vicente onde atracou no dia 20, depois de escoltadas, primeiro pela fragata «Roberto Ivens» e a partir do dia 18 pela corveta Augusto Castilho».

Em 3 de Dezembro, na companhia da LDG «Ariete» e as 5 LFG - Lanchas de Fiscalização Grandes - «Argos», «Dragão», “Hidra”, «Lira» e «Orion», vindas da Guiné, a LDG «Alfange» rumou para Luanda, com escalas em Cabo Verde e S. Tomé, numa viagem de 3.000 milhas e onde atracou a 26 de Dezembro, ficando atribuída ao Comando Naval de Angola.

As três primeiras LFG mencionadas, as LFG «Argos», «Dragão» e «Hidra», efectuaram a viagem a reboque do navio balizador «Schultz Xavier» e escoltava aquele complexo combóio naval, que ficou conhecido como a «Incrível Armada», a corveta «António Enes». As restantes, LFG «Lira» e LFG «Orion», efectuaram a viagem pelos seus próprios meios.

Ali, em Angola, efectuou inúmeras missões de evacuação de tropas e de população civil, sobretudo dos portos de Cabinda, Sazaire e Lobito para Luanda, esteve na festa da independência da República de S. Tomé e Príncipe e voltou a Angola.

No dia 10 de Novembro de 1975 foi formalmente abatida ao efectivo dos navios da Armada e, no dia seguinte, foi entregue às autoridades da República Popular de Angola, juntamente com a LDG «Ariete».

Tinha servido a Marinha ao logo de quase 11 anos, totalizando cerca de 10.811 horas de navegação.

Foram comandantes da LDG “Alfange” os seguintes oficiais do QP:

1TEN José Fernandes Martins e Silva;
1TEN José Manuel Contreras Passos;
1TEN José Manuel Malhão Pereira;
1TEN João Manuel Lopes Pires Neves;
1TEN Júlio de Almeida Marinho;
1TEN Álvaro Sabino Guerreiro;
1TEN Luís Centeno da Costa;

Foram seus oficiais imediatos os seguintes oficiais da Reserva Naval:

2TEN RN António Viriato Carvalho dos Santos, 7.º CEORN;
2TEN RN Arnaldo Régio Lopo Antunes, 9.º CFORN;
2TEN RN Manuel Joaquim Lopes Marques, 12.º CFORN;
2TEN RN Duarte José de Melo Borges Coutinho, 16.º CFORN;
2TEN RN Luis Alberto Moreira Pires e Pato, 19.º CFORN;
2TEN RN José António Sarsfield Pereira Cabral, 24.º CFORN;


Fontes:

Arquivo de Marinha; Anuário da Reserva Naval dos Comandantes Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado; Dicionário de Navios, Comandante Adelino Rodrigues da Costa, 2006; Texto do autor do blogue a compilado e corrigido a partir do publicado de Setenta e Cinco Anos no Mar da Comissão Cultural de Marinha; Revista da Armada; Lista da Armada;

mls

sábado, novembro 26, 2016

2.º CEORN - Curso Especial de Oficiais da Reserva Naval




Listagem completa do 2.º CEORN
(clicar)



O assinalável êxito da incorporação do 1.º curso de oficiais da Reserva Naval, em 1958, abriu caminho à entrada do 2.º CEORN, em 10 de Outubro de 1959. Foi seu Patrono o rei D. João I, Mestre de Aviz.

Quase duplicando o número de cadetes, relativamente aos do ano anterior, 37 novos candidatos entraram na Escola Naval para a frequência dos cursos ministrados nas classes de Marinha (22), Engenheiros Maquinistas Navais (6), Administração (5) e Saúde Naval (4).



Em cima, o 2.º CEORN no habitual registo de família na portaria da Escola Naval
e, em baixo, a identificação de cada um dos presentes.




A Ordem do Dia à Armada n.º 123 de 23 de Junho de 1959 introduz ligeiras alterações ao funcionamento do curso, incidindo basicamente sobre o tempo de embarque mínimo nas Unidades, após a promoção a Aspirante RN.

Na Escola Naval, a Direcção e Comando continuava a ser exercida pelo Comodoro Manoel Maria Sarmento Rodrigues.

O Director de Instrução deste curso foi o 1.º Tenente Artur Manuel Coral Costa, transitando do curso anterior.

Cursando Navegação, Artilharia, Comunicações, Regulamentos, Máquinas e todas as demais disciplinas, na Escola Naval, em Vila Franca de Xira, no Hospital de Marinha e na unidades vocacionadas para cada especialidade, os 37 cadetes terminaram a sua preparação escolar com a viagem de instrução realizada entre 29 de Fevereiro e 27 de Março de 1960, nas Fragatas “Álvares Cabral” e “Pacheco Pereira”.

Sob o comando, respectivamente dos CFR Fernando Eduardo Pinto de Ornelas e Vasconcelos e José Pimenta de Almeida Beja Camões Godinho, completaram 26 dias de viagem num total de 5.500 milhas, visitando os portos de Praia da Vitória, Ponta Delgada, Praia, S. Vicente, Las Palmas e Cádiz.

Alguns acontecimentos na Marinha se recordam nesse ano de 1959. No âmbito das reformas dos serviços, é criada a Comissão Permanente de Infra-Estruturas, o Centro de Comunicações e a Direcção de Logística.

É reorganizado o Museu de Marinha com a publicação do seu Regulamento, cria-se o Arquivo Geral e a Biblioteca Central. É organizada a Escola de Limitação de Avarias e restabelecida na Corporação dos Oficiais da Armada, a classe dos Engenheiros Maquinistas Navais.

É ainda publicada a regulamentação referente ao uso de Estandarte pela Unidades e actualizado o Plano de Uniformes de Oficiais, Sargentos e Praças. Publicam-se as Normas relativas ao Cerimonial, Honras e Distintivos, no âmbito da Ordenança do Serviço Naval.

É instituída a Medalha Naval comemorativa do V Centenário da morte do Infante D. Henrique e criado o Instituto Hidrográfico.

Foi no ano de 1959 que se verificou a morte do Almirante Gago Coutinho, ocorrida no Hospital de Marinha, com a idade de 90 anos.

Ainda com os cadetes do 2.º CEORN na Escola Naval, a Ordem do Dia à Armada n.º 224 de 7-11-59 publicava por despacho ministerial n.º 108 de 31-10-59, que “é atribuído aos cadetes da Reserva Naval que se encontram na Armada a prestar serviço militar obrigatório, um subsídio de alimentação no valor de 26$00 diários, desde que esses cadetes permaneçam em regime de internato. Se os cadetes se encontrarem em condições diferentes destas, o mesmo subsídio será reduzido a 22$00 por dia”.

Pese embora o valor do subsídio, convém lembrar que a Ordem do Dia n.º 14 de 18-1-1960 indicava a “relação de preços a pagar pelos ranchos secos e outras entidades”, pelos diversos géneros.

Assim, o açúcar foi tabelado a 5$00 o Kg, o arroz a 4$50, o bacalhau a 10$80, o feijão encarnado a 5$10, o café a 24$50, e o azeite a 15$00 e o vinho a 3$30 o litro.

Em 3 de Maio de 1960, com a presença do Ministro da Marinha, CALM Fernando Quintanilha de Mendonça Dias e sendo Chefe do Estado-Maior o VALM José Augusto Guerreiro de Brito, os 37 cadetes tiveram a sua cerimónia de Juramento de Bandeira, sendo promovidos a Aspirantes RN a partir de 1 de Maio.

O Prémio Reserva Naval, “atribuído anualmente ao aluno melhor classificado no conjunto da média de frequência escolar e classificação de carácter militar, conforme Portaria n.º 17-090 de 30-3-59 foi entregue nessa cerimónia de Juramento ao cadete médico naval da Reserva Naval Diaquino Pinto da Silva.

A Ordem do Dia à Armada n.º 89 de 6-5-60 determinava os destacamentos deste grupo de Aspirantes para as diversas Unidades, com a seguinte distribuição:

Callado Cortes ( NRP S. Nicolau), Rosmaninho Martins (NRP Sal), Pereira de Morais (NRP Fogo), Vargas Moniz (NRP Maio), Matos de Oliveira (NRP S. Vicente), Costa Marques (NRP S. Tomé), Manuel Candeias (NRP Príncipe), Pinto Coelho e Abílio de Azevedo (Direcção de Administração Naval), Magalhães Crespo (Superintendência dos Serviços da Armada), Armindo de Noronha (Escola de Mecânicos), Pires Pereira (Hospital de Marinha), Pinho Costa (Inspecção de Marinha), Alves Ribeiro e Pinto da Rocha (NRP S. Maria), Inácio da Costa e Ricardo Marques (NRP Pico), Pereira Crespo e Costa Rodrigues (NRP Corvo), Manuel Bobone, Pereira Gaio e Valente de Almeida (NRP Graciosa), Quaresma de Vasconcelos (NRP Lagoa), João Lopes (NRP Rosário), Baptista Patrício (NRP S. Jorge), Diaquino Pinto da Silva, Nunes Dias e Barros Maia (NRP Diogo Gomes), Góis Figueira ( NRP Nuno Tristão), Andrade Neves (NRP Diogo Cão), Marques Antunes e Palma Mourinha ( NRP Corte Real), Durão Cid, Pedro de Bragança e Sousa Nápoles (NRP Tejo) e Osório de Castro e Cunha Lopes (NRP Vouga).

Em 3 de Maio de 1961, coincidindo com a promoção a Subtenente RN os oficiais do 2.º CEORN foram sendo licenciados, havendo alguns que prolongaram o seu tempo de serviço. De entre eles o médico Eduardo Magalhães Crespo que viria a ingressar no QP.




Galeria de Fotos:





Fontes:

Arquivo de Marinha; Anuário da Reserva Naval 1958-1975, Lisboa, 1992, dos Comandantes Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado; Dicionário de Navios, Comandante Adelino Rodrigues da Costa, 2006; Texto do autor do blogue compilado e corrigido a partir do publicado na Revista n.º 1 da AORN - Associação dos Oficiais da Reserva Naval, Julho/Setembro 1997; Fotos de Arquivo do autor do blogue.

mls