domingo, maio 27, 2018

Entrega de Condecorações à Reserva Naval no dia 11 de Fevereiro de 2000


Nota prévia do autor do blogue:

Este "post" reproduz na íntegra o artigo publicado na Revista n.º 11 da "AORN - Associação dos Oficiais da Reserva Naval" de Abril de 2000. Refere uma cerimónia simbólica, havida em 11 de Fevereiro de 2000 na Biblioteca do Estado-Maior da Armada, presidida pelo Superintendente do Serviço de Pessoal, à época o Vice-Almirante José Manuel Castanho Paes.

Agraciados com a Medalha de Mérito Militar de 3.ª Classe:

2TEN RN Luis Alberto Neves Cordeiro, 3.º CEORN, Angola, LFP «Fomalhaut»;
2TEN RN Pedro Norton dos Reis, 3.º CEORN, Angola, LFP «Pollux»;
2TEN RN Rui Horácio da Silva Pires, 3.º CEORN, Angola, LFP «Espiga»;
STEN FZ RN António Luis Marinho de Castro, 8.º CEORN, Angola, CF 1;

Agraciados com a Medalha Comemorativa das Campanhas das Forças Armadas:

2TEN RN José Martins Figueira, 4.º CEORN, Guiné, CDMGuiné;
2TEN RN Rogério Bordalo da Rocha, 8.º CEORN, Angola, LFP «Fomalhaut»;
2TEN RN José Vieira de Sá, 11.º CFORN, Angola, LFP «Fomalhaut»;
2TEN MN RN Ricardo Migães de Campos, 11.º CFORN, Moçambique, CF 4;
2TEN RN José Rasquilha de Abreu, 15.º CFORN, Angola, LFP «Fomalhaut»;
2TEN RN António Gravata Filipe, 17.º CFORN, Angola, LFP «Pollux»;
2TEN RN Francisco Cascabulho Tomé, 17.º CFORN, Moçambique, LFP «Saturno»;
2TEN RN Herculano Marques Ferreira, 18.º CFORN, Angola, LFP «Fomalhaut»;
2TEN RN Carlos Magalhâes Oliveira, 21.º CFORN, Angola, LFP «Fomalhaut»;
2TEN RN António José de Oliveira Brás, 23.º CFORN, Angola, LFP «Rigel»;




Entrega de Condecorações à Reserva Naval no dia 11 de Fevereiro de 2000




Em cima o grupo dos condecorados e, em baixo,
o Vice-Almirante José Manuel Castanho Paes proferindo a sua alocução





Na Biblioteca do Estado-Maior da Armada, presidida pelo Vice-Almirante José Manuel Castanho Paes, Superintendente do Serviço do Pessoal, teve lugar no passado dia 11 de Fevereiro, a cerimónia de entrega de condecorações a 14 Oficiais da Reserva Naval a quem as mesmas tinham sido concedidas em épocas remotas e cuja publicação em Ordens do Dia à Armada de então, oficializara.

Da relação constavam 4 Medalhas de Mérito Militar de 3ª Classe, atribuídas em 1964 aos 2º Tenentes Luís Alberto Neves Cordeiro, Pedro Norton dos Reis e Rui da Silva Pires, do 3º CEORN e, em 1968, a António Luís Marinho de Castro (8º), e 10 Medalhas das Campanhas das Forças Armadas, atribuídas em 1964 a José Martins Figueira (4º), em 1968 a Rogério Bordalo da Rocha (8º), em 1970 a José Vieira de Sá (11º) e a Ricardo Migães de Campos (11º), em 1972 a José Rasquilha de Abreu (15º), em 1974 a António Gravata Filipe (17º), Francisco Cascabulho Tomé (17º) e HerculanoMarques Ferreira (18º) e, em 1976, a Carlos Magalhães Oliveira (21º) e a António José de Oliveira Brás (23º).

Evocada pelo Vice Almirante Castanho Paes a memória de Francisco Cascabulho Tomé, entretanto falecido, foi guardado um minuto de silêncio, tendo a condecoração sido entregue a seu filho Francisco Tomé.




Entrega da condecoração a Francisco Tomé em representação de seu pai

As palavras de Alfredo Lemos Damião, pela AORN, realçaram o simbolismo da cerimónia e o significado da passagem dos RN pela Marinha, mesmo em circunstâncias difíceis, sem cuidar de recompensas. O facto de muitos dos agraciados se encontrarem na situação de licenciados quando a publicação em OA se verificou, originou o desconhecimento da concessão das respectivas medalhas.

Em nome dos condecorados, António José de Oliveira Brás, último Comandante do NRP «Rigel», uma das lanchas da classe Bellatrix em serviço em Angola, cumprindo por praxe o “direito ao mais moderno usar da palavra”, em sentido improviso agradeceu à Marinha a cerimónia e recordou a figura do Vice-Almirante Jaime Barata Botelho, Vice-CEMA, recentemente falecido, que fora o seu último Comandante em Angola e a quem o ligavam laços de muita amizade, nascida nessa época de comissão e continuada em Lisboa, ao longo de váriosanos.




António Oliveira Brás agradecendo, em nome dos condecorados

O Vice Almirante Jaime Barata Botelho, que a Marinha recorda com muita saudade, foi também para a Reserva Naval, desde sempre e mais recentemente para a AORN, quer como Director do ISNG, quer no Estado-Maior da Armada, um Amigo Grande.

Diversos oficiais de Marinha associaram-se à cerimónia, que contou ainda com familiares e amigos dos condecorados.

Na ocasião, o Vice-Almirante Castanho Paes dirigiu aos presentes as seguintes palavras: «É para mim uma grande honra e é também com muito prazer que o faço, presidir em nome do Almirante Chefe do Estado-Maior da Armada, a esta cerimónia de entrega de condecorações a ex-oficiais da nossa saudosa Reserva Naval. E digo “saudosa Reserva Naval”, não só por referência ao passado, ao considerar a reconhecida utilidade e mérito que a sua existência trouxe à Marinha, designadamente numa época em que o País passou pelas conhecidas dificuldades políticas e sociais que caracterizaram a situação nacional durante as campanhas ultramarinas e período subsequente, mas também por referência ao próprio presente.




Herculano Marques Ferreira recebendo a sua medalha

E refiro o presente, porque no exercício das minhas funções de Superintendente dos Serviços do Pessoal, não raras vezes me tem ocorrido a ideia de quão vantajoso seria para o funcionamento da Marinha de hoje fazer ressuscitar a Reserva Naval. É que no actual quadro de funcionamento de recursos e vocações escassas com que a Marinha se defronta, face ao que crescentemente lhe tem vindo a ser exigido, dispôr-se com as facilidades de então de um válido corpo de oficiais, capaz de suprir as lacunas conjunturais dos seus quadros permanentes e, oferecendo-lhe ainda as mais valias resultantes de um alargado relacionamento com potenciais dirigentes, das mais diversas actividades e sectores da vida nacional, seria sem dúvida, como o foi no passado, um benefício de valor inestimável.

Contudo, as organizações com responsabilidades públicas não podem viver de sonhos mas sim da realidade e, nesta óptica, não estou aqui para falar das dificuldades da Marinha, mas antes de mais para saldar uma dívida dela para com um conjunto dos seus servidores que lhe dedicou um período significativo das suas próprias vidas. Um período que acarretou certamente sacrifícios pessoais para muitos mas que foi, em maior ou menor medida, compensado pela vivência de uma experiência humana, social e profissional certamente enriquecedora.




Neves Cordeiro, Silva Pires, Cmdte Rui Pires dos Santos e Pedro Norton Reis

É com certeza porque não consideraram o período do serviço prestado na Marinha como tempo perdido, que os Senhores Tenentes da Reserva Naval, que dentro de momentos vão ser condecorados, decidiram aqui comparecer. Por outro lado, gostaria de lembrar que, para além de nesta cerimónia me ter cabido a honra de representar o Almirante Chefe do Estado-Maior da Armada, me sinto também de certa forma como representante dos comandantes, directores ou chefes que, por razões que seria agora despropositado tentar justificar, vos não puderam impôr pessoal e oportunamente, as condecorações que merecidamente lhes foram concedidas. Porém, como mais vale tarde que nunca, bem hajam pelo vosso empenho em querer receber estas simbólicas recordações de um passado que de todo não quiseram esquecer.

Por fim, aproveito a oportunidade para pessoalmente felicitar a AORN por esta feliz iniciativa, a qual se insere no conjunto de acertados rumos que tem vindo a prosseguir na viagem que se propôs realizar. Bons ventos continuem a acompanhá-la, são os meus sinceros votos.Não queria terminar sem uma referência muito especial ao nosso camarada Dr. Francisco Cascabulho Tomé que, por fatalidade do destino já não pode estar aqui connosco senão em pensamento. A sua manifesta vontade de comparecer nesta cerimónia, apesar de já gravemente doente, não pode deixar de nos comover, pelo que revela em termos da sua estatura moral, mesmo para aqueles que, como eu, não tiveram a oportunidade de o conhecer.

À sua família, que teve a coragem de partilhar este momento connosco, apresento as sentidas condolências do Almirante Chefe do Estado Maior da Armada e as minhas condolências pessoais, pedindo a todos os presentes o favor de me acompanharem num minuto de silêncio em sua honrada memória.»




Comentários finais do autor do blogue:

Entre 1958 e 1975 tiveram lugar na Escola Naval 25 cursos de Oficiais da Reserva Naval, num total de 1.712 oficiais daquele Quadro de Complemento, distribuídos pelas várias classes de oficiais até então criadas.

No decorrer daquele período, especialmente depois de ter eclodido a Guerra do Ultramar, foram destacados para missões de serviço nos vários teatros de conflito entre LFG – Lanchas de Fiscalização Grandes, LDG – Lanchas de Desembarque Grandes, LFP – Lanchas de Fiscalização Pequenas, DFE – Destacamentos de Fuzileiros Especiais, CF – Companhias de Fuzileiros e Unidades e Serviços em terra:

Guiné: 254 oficiais;
Angola: 264 oficiais;
Moçambique: 217 oficiais;
Cabo Verde: 35 oficiais;
Macau: 1 oficial;
Timor: 2 oficiais;

A este total de 773 oficiais haverá ainda que adicionar as comissões efectuadas em unidades navais de maior porte, tais como navios-patrulhas, navios hidrográficos, fragatas, corvetas, destroyers, etc., de que não será muito fácil efectuar pesquisa ou controlo rigoroso e exaustivo. De forma proximada, quase um milhar de oficiais da Reserva Naval terão efectuado comissões de serviço no período da Guerra do Ultramar em Angola, Moçambique, Guiné, Cabo Verde, Macau e também Timor.

Naquela cerimónia, organizada pela AORN sob proposta do seu Secretário-Geral de então, José Augusto Paes Pires de Lima do 4.º CEORN, ele próprio tendo desempenhado as funções de comandante da LFP «Fomalhaut», qual o critério de selecção e escolha que permitiu concluir ser aquele conjunto representativo de quase um milhar de oficiais da Reserva Naval que, com toda a justiça, teriam direito a serem condecorados da mesma forma que 10 dos 14 galardoados com a Medalha Comemorativa das Campanhas das Forças Armadas?

Considerando indiscutível o elevado espírito que presidiu à organização da cerimónia ainda que reduzido a um mero simbolismo institucional - na impossibilidade de estarem presentes todos os oficiais com direito a condecoração por legislação própria - como se explica uma selecção em que, dos 14 oficiais da Reserva Naval presentes, 11 tenham desempenhado missões como Comandantes de LFP – Lanchas de Fiscalização Pequenas? Mais estreito ainda na selecção parece ser o critério de que, dos 11 oficiais acima referidos, 6 deles terem sido comandantes da LFP «Fomalhaut».

Não teria sido possível uma amostragem mais representativa e alargada entre quase um milhar de Oficiais da Reserva Naval distribuídos pelas diferentes classes e tendo desempenhado funções noutras unidades navais ou ainda em unidades e serviços em terra, seleccionados dos vários teatros em que decorreu a Guerra do Ultramar?

Como alguns que ali estiveram presentes ou representados por familiares, muitos outros já não se encontravam entre nós, impedidos pelo destino último de poderem partilhar aquele momento de elevação com a Instituição e Camaradas, o que também lhes ficou devido.




Fontes:
Texto e fotos de arquivo do autor do blogue, ao tempo já publicadas na Revista n.º 11 da AORN - Associação dos Oficiais da Reserva Naval, Abril 2000, em artigo redigido por José Pires de Lima, 4.º CEORN, Secretário-Geral da AORN e também ele, antigo comandante da LFP «Fomalhaut»; Anuário da Reserva Naval, Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado, Lisboa, 1992; Setenta e Cinco Anos no Mar, Lanchas de Fiscalização Pequenas - LFP, 16º VOL, Comissão Cultural de Marinha, 2005;


mls

segunda-feira, maio 21, 2018

Moçambique, LFP «Urano» - P 1137


Os Oficiais da Reserva Naval na LFP «Urano» - P 1137

(Post actualizado a partir de outro já publicado em 7 de Dezembro de 2016)




Dupla epopeia do transporte por terra da LFP «Urano» com a LFP «Saturno»


A LFP - Lancha de Fiscalização Pequena «Urano» foi construída nos Estaleiros Navais do Mondego e aumentada ao efectivo dos navios da Armada no dia 12 de Agosto de 1965.

Características, máquinas propulsoras, equipamento, armamento e lotação de acordo com o seguinte quadro e idênticas às da LFP «Júpiter»:




Depois de um período alargado de adestramento, exercícios e provas diversas, desempenhou diversas missões de apoio ao serviço de hidrografia e fiscalização da pesca durante todo o ano de 1966.

Em 9 de Junho de 1967 embarcou no NM «Beira», juntamente com a LFP «Saturno» com destino a Moçambique, tendo sido desembarcadas e postas a flutuar, junto da Ilha de Moçambique, em 14 de Julho, com o objectivo de seguirem para o Lago Niassa por via terrestre.

Atribuídas ao Comando Naval de Moçambique em 14 de Julho, ambas as lanchas foram integradas numa operação denominada de "Roaz", tendo sido aladas nos respectivos berços no Lumbo, colocadas em plataformas dos Caminhos de Ferro de Moçambique, seguindo por via ferroviária até ao Catur onde chegaram a 4 de Agosto. A viagem prosseguiu depois para Meponda por via rodoviária onde chegaram a 10 de Agosto.




Outra imagem do mesmo transporte da LFP «Urano»

Depois de algumas montagens e reabastecimentos deixaram Meponda, chegando a Metangula no mesmo dia. Passaram a estar integradas na Esquadrilhas de Lanchas do Lago Niassa com missões de fiscalização e patrulha, quer do canal Likoma - Chigoma, quer das águas entre Metangula e as fronteiras norte e sul do Lago.

Prestaram apoio a operações com os DFE e transporte de FTs, efectuando reabastecimentos e transporte de pessoal e material entre os vários pontos do Lago Niassa, com Base Naval em Metangula.

Durante quase 8 anos, a partir da Base Naval de Metangula, o navio desempenhou as mais diversas missões operacionais nas águas portuguesas do Lago Niassa.

Foi abatida ao efectivo dos navios da Armada no dia 31 de Março de 1975.




Ainda uma terceira imagem do mesmo transporte da LFP «Urano»


Comandaram a LFP «Urano» os seguintes oficiais:

Reserva Naval:

2TEN RN Fernando Augusto Pacheco da Costa, 7.º CEORN, 12Ago65/02Jul66;
2TEN RN João da Silva Boavida Canada, 7.º CEORN, 06Jul66/28Abr67;
2TEN RN Rogério Vieira de Sá, 9.º CFORN, 28Abr67/11Mai69;
2TEN RN António Carlos da Silva Carneiro, 17.º CFORN, 16Jun71/21Mai73;
2TEN RN José Manuel Proença Cameira, 20.º CFORN, 21Mai73/31Mar75;

Comandou a LFP «Urano» o seguinte oficial do QP:

2TEN José Maria da Silva Horta, 11Mai69/16Jun71;

Navios da mesma classe: LFP «Júpiter», LFP «Vénus», LFP «Marte», LFP «Mercúrio» e LFP «Saturno».


Fontes:
Dicionário de Navios & Relação de Efemérides, Adelino Rodrigues da Costa, Edições Culturais da Marinha, 2006; Anuário da Reserva Naval 1958-1975, Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado, Lisboa, 1992; Setenta e Cinco Anos no Mar, Lanchas de Fiscalização Pequenas - LFP, 16º VOL, Comissão Cultural de Marinha, 2005; Texto e fotos de arquivo compilados pelo autor do blogue; cedência de imagens de Manuel Alves da Silva, CF 2 - Moçambique, 1962/65, em http://companhia2fz.blogspot.com/


mls

sexta-feira, maio 18, 2018

Moçambique, LFP «Saturno» - P 1136


Os Oficiais da Reserva Naval na LFP «Saturno» - P 1136

(Post actualizado a partir de outro já publicado em 7 de Dezembro de 2016)




A verdadeira epopeia do transporte por terra da LFP "Saturno"


A LFP - Lancha de Fiscalização Pequena «Saturno» foi construída nos Estaleiros Navais do Mondego e aumentada ao efectivo dos navios da Armada no dia 29 de Junho de 1965.

Características, máquinas propulsoras, equipamento, armamento e lotação de acordo com o seguinte quadro e idênticas às da LFP «Júpiter»:




Depois de um período alargado de adestramento, exercícios e provas diversas, desempenhou diversas missões de apoio ao serviço de hidrografia durante todo o ano de 1966.

Em 9 de Junho de 1967 embarcou no NM «Beira», juntamente com a LFP «Urano» com destino a Moçambique, tendo sido desembarcadas e postas a flutuar, junto da Ilha de Moçambique, em 14 de Julho, com o objectivo de seguirem para o Lago Niassa por via terrestre.

Atribuídas ao Comando Naval de Moçambique em 14 de Julho, ambas as lanchas foram integradas numa operação denominada de "Roaz", tendo sido aladas nos respectivos berços no Lumbo, colocadas em plataformas dos Caminhos de Ferro de Moçambique, seguindo por via ferroviária até ao Catur onde chegaram a 4 de Agosto. A viagem prosseguiu depois para Meponda por via rodoviária onde chegaram a 10 de Agosto.




Outra imagem do mesmo transporte da LFP «Saturno»

Depois de algumas montagens e reabastecimentos deixaram Meponda, chegando a Metangula no mesmo dia. Passaram a estar integradas na Esquadrilhas de Lanchas do Lago Niassa com missões de fiscalização e patrulha, quer do canal Likoma - Chigoma, quer das águas entre Metangula e as fronteiras norte e sul do Lago.

Prestaram apoio a operações com os DFE e transporte de FTs, efectuando reabastecimentos e transporte de pessoal e material entre os vários pontos do Lago Niassa, com Base Naval em Metangula.

Durante quase 8 anos, a partir da Base Naval de Metangula, o navio desempenhou as mais diversas missões operacionais nas águas portuguesas do Lago Niassa.

Foi abatida ao efectivo dos navios da Armada no dia 31 de Março de 1975.

Comandaram a LFP «Saturno» os seguintes oficiais:

Reserva Naval:

2TEN RN Francisco Parente Mendes Godinho, 7.º CEORN, 29Jul65/14Nov66;
2TEN RN António Roque de Andrade Afonso, 9.º CFORN, 02Jun67/04Jun69;
2TEN RN José Luis Correia Belo, 13.º CFORN, 04Jun69/17Mai71;
2TEN RN Francisco Cascabulho Tomé, 17.º CFORN, 17Mai71/15Mai73;
2TEN RN Joaquim José Tição Teixeira Sampaio, 20.º CFORN,15Mai73/14Out74;
2TEN RN Manuel Joaquim Couto Alves dos Reis, 21.º CFORN,14Out74/31Mar75;

Quadros Permanentes:

1TEN João Geraldes Freire, 14Nov66/03Dez66;
1TEN António Maria de Sá Alves Sameiro, 03Dez66/02Jun67;

Navios da mesma classe: LFP «Júpiter», LFP «Vénus», LFP «Marte», LFP «Mercúrio» e LFP «Urano».


Fontes:
Dicionário de Navios & Relação de Efemérides, Adelino Rodrigues da Costa, Edições Culturais da Marinha, 2006; Anuário da Reserva Naval 1958-1975, Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado, Lisboa, 1992; Setenta e Cinco Anos no Mar, Lanchas de Fiscalização Pequenas - LFP, 16º VOL, Comissão Cultural de Marinha, 2005; Texto e fotos de arquivo compilados pelo autor do blogue; cedência de imagens de Manuel Alves da Silva, CF 2 - Moçambique, 1962/65, em http://companhia2fz.blogspot.com/


mls

quarta-feira, maio 16, 2018

Moçambique, LFP «Mercúrio» - P 1135


Os Oficiais da Reserva Naval na LFP «Mercúrio» - P 1135




A LFP "Mercúrio" a navegar


A LFP - Lancha de Fiscalização Pequena «Mercúrio» foi construída nos Estaleiros Navais do Mondego e aumentada ao efectivo dos navios da Armada no dia 18 de Junho de 1965.

Características, máquinas propulsoras, equipamento, armamento e lotação de acordo com o seguinte quadro:




Foi transportada para Moçambique juntamente com a LFP «Marte» a bordo do NM «Beira». Ambas foram desembarcadas e postas a flutuar junta Ilha de Moçambique em 4 de Setembro de 1965, tendo os respectivos berços sido desembarcados em Nacala, de onde foram transportados via terrestre para o Lumbo, o terminal ferroviário mais próximo.

Na noite de 17 para 18 de Setembro de 1965, no Lumbo, foi feita a primeira tentativa de encalhe dos navios nos respectivos berços que não teve êxito. Os navios voltaram ao mar e a entidade responsável pela operação - Caminhos de Ferro de Moçambique - desistiu do trabalho. De Lisboa vieram então ordens para que o Comando Naval de Moçambique assumisse a plena responsabilidade pela operação.

Em nova tentativa, de 11 para 12 de Outubro de 1965, a LFP «Mercúrio» "adormeceu" com êxito no respectivo berço e, 16 dias depois, também a LFP «Marte» foi colocada no seu berço. Acompanhadas pelos respectivos comandantes, os dois navios seguiram por via férrea, por Nampula até Catur e depois, por estrada, por Vila Cabral até Meponda, nas margens do Lago Niassa.

Após mais de 700 quilómetros de percurso a operação terminara com sucesso no dia 19 de Dezembro de 1965. Foram atribuídas ao Comando da Esquadrilha de Lanchas do Lago Niassa.

Durante mais de 9 anos, a partir da Base Naval de Metangula, o navio desempenhou as mais diversas missões operacionais nas águas portuguesas do Lago Niassa.

Foi abatida ao efectivo dos navios da Armada no dia 31 de Março de 1975.

Comandaram a LFP «Mercúrio» os seguintes oficiais:

Quadros Permanentes:

2TEN José Deolindo Torres Sobral, 28Jul65/05Mai67;

Reserva Naval:

2TEN RN Manuel Alexandre de Sousa Pinto Agrelos, 9.º CEORN, 05Mai67/01Ago68;
2TEN RN João Carlos de Castro Fonseca, 9.º CFORN, 05Mai67/04Jun69;
2TEN RN Manuel Agostinho de Castro Freire de Menezes, 11.º CFORN, 01Ago68/06Mai70;
2TEN RN Jorge Manuel Canossa da Silva, 15.º CFORN, 06Mai70/16Mai72;
2TEN RN Luis Alexandre Lynce de Faria, 18.º CFORN, 16Mai72/16Out73;
2TEN RN Carlos Eduardo Campos Valgode, 21.º CFORN, 16Out73/31Mar75;

Navios da mesma classe: LFP «Júpiter», LFP «Vénus», LFP «"Marte», LFP «"Urano» e LFP «"Saturno".


Fontes:
Dicionário de Navios & Relação de Efemérides, Adelino Rodrigues da Costa, Edições Culturais da Marinha, 2006; Anuário da Reserva Naval 1958-1975, Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado, Lisboa, 1992; Setenta e Cinco Anos no Mar, Lanchas de Fiscalização Pequenas - LFP, 16º VOL, Comissão Cultural de Marinha, 2005; Texto e fotos de arquivo compilados pelo autor do blogue;


mls

sábado, maio 12, 2018

Moçambique, LFP «Marte» - P 1134


Os Oficiais da Reserva Naval na LFP «Marte» - P 1134




A LFP "Marte" a navegar


A LFP - Lancha de Fiscalização Pequena «Marte» foi construída nos Estaleiros Navais do Mondego e aumentada ao efectivo dos navios da Armada no dia 18 de Junho de 1965.

Características, máquinas propulsoras, equipamento, armamento e lotação de acordo com o seguinte quadro:




Foi transportada para Moçambique juntamente com a LFP «Mercúrio» a bordo do NM «Beira». Ambas foram desembarcadas e postas a flutuar junta Ilha de Moçambique em 4 de Setembro de 1965, tendo os respectivos berços sido desembarcados em Ncala, de onde foram transportados via terrestre para o Lumbo, o terminal ferroviário mais próximo.

Na noite de 17 para 18 de Setembro de 1965, no Lumbo, foi feita a primeira tentativa de encalhe dos navios nos respectivos berços que não teve êxito. Os navios voltaram ao mar e a entidade responsável pela operação - Caminhos de Ferro de Moçambique - desistiu do trabalho. De Lisboa vieram então ordens para que o Comando Naval de Moçambique assumisse a plena responsabilidade pela operação.

Em nova tentativa, de 11 para 12 de Outubro de 1965, a LFP «Mercúrio» "adormeceu" com êxito no respectivo berço e, 16 dias depois, também a LFP «Marte» foi colocada no seu berço. Acompanhadas pelos respectivos comandantes, os dois navios seguiram por via férrea, por Nampula até Catur e depois, por estrada, por Vila Cabral até Meponda, nas margens do Lago Niassa.

Após mais de 700 quilómetros de percurso a operação terminara com sucesso no dia 19 de Dezembro de 1965. Foram atribuídas ao Comando da Esquadrilha de Lanchas do Lago Niassa.

Durante mais de 9 anos, a partir da Base Naval de Metangula, o navio desempenhou as mais diversas missões operacionais nas águas portuguesas do Lago Niassa.

Foi abatida ao efectivo dos navios da Armada no dia 31 de Março de 1975.

Comandaram a LFP «Marte» os seguintes oficiais:

Reserva Naval:

2TEN RN Manuel Mendes de Almeida Abecassis, 7.º CEORN, 08Jun65/05Mai67;
2TEN RN João Carlos de Castro Fonseca, 9.º CFORN, 05Mai67/04Jun69;
2TEN RN João Luis da Silva e Noronha Falcão, 13.º CFORN, 04Jun69/23Mai70;
2TEN RN José Luis Tocha Antunes dos Santos, 12.º CFORN, 23Mai70/26Out70;
2TEN RN Carlos Pedro Amorim Marques da Silva, 16.º CFORN, 26Out/16Jun71;
2TEN RN Joaquim João Ferreira Barrocas Dórdio, 17.º CFORN, 16Jun71/25Mai73;
2TEN RN Décio Mário Baganha Fernandes,20.º CFORN, 25Mai73/31Mar75;

Navios da mesma classe: LFP «Júpiter», LFP «Vénus», LFP «"Mercúrio», LFP «"Urano» e LFP «"Saturno".


Fontes:
Dicionário de Navios & Relação de Efemérides, Adelino Rodrigues da Costa, Edições Culturais da Marinha, 2006; Anuário da Reserva Naval 1958-1975, Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado, Lisboa, 1992; Setenta e Cinco Anos no Mar, Lanchas de Fiscalização Pequenas - LFP, 16º VOL, Comissão Cultural de Marinha, 2005; Texto e fotos de arquivo compilados pelo autor do blogue;


mls

quinta-feira, maio 10, 2018

Moçambique, LFP «Antares» - P 360


Os Oficiais da Reserva Naval na LFP «Antares» - P 360




A LFP "Antares" a navegar ao largo de Porto Amélia (Nova Pemba)


A LFP (Lanchas de Fiscalização Pequena) «Antares» foi construída nos estaleiros James Taylor Shipbuilders, Ltd., em Shoreham-Sussex, na Inglaterra e, o seu casco em fibra de vidro, construído em Portsmouth pela firma Halmatic, Ltd. Logo que pronto, o navio seguiu da Inglaterra para a Índia a bordo do navio mercante Hunze, tendo chegado ao porto de Mormugão em Agosto de 1959.

Aumentado ao efectivo dos navios da Armada em 29 de Setembro do mesmo ano, efectuou missões de fiscalização em Goa com um largo período de permanência em Damão, de Outubro de 1960 a Março de 1961.

Características, máquinas propulsoras, equipamento, armamento e lotação de acordo com o seguinte quadro:



Encontrava-se de novo em Damão quando, em 18 de Dezembro de 1961, ocorreu a invasão do Estado da Índia pela União Indiana, dia em que se perderam as lanchas «Sirius» e «Vega» respectivamente em Goa e Diu, sem quaisquer possibilidades de participar na defesa dos ataques aéreos.

Consumada a ocupação indiana de Damão de pois de “36 horas de árduos combates” em terra como o atesta um obelisco colocado pelas Forças Armadas Indianas em Damão Pequeno, o comandante do navio, então o 2TEN Fausto Morais de Brito e Abreu, decidiu navegar para o porto neutro de Karachi numa viagem feita com tempo desfavorável e no limite das possibilidades náuticas do navio, iludindo a vigilância aero-naval indiana durante dois dias, evitando que navio e guarnição fossem capturados.

Permaneceu durante alguns meses atracado naquele porto, sendo embarcado em 9 de Maio de 1962 com destino a Lisboa a bordo do N/M Pátria, onde chegou no dia 26 do mesmo mês. A partir daquela data e até ao final de Setembro, esteve em reparações no Arsenal do Alfeite, devido a danos sofridos na amura pela deficiente colocação da lancha no berço, aquando do embarque em Karachi.

No princípio de Outubro, concluídos os fabricos, foi embarcado no N/M Rovuma com destino a Porto Amélia e atribuído com carácter permanente àquele Comando de Defesa Marítima em Moçambique a partir de Novembro.




Em cima Porto Amélia (Nova Pemba) e e, em baixo, 1967, Dia da Marinha, a LFP «Antares»
atracada de braço dado com a LFG «Dragâo» em Porto Amélia




Passou a efectuar missões de fiscalização nas águas interiores, entre aquela base e a foz do rio Rovuma, com especial incidência nas ilhas do arquipélago das Quirimbas, escalando frequentemente os pequenos portos do Ibo, Mocimboa da Praia, Palma e Quionga.

Durante mais de uma dezena de anos constituiu uma presença permanente da Marinha, por vezes única, nas águas do norte de Moçambique, prestando diversificados apoios às autoridades e populações, sobretudo em áreas mais isoladas pela guerra.




A LFP «Antares» a navegar ao largo de Porto Amélia

Comandaram a LFP «Antares» os seguintes oficiais:

Quadros Permanentes:

2TEN Carlos Pereira Simões, 22Set59/29Set60;
2TEN Fausto Morais de Brito e Abreu, 29Set60/27Nov62;
2TEN João José Godinho Leite Novais, 27Nov62/22Jul65;
2TEN José Alexandre Duarte Reis, 22Jul65/3Jun67;
2TEN Adelino Braz Rodrigues da Costa, 23Jun67/16Jul68;
2TEN Zenóbio José Roque Cavaco, 16Jul68/06Jul70;

Reserva Naval:

2TEN RN José da Conceição Rego de Melo e Castro, 15º CFORN, 06Jul70/24Mai72;
2TEN RN João Manuel Esteves, 18º CFORN, 24Mai72/09Ago73;
2TEN RN Carlos Manuel Pereira da Silva, 21º CFORN, 09Ago73/31Mar75;




Porto Amélia - A LFP «Antares» em trabalhos de conservação e manutenção (fabricos)

Em 31 de Março de 1975. em Porto Amélia, foi abatida ao efectivo dos navios da Armada.

Segundo as edições da Jane’s Fghting Ships posteriores a 1976, ainda terá navegado com a bandeira da República de Moçambique durante alguns anos.

A LFP «Antares» foi a primeira da classe a que pertenceram também as LFP «Sirius», «Vega» e «Régulus».


Fontes:
Dicionário de Navios & Relação de Efemérides, Adelino Rodrigues da Costa, Edições Culturais da Marinha, 2006; Anuário da Reserva Naval 1958-1975, Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado, Lisboa, 1992; Setenta e Cinco Anos no Mar, Lanchas de Fiscalização Pequenas - LFP, 16º VOL, Comissão Cultural de Marinha, 2005; Texto e fotos de arquivo compilados pelo autor do blogue - Fotos do Arquivo de Marinha e Revista da Armada n.º 255;


mls

domingo, maio 06, 2018

Guiné, Canchungo - Memória de João de Teixeira Pinto


(Post reformulado a partir de outro já publicado em 27 de Março de 2011)

Memória de João de Teixeira Pinto




João Teixeira Pinto
(1876-1917)



Nascido em Moçâmedes, Angola, a 22 de Março de 1876 era filho e neto de oficiais que, em África, se haviam já distinguido pela sua valentia, sendo o seu pai, do mesmo nome, João Teixeira Pinto, ali conhecido pelos indígenas pelo sobrenome de Kurica (leão), que igualmente veio a ser aplicado ao filho.

A sua larga e honrosa folha de serviços pantenteia as altas qualidades do homem de armas e do organizador colonial. Depois de completados os seus estudos no Continente e promovido a alferes para o Regimento de Infantaria nº 5, em 1899, foi deslocado em comissão para Angola, no posto imediato, na 2ª Companhia Mista de Artilharia de Montanha e Infantaria. Terminada a comissão de serviço regressou ao Ministério da Guerra, sendo colocado em Infantaria nº 7.

De novo colocado em Angola, desembarca em Luanda em 1 de Janeiro de 1905, assumindo o cargo de secretário do Governo de Moçâmedes, sendo depois transferido, a seu pedido, para o Batalhão Disciplinar, de onde transita, em 6 de Setembro para o comando militar de Dongoena onde se distingui pela sua bravura em combate. Regressado ao Continente no final desta comissão, em 29 de Janeiro de 1907, foi colocado no Batalhão de Caçadores nº 4.




Guiné (1961) - A Vila de Teixeira Pinto com acesso pelo rio Mansoa

Com nova comissão atribuída em Angola, a ela regressa em 1 de Junho, indo integrar a 16ª Companhia Indígena de Infantaria. Foi depois nomeado, sucessivamente, chefe do Concelho de Humbe, comandante interino da 18ª Companhia Indígena (Março de 1908) e, de novo, voltou a administrar a Circunscrição de Humbe e ainda a capitania-mor dos Luchazes, de onde regressou a Portugal, por parecer da Junta de Saúde, sempre com serviços distintos pelos quais foi louvado.

Promovido a capitão em 5 de Agosto de 1909, volta a ser colocado em Angola em 7 de Setembro, sendo colocado na 10ª Companhia Indígena de Infantaria, transitando para o cargo de Administrador do Bailundo em 2 de Janeiro de 1910 e, depois, para o corpo da Polícia de Luanda, em 22 de Março. Depois de também ter desempenhado o cargo de administrador do concelho, desistiu da comissão militar e regressou a Portugal onde ainda passou pelos Regimentos de Ingantaria, 21, 15 e 11.

Em 14 Setembro de 1912 rumou para a Guiné onde desembarcou em Bolama em 23 de Dezembro, nomeado, para o cargo de chefe do Estado-Maior da Província. Nessa altura, a administração desta colónia encontrava-se totalmente negligenciada e alvo da cobiça e ambições de outras potências coloniais.




Guiné (anos '60) - A Praça Teixeira Pinto vendo-se, ao fundo da avenida, a Praça do Governador



Teixeira Pinto resolve por cobro a tão desprimorosa situação, após cuidado estudo das condições precárias em que a colónia se encontrava, para tal fim lançando mão dos exíguos elementos locais, únicos de que podia dispor. «Um grande chefe e um punhado de oficiais portugueses que dificilmente passarão de uma dúzia – e os auxiliares indígenas, fanatizados de glória e de adoração pelo chefe, que neles incutiu confiança, que os preparou para a acção necessária e os levou sempre à vitória. Eis tudo. E bastou para uma das mais rápidas e eficazes ocupações militares nas colónias e para a integral pacificação da Guiné».

Desde o início de 1913 e até meados do ano seguinte sucederam-se inúmeras operações e combates por todo o território e, em 2 de Julho de 1914 Teixeira Pinto embarcou para Bolama, deixando definitivamente pacificada toda a região acabada de ocupar, tendo submetido os manjacos e balantas.

Aproveita para vir à Metrópole retemperar a saúde e as forças e para remover a oposição dos que se manifestavam contra a ocupação da ilha de Bissau. Por portaria de 13 de Maio de 1915, foi mandada organizar a coluna de operações contra os papéis e os grumetes de Bissau, que haveria de ultimar a ocupação e a pacificação da Guiné.

Chefiada por Teixeira Pinto, esta coluna trava duros combates em Bissau; durante a marcha para Safim, em Junho de 1915, foi gravamente ferido, mas manteve-se imperturbável à testa da coluna até se ver forçado a confiar o comando a outro oficial (tenente Sousa Guerra) e a recolher a Bissau. Mas a 1 de Julho, e ainda mal restabelecido, reassume o comando das operações da coluna até chegar triunfante a Bissau.

Quando a gloriosa coluna foi dissolvida, a ocupação da Guiné, firmada nos postos de Bór, Safim, Bejemita e Biombo, podia considerar-se completa. Chamado à Metrópole, ao Ministério das Colónias, foi dispensado das condições exigidas para a promoção a major, em consideração dos serviços prestados na ocupação da Guiné, sendo colocado em Infantaria nº 16. Promovido em 10 de Março de 1916, embarcou desta feita para a província de Moçambique para fazer parte das Companhias Indígenas Expedicionárias àquela província, para sua defesa contra os alemães.

Em 25 de Novembro de 1917, após inúmeros combates na tentativa de rechaçar o invasor, os alemães deram início à invasão da província de Moçambique, destroçando um destacamento das nossas forças em Negomano, em cuja defesa o seu heróico comandante, major João Teixeira Pinto, encontrou a morte.
Assim terminou a brilhante e meritória carreira do bravo oficial, toda nobremente dedicada ao serviço da Pátria que lhe conferiu numerosos louvores , destacando honrosamente a sua valentia, heroísmo e espírito de sacrifício.






Um exemplar da nota de 50 escudos (pesos) emitida pelo Banco Nacional Ultramarino, em 1964,
com a efigie de Teixeira Pinto






Após o final da guerra, a República da Guiné-Bissau sofreu das normais vicissitudes resultantes da alteração de regimes políticos por via dos conflitos armados, e foram vários, com adaptação da sociedade civil a transformações sociais profundas, marcadas pela necessidade de eliminar quaisquer vestígios físicos, históricos ou arquitectónicos, nascidos durante a vigência ou pela mão de outro regime anterior considerado hostil.

Lá, também como cá, ou em qualquer outro local de convulsões sociais, a memória histórica não é susceptível de ser apagada por mera vontade de momento, mesmo que compreensivelmente alicerçada em recentes feridas de guerra, abertas de ambos os lados e ainda por sarar.

Sobreviveram pessoas, relatos, documentação e registos que darão, em devido tempo, lugar a pesquisa e investigação, cabendo a sociólogos e historiadores a construção de uma História dinâmica, sem hermetismos autocráticos





Cacheu - Em 2008 e 2007, o Monumento a Teixeira Pinto, desmantelado, dentro do forte e na área exterior que o circunda



Fontes:
Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira – Volume XXXI – Agosto 1978; fotos e Bilhetes Postais, Colecção «Guiné Portuguesa - Foto-Serra, Bissau, cedidas pelo Dr. Carlos Silva (ex-Furriel Mil, CCaç 2548); Carta da Província da Guiné (pormenor), Ministério do Ultramar, 1961;


mls

segunda-feira, abril 30, 2018

23.º CFORN - Curso de Formação de Oficiais da Reserva Naval, Ago1973


(Post reformulado a partir de outro já publicado em 14 de Novembro de 2010)



Listagem completa do 23.º CFORN.


Foi o segundo curso realizado no ano de 1973 que, a exemplo de anos anteriores, foi assinalado pela incorporação de dois cursos de formação de oficiais da Reserva Naval.

Na foto abaixo, legendada, figura a classe de Fuzileiros do 23º CFORN em que os cadetes fardados com o uniforme 3B foram aprovados como fuzileiros navais (FZ) e os uniformizados de camuflado como fuzileiros especiais (FZE).





Da esquerda para a direita, fila de trás, em cima:
João Almeida Encima, Fernandes*, João Cortez Pinto, Fernando Gomes dos Santos, Mário Moreira Costa, António Gomes Miguel, Joaquim Lourenço Gonçalves, Benjamim de Jesus Correia, António Areias de Carvalho e Elísio Amaral Neves.

3ª fila:
António Ferreira Leite, Henrique Barros Geraldes, José da Conceição Gois e Armindo Gonçalves Costa.

2ª fila:
Henrique Ulrich Anjos, José Bustorff Silva, José Pereira Simões, 1TEN EMQ David e Silva (QP’s), 1TEN EMQ Pedereira Carneiro (QP’s), 1TEN M Vargas de Matos (QP’s), José Mota Rodrigues, José Lopes Pires (sentados) e José Pires Marinho (de pé).

1ª Fila, à frente:
Jorge Lopes Gonçalves, João Nunes Peres, Armando Canto e Silva, Manuel Vaz Martins e José Pereira de Sousa (de pernas cruzadas).


* Este cadete Fernandes, por decisão final do Conselho Escolar foi reprovado, sendo alistado posteriormente como grumete.


O despacho Ministerial n.º 63 de 23 de Maio de 1972, relativo aos Cursos e Instruções para Oficiais, Cadetes, Sargentos e Praças para o Ano Escolar de 1972/73, estabelecia as bases de recrutamento para os 22.º e 23.º CFORN’s prevendo a incorporação de 181 cadetes.

Entretanto, fora modificado o regime de promoções dos Aspirantes RN designados para prestar serviço nas províncias ultramarinas em comissões de duração superior a um ano. Até então, os Aspirantes eram promovidos a Sub-tenente na data de embarque para o ultramar mas, a partir do 22.º CFORN essa promoção foi substituída pela graduação.




Em cima, António José de Oliveira Brás - LFP «Rigel», António Borges Santos Silva - LFP «Altair»
e Emídio Rafael Moreira Veloso - LFP «Pollux»;
Em baixo, Eurico Teixeira Ladeira - LF «Dom Jeremias» e José Manuel Nogueira Soares - LFP «Espiga»




O 23.º CFORN foi alistado em 30 de Agosto de 1973 e concluiu-se a 27 de Março de 1974. Foram incorporados 81 cadetes assim distribuídos pelas várias classes: 27 cadetes na classe de Marinha, 6 cadetes na classe de Engenheiros Maquinistas Navais, 24 cadetes na classe de Administração Naval e 24 cadetes na classe de Fuzileiros.

Comandava a Escola Naval o Contra-Almirante José Augusto Barahona Fernandes e foi Director de Instrução o Capitão de Mar-e-Guerra Eugénio Eduardo da Silva Gameiro.




O Contra-Almirante José Augusto Barahona Fernandes, Comandante da Escola Naval e
o Capitão de Mar-e-Guerra Eugénio Eduardo da Silva Gameiro, Director de Instrução


No final do período de instrução, o Prémio “Reserva Naval” foi entregue ao cadete da classe de Marinha, Miguel Eduardo de Sampaio e Spohr. Este prémio destinava-se a galardoar o aluno com classificação mais elevada no conjunto da frequência escolar e da apreciação de carácter militar.




O cadete RN Miguel Eduardo de Sampaio e Spohr, Prémio Reserva Naval.

Durante o ano de 1973 manteve-se o plano de modernização da Marinha, ainda que se tenha mantido, de forma quase inalterada, o dispositivo de navios da Armada. Foram aumentados ao efectivo os navios-patrulha «Limpopo» e «Save» e, já em 1974, vieram ainda reforçar aquele efectivo as LF «Açor», LF «Andorinha» e LF «Albatroz».

No decorrer do mesmo ano de 1973, foram abatidos ao efectivo a fragata «Vasco da Gama», draga-minas «Pico» e corveta «Cacheu». Já em 1974, com a retracção do dispositivo naval, também como consequência do final da Guerra do Ultramar, seguiram idêntico destino os draga-minas «Corvo», «Angra do Heroísmo», «S.Jorge», «Graciosa», «Ponta Delgada» e «S. Pedro», a LDG «Montante», as LFP «Bellatrix» e LFP «Regulus», o submersível «Narval», o navio-patrulha «Porto Santo» e as LFG «Sagitário» e LFP «Cassiopeia».




A Corveta «Cacheu»

Muitos oficiais da Reserva Naval desempenharam missões e viriam ainda a fazê-lo neste tipo de navios, quer nos entretanto abatidos quer nos aumentados ao efectivo, todos eles tendo representando um papel relevante na História da Reserva Naval.

Em Julho, pela primeira vez no historial da Reserva Naval, o STEN RN João António Martins Ribeiro de Carvalho foi designado para prestar serviço no Comando da Defesa Marítima de Timor.

Ainda se manteve a mobilização de parte dos elementos deste curso como Comandantes, Oficiais Imediatos de navios e Oficiais de Guarnição. No entanto, na classe de Fuzileiros, por virtude do final dos conflitos em África, houve uma significativa redução, tendo sido até esta data o curso em que maior número de oficiais permaneceu no Continente.

Foram designados para prestar serviço em África, ou Continente e Ilhas, os seguintes oficiais:



Guiné (1 Oficial):

2TEN FZ RN João António Almeida Encima, CF 2;




Bissau - No Serviço de Assistência Oficinal, final de 1969 ou início de 1970, a LFG «Sagitário», P 1131
e uma outra LFG ainda sem chapa de protecção balística montada*



*Nota: Esta LFG apenas poderia corresponder a uma de duas possíveis: a LFG «Dragão» ou a LFP «Argos», regressadas de Moçambique em Julho de 1969 e Janeiro de 1970, respectivamente, e que para ali tinham seguido da Guiné, em 1964, sem aquelas protecções da zona da casa das máquinas, motores auxiliares e toda a área circundante da ponte. O facto de a LFG «Sagitário» ter estado imobilizada durante todo o mês de Março de 1970, faz crer ser este o tempo correcto para a situação relatada




Pelas 22:30 horas do dia 20 de Janeiro de 1973, Amílcar Cabral é assassinado à porta da sua residência em Conacry, num crime atribuído “convenientemente” á PIDE/DGS por uma opinião pública internacional acicatada pelos países africanos. Aristides Pereira assume funções como chefe interino do PAIGC.

No mês de Março surgem no teatro de operações da Guiné os mísseis terra-ar Strella os quais, tendo como alvo as aeronaves, surtem um tremendo efeito negativo na FAP e, consequentemente, nas operações militares.

A 25 de Março foi abatido um Fiat G-91 no Cantanhês, pilotado pelo TEN Pessoa que se ejectou com sucesso e, três dias depois, na região de Madina do Boé uma parelha de Fiats G-91 é atacada com arma desconhecida. Um dos pilotos, 2º Comandante da Zona Aérea de Cabo Verde e Guiné, TCOR Brito ao picar para tentar identificar o alvo foi atingido, ficando desfeito e morrendo o piloto. O seu asa conseguiu regressar à base.





Os grandes transportes logísticos efectuados pelas Lanchas de Desembarque Grandes na Guiné. Ali se encontravam estacionadas as LDG «Alfange», LDG «Montante» e LDG «Bombarda»


Na primeira semana de Abril um T6 é abatido por um míssil Strella e despenhou-se causando a morte ao piloto. No dia 6 é novamente abatido um DO 27 onde o Major Mariz Martins, comandante do COP 3, efectuava um reconhecimento visual (RVIS), não havendo sobreviventes.

Em 8 de Maio é iniciada pelo PAIGC uma violenta ofensiva contra Guidage, junto à fronteira do Senegal. Em 11 de Maio grupos de combate dos DFE’s 1 e 4 são enviados para o reforço da defesa daquele aquartelamento, sofrendo uma baixa no dia 13.

No dia 18 de Maio, comandado por João Bernardo “Nino” Vieira o inimigo desencadeia uma violenta ofensiva contra Guileje, localidade no sul da Guiné que, situada num ponto vital da rota de abastecimento do PAIGC, sem acesso por via fluvial, ficava completamente isolada.





Uma imagem corrente frente ao cais do Pijiguiti: uma LDM - Lancha de Desembarque Média, dois pequenos cargueiros e um batelão, vendo-se ao fundo o ilhéu do Rei


De 18 a 22 de Julho decorre o 2.º Congreso do PAIGC que fez a revisão geral dos estatutos elegendo Aristides Pereira como secretário-geral afirmando ser intenção do PAIGC proclamar a independência, constituir um governo e criar estruturas administrativas.

Em 6 de Agosto, o General Spínola regressa à Metrópole e é exonerado do seu Comando, sendo substituído a 28 do mesmo mês pelo general Bettencourt Rodrigues como Governador-Geral e Comandante-Chefe.

No mês de Outubro, mais uma vez os aliados americanos jogam a sua cartada no cenário internacional. O Senado proíbe a Administração de conceder a Portugal qualquer ajuda que permita a manutenção do “Regime Colonial”. Por sua vez, nesse mesmo mês, o Governo Português concede autorização aos EUA para utilizarem a Base das Lajes, nos Açores, como escala de apoio a Israel na guerra do Yom Kippur.




Uma invulgar perspectiva da disposição de unidades navais no plano inclinado do Serviço de Assistência Oficinal. Em primeiro plano, a popa da LFG «Sagitário» parece bloquear o avanço de uma LDM

Em Dezembro já a confiança nos aéreos se tinha restabelecido e, conhecida a estratégia a utilizar para minimizar o efeito dos mísseis Strella, recomeçaram os voos com alguma normalidade, embora com redobrados cuidados.

No princípio de 1974, da Conferência Afro-Árabe sobre petróleo sobressai a resolução que proíbe o acesso aos portos dos países árabes de navios que transportem petróleo destinado à África do Sul, Rodésia e Portugal.

Já então se começavam a processar com dificuldade as rendições das Unidades no Ultramar devido, por um lado, ao prolongamento excessivo de uma guerra em que alguns militares contavam já com três ou quatro comissões e, por outro lado, à escassez de recursos materiais e humanos.

O conflito agudiza-se. No início de Março as minas voltam a fazer estragos no rio Cumbijã. No porto de Cufar interior, local onde geralmente ficavam os batelões sem guarda por estarem próximo do aquartelamento, o batelão dos combustíveis foi pelos ares, na altura em que se encontravam vários trabalhadores a bordo, morrendo 20 a 30 estivadores a explosão.




Provavelmente no rio Geba, duas LDM e por detrás delas uma LDG, todas parecendo já em estado de desarmamento e encalhadas no lodo

Em Abril os combates travavam-se com violência de forma generalizada, recorrendo o inimigo a métodos cada vez mais imaginativos e letais com baixas nas nossas forças. No rio Cacheu o PAIGC redobrava esforços para conseguir com êxito as cambanças do Sambuiá para sul mas os fuzileiros, com base em Ganturé opunham-se sistematicamente ao abastecimento por essa via.

Nesse mês nos dias 19 e 22 as patrulhas de botes do DFE 1 são violentamente emboscadas nas clareiras de Jagali e Leto, sofrendo um morto e três feridos graves. Foi o último fuzileiro a morrer em combate no Ultramar, vítima de uma granada de RPG7.

No dia 25 de Abril o levantamento militar na Metrópole depõe o regime do Estado Novo originando também grande confusão nos militares que se mantinham em campanha com reacções diversas. Embora com abrandamento a guerra mantem-se e em Junho inicia-se a retracção das forças no terreno.

Em Bissau são reforçadas as forças de vigilância e segurança. Em 25 de Agosto, são desactivadas as unidades de fuzileiros que se encontravam em Bolama, os DFE 21, DFE 22 e DFE 23 que, depois de formados, apenas entregaram o armamento distribuído com instruções directas do respectivo comando, sendo de todo ineficaz a tentativa de contacto por um representante do PAIGC que ali se encontrava para o efeito.




Outra perspectiva de uma operação logística levada a cabo por uma LDG - Lancha de Desembarque Grande

Assinaladas algumas contradições nas entregas dos diversos aquartelamentios ao PAIGC. No sul, em Jemberém, Cameconde, Gadamael e por fim Cacine, com guarda de honra em formatura mista, a toque de clarim do exército, procede-se à cerimónia do arriar da Bandeira Nacional e ao içar da Bandeira do PAIGC.

Em Vila Cacheu, o comandante* do DFE 4, excelente oficial, magnífico operacional e grande patriota, evitando o enxovalho a que estavam a ser sujeitas as Forças Armadas, após ter embarcado nas viaturas todo o material, forma o Destacamento e com as honras do estilo, manda arriar pela última vez a Bandeira Nacional e, de seguida, manda derrubar o mastro , já que “onde esteve içada a Bandeira Portuguesa mais nenhuma haveria de subir”. De seguida deu ordens ao pessoal para embarcar, não aguardando sequer que alguém do PAIGC se apresentasse a reclamar a posse das instalações antes de serem abandonadas.

Em 10 de Setembro Portugal reconhece legalmente a Guiné-Bissau como Estado soberano e a 30 de Outubro regressa a Portugal o DFE 5 a última Unidade de Fuzileiros na Guiné.


* 2TEN FZE RN Pedro Henrique Malheiro Ribas de Meneses, oficial da Reserva Naval do 16.º CFORN;





A LDG «Bombarda», ainda com o número de costado LDG 105 (correcto seria LDG 201)
atracada na ponte-cais em Bissau e, em primeiro plano,
um bote pneumático com elementos e equipamento da Secção de Mergulhadores-Sapadores





Cabo Verde (1 Oficial):

2TEN AN RN Filipe José Seita Duarte no Comando Naval de Cabo Verde;




A fragata «Comandante João Belo»



Angola (12 Oficiais):

2TEN RN na António José de Oliveira Brás, LFP «Rigel»;
2TEN RN António Borges Santos Silva, LFP «Altair»;
2TEN RN Emídio Rafael Moreira Veloso, LFP «Pollux»;
2TEN RN José Manuel Nogueira Soares, LFP «Espiga»;
2TEN RN Luís Manuel Lourenço Paupério da Silva, fragata «Roberto Ivens»;
2TEN FZ RN Fernando José Gomes dos Santos, CF 3;
2TEN FZ RN José Manuel Lopes Pires, CF 3;
2TEN FZ RN Mário Gil Moreira Costa, CF 3;
2TEN FZ RN Henrique Maria Ulrich Anjos, CF 5;
2TEN FZ RN José Maria Marques Bustorff Silva, CF 5;
2TEN FZ RN José Maria Pereira de Sousa, CF 5;
2TEN FZ RN Elísio José Fernandes Amaral Neves, CF 8;
2TEN FZ RN João Manuel Pimentel Cortez Pinto, CF 9;




A Lancha de Fiscalização Pequena «Pollux»

No teatro de Angola as acções armadas inimigas tinham vindo a diminuir francamente no ano de 1972 em relação ao ano anterior, salvo ligeiro crescimento no recurso à colocação de engenhos explosivos. No enclave de Cabinda a situação encontrava-se calma, sem iniciativa de acções bélicas, o mesmo se passando tanto no norte como na frente leste. Somente o Cuango revelava ligeiro aumento de actividade.

O dia 2 de Junho de 1973 ficou assinalado por um brutal incidente que ficou assinalado como um trágico marco da guerra dos Fuzileiros, em geral, e da Reserva Naval, em particular. Uma pequena coluna de duas viaturas que se deslocara do Chilombo à Lumbala para ir buscar correio, foi violentamente emboscada num percurso onde não havia histórico de actividades hostis.

A acção causou 3 mortos e um ferido aos fuzileiros do pelotão da CF 1 que se encontrava no Chilombo a apoiar o DFE 10. Um dos mortos, o STEN FZ RN António Bernardino Apolónio Piteira, oficial da Reserva Naval, do 18.º CFORN, foi o único oficial da Marinha de Guerra morto em combate durante os 13 anos da Guerra do Ultramar.

A ofensiva internacional contra Portugal e os países do sul de África, acentuava-se no final de 1973. O encerramento da 28.ª sessão da Assembleia Geral da ONU marcou pela posição anti-portuguesa, ao aceitar a alegada independência da Guiné como acto consumado e indiscutível, definindo Portugal como potência ocupante e ilegal.

O maior perigo real era o representado pelos engenhos explosivos que continuavam a causar estragos quando menos se esperava. A preocupação com o transporte de pessoal a longa distâncias constituía então uma preocupação permanente, já que a Marinha não dispunha de meios próprios.




Em Angola, uma LFG - Lancha de Fiscalização Grande, navega no rio Zaire

O inimigo dava mostras de estar a ceder em todas as frentes. Em toda a região que constituía a Zona Militar Leste, até à última semana de Janeiro apenas tinha sido registada uma acção de fogo inimiga em reacção às forças militares portuguesas, duas acções de intimidação contra populações e a destruição de uma ponte pela UNITA.

Na última semana de Junho a actuação do IN era ainda mais reduzida não se registando qualquer actividade na área de guerrilha da UNITA registando-se o levantamento de quatro engenhos explosivos e o accionamento de outro na área de infiltração do MPLA.

No inicio de 1974, a animosidade contra Portugal manifestada pela comunidade internacional acentuava-se cada vez mais, espicaçada pelos países afro-asiáticos. Os países manifestavam ou um discreto apoio, uma neutralidade titubeante ou mesmo uma aberta rejeição à política portuguesa, como sucedeu com a generalidade dos povos escandinavos.

E 22 de Março, em Genebra, era adoptada uma proposta apresentada pelos Estados do Terceiro Mundo na 30.ª sessão da Comissão dos Direitos do Homem, no sentido de serem consideradas “as guerras contra a dominação estrangeira, guerras contra o colonialismo e racismo como guerras justas", tal como as guerras de autodeterminação.

Na mesma altura era aprovada na conferência da Organização Internacional do Trabalho, realizada em Conacry, uma resolução apontando para a expulsão de Portugal daquele organismo.




A LFP «Regulus» atracada em Santo António do Zaire

Sucediam-se as greves e manifestações na oposição à guerra que, lentamente, ia crescendo nos meios operários e estudantis portugueses, de imediato utilizada como propaganda pelos movimentos pró-independentistas.

Em 15 de Abril de 1974, através da rádios, o MPLA difunde as suas mensagens afirmando que, em Lisboa, circulava clandestinamente um documento assinado pelo Movimento dos Capitães a preconizar uma solução política para a Guerra do Ultramar, uma vez que considera a vitória pelas armas impossível.

No dia 25 de Abril, um levantamento militar em Portugal degenerou numa revolução que, no escasso tempo de algumas horas, depôs o regime vigente e tomou conta do poder, elegendo uma Junta de Salvação Nacional como modo de assegurar o imediato controlo da Nação.

A Marinha seguia com atenta preocupação o evoluir da situação interna do território. generalizava-se a tendência para o desentendimento entre os movimentos emancipalistas com distúrbios em vários locais, especialmente em Luanda, e o apelo à continuação da luta armada até à total independência da Angola.

Entre Junho e Agosto, depois de uma larga sucessão de nomeações, substituições e negociações entre Forças Armadas, Comandante-Chefe e Movimentos, é nomeado um Alto-Comissário para as negociações. A Marinha começa a retrair o dispositivo no território mantendo a vigilância e guarda de instalações militares.

Em 15 de Outubro, depois da readmissão de Portugal na UNESCO em Setembro, são suspensas todas as operações contra elementos e grupos da FNLA e, a partir do dia 25 do mesmo mês, com a assinatura formal do acordo de cessação de hostilidades entre representantes portugueses e uma delegação do MPLA chefiada por Agostinho Neto, terminaram oficialmente as acções violentas dos movimentos emancipalistas em Angola.




A LDG «Ariete» efectua uma operação com transporte de pessoal

Daquela data para a frente retrair-se-ia progressivamente o dispositivo militar, embora continuassem a verificar-se elevado número de incidentes, roubos e distúrbios, por vezes envolvendo confrontos raciais. No final do ano vivia-se em Angola um enorme caos político e social.

No meio da confusão onde grassava a "organização desorganizada", a Marinha embora sujeita a pressões revolucionárias conseguiu manter a coesão interna numa prévia preparação para abandonar Angola.



Moçambique (6 Oficiais):

2TEN AN RN Eugénio Manuel Ribeiro Azeved0, CDM dos Portos do Lago Niassa;
2TEN AN RN Jorge Manuel Vieira Jordão, navio de apoio logístico «Sam Brás»;
2TEN AN RN Manuel Brandão de Vasconcelos Alves, Comando Naval de Moçambique;
2TEN FZE RN Benjamim de Jesus Correia, DFE 10;
2TEN FZE RN José Carlos da Mota Rodrigues, DFE 10;
2TEN FZE RN José Joaquim Pereira Simões, DFE 11;




Moçambique, Niassa - O Colégio de S. Miguel no Cobué, sede de uma antiga missão católica, onde ficaram aquartelados um Destacamento de Fuzileiros Especiais e uma Companhia do Exército

Logo no início de 1973 a ONU anunciou que iria realizar em Oslo, entre 9 e 14 de Abril, uma conferência internacional sobre o colonialismo e o apartheid, no qual no qual iriam participar além de representantes dos órgãos pemanentes daquela organização, representantes de nove movimentos de libertação africanos, com enorme destaque na imprensa mundial. Simultaneamente, grupos anti-colonialistas e contra o apartheid, preparavam uma campanha com reuniões na Alemanha, Noruega, Holanda, Suiça e ainda em Londres.

No estrangeiro, continuavam a levantar-se cada vez mais vozes contra Portugal, quer por parte dos países quer mesmo por organizações não governamentais. Em Março, foi a Organização Internacional de Aeronáutica Civil que aprovou, em sessão relaizada na sua sede em Nova Iorque, uma moção que afastava Portugal das suas reuniões. A aprovação foi obtida por maioria com votos favoráveis dos países africanos e asiáticos, e os votos contrários dos EUA, Nova Zelândia e a maior parte dos países europeus.

Por esta altura, a Dinamarca, Finlândia e Suécia sugeriram a colocação de uma força militar à disposição da ONU, pronta a deslocar-se para qualquer parte do mundo. Em Moçambique fora também constituído o Comando da Defesa Marítima do Zambeze, para apoio ao dispositivo militar naval em operações na bacia do Zambeze e em especial na região de Tete.

A guerra em Moçambique continuava a desenrolar-se frente a um inimigo que evitava o confronto directo, optando preferencialmente por espalhar minas e armadilhas em tudo quanto era estrada ou itinerários. Apesar de muitas serem detectadas, levantadas ou destruídas continuavam ainda a ser responsáveis pela maioria das baixas que as nossas forças sofriam no teatro de operações.




O Navio de Apoio Logístico "Sam Brás"

Os países da Liga Árabe reunidos numa conferência de alto nível em Argel decidem cortar todas as relações com Portugal, Rodésia, República da África do Sul e decretam o embargo do petróleo a estes países, ao mesmo tempo que aprovam o aumento da assistência financeira aos movimentos de libertação que lutam contra “os regimes colonialistas” em África.

Enquanto isso, a auto-proclamada República da Guiné-Bissau é reconhecida por 73 países; o Egipto pede a expulsão de Portugal da OIT; a OUA/ONU pressionam o Vaticano, pretendendo que a Santa Sé tome uma posição nitidamente desfavorável a Portugal.

No final de 1973 deixaram de ser avistados nas imediações do porto da Beira os navios de guerra ingleses empenhados no bloqueio àquele porto.

Em Abril, a revolução que estalou na Metrópole não teve efeitos imediatos em Moçambique onde, apesar do notório abrandamento, as operações continuaram até ser assinado o cessar-fogo, o que veio a suceder em 7 de Setembro em Lusaca, entre o Estado Português e a FRELIMO.

A confusão generalizada instala-se e, a Marinha, enquanto retrai o dispositivo no território, tem como preocupação manter a vigilância e segurança de instalações e população.

A 1 de Outubro o Comando Naval de Moçambique informa os comandos subordinados de que fora acordado o cessar-fogo a partir da meia-noite e um minuto do dia 8 de Setembro daquele ano.



Continente e Ilhas (58 Oficiais):

2TEN RN António Augusto de Sousa Miranda, LF «Corvina»;
2TEN RN António Manuel de Almeida Serra, DSPessoal – 1.ª Rep;
2TEN RN Joaquim José Borges Gouveia, DSPessoal – 1.ª Rep;
2TEN RN Luís Filipe da Costa Figueiredo Teixeira, DSPessoal – 1.ª Rep;
2TEN EMQ RN José Ricardo Crespo da Costa Simões, DSPessoal – 1.ª Rep;
2TEN AN RN António Pedro Machado Lopes Vieira, DSPessoal – 1.ª Rep;
2TEN RN Carlos António da Silva Mendes, draga-minas «Santa Cruz»;
2TEN RN Carlos Alberto Figueiredo dos Santos, Grupo N.º 1 de EA;
2TEN RN Eduardo José Rosa Guimarães Marques, Grupo N.º 1 de EA;
2TEN RN Miguel Eduardo de Sampaio e Spohr, Grupo N.º 1 de EA;
2TEN AN RN Renato Manuel Ferreira Feitor, Grupo N.º 1 de EA;
2TEN FZ RN Manuel Vaz Martins, Grupo N.º 1 de EA;
2TEN RN Edmundo José Simões Gomes de Azevedo, LFP «Açor»;
2TEN RN Eugénio Mendes Ferreira, LF «Azevia»;
2TEN RN Eurico Cores Correia de Melo, Comando Naval do Continente;
2TEN RN Eurico Teixeira Ladeira, LF «Dom Jeremias»;
2TEN RN Francisco Ramos da Silva Gomes, navio-patrulha «Limpopo»;
2TEN RN Jorge Nuno Alves Lopes, Direcção do Serviço de Instrução;
2TEN RN José Luís Saraiva Ramos, Direcção do Serviço de Instrução;
2TEN RN José Jorge Geirinhas Mascarenhas, navio-patrulha «Geba»;
2TEN RN José Paulo Xavier Marques, Estado-Maior General das Forças Armadas;
2TEN AN RN Carlos José Castro da Silva, Estado-Maior General das Forças Armadas;
2TEN RN José Carlos Baptista dos Santos, LF «Bicuda»;
2TEN RN Luís Amândio Bandeira Tavares, Comando da Flotilha de Draga-minas;
2TEN RN Luís Afonso da Rosa Costa Guimarães, Instituto Hidrográfico;
2TEN AN RN José Alberto Pinheiro Pinto, Instituto Hidrográfico;
2TEN RN Manuel Alves da Costa Manão, Grupo N.º 2 de Escolas da Armada;
2TEN AN RN Manuel Martins Mendes Paulo, Grupo N.º 2 de Escolas da Armada;
2TEN EMQ RN António Joaquim Manso, draga-minas «S. Roque»;
2TEN EMQ RN Eduardo José Manso, DG do Serviço de Fomento Marítimo;
2TEN EMQ RN Rui Manuel Leitão Sequeira Lopes, navio draga-minas «Lagoa»;
2TEN EMQ RN Serge Ruy Sinnes de Barbosa Araújo, navio-patrulha «Boavista»;
2TEN AN RN António Maria Guerra Pires, Superintendência dos Serviços Financeiros;
2TEN AN RN Carlos Henriques de Almeida Figueiredo, Superintendência dos Serviços Financeiros;
2TEN AN RN Ivo Jorge de Almeida dos Santos Pinho, Superintendência dos Serviços Financeiros;
2TEN AN RN José Manuel Silva Mourato, Superintendência dos Serviços Financeiros;
2TEN AN RN José Manuel Cardoso Ramalho Barbosa, Superintendência dos Serviços Financeiros;
2TEN AN RN Mário João Coutinho dos Santos, Superintendência dos Serviços Financeiros;
2TEN AN RN Carlos Alberto da Silva Ribeiro, Escola Naval;
2TEN AN RN João Manuel de Matos Fernandes, DSEC;
2TEN AN RN Rogério Manuel Farrajota Condessa, DSEC;
2TEN AN RN João Carlos de Oliveira Costa Vieira, DSA;
2TEN AN RN José Nogueira de Paiva e Sousa, DSA;
2TEN AN RN Manuel José Dias de Sousa, DSA;
2TEN AN RN Manuel António Van Stralen Godinho de Almeida, DSA;
2TEN AN RN Rui Manuel Estanco Junqueira Lopes, CA da Administração Central de Marinha;
2TEN AN RN Victor Duarte Corado Simões, Força de Fuzileiros do Continente;
2TEN FZ RN Armando José Ferrão Canto e Silva, Força de Fuzileiros do Continente;
2TEN FZ RN Armindo Gonçalves Costa,Força de Fuzileiros do Continente;
2TEN FZ RN João Nunes Peres, Força de Fuzileiros do Continente;
2TEN FZ RN Joaquim Raúl Lourenço Gonçalves, Força de Fuzileiros do Continente;
2TEN FZ RN Jorge Manuel Lopes Gonçalves, Força de Fuzileiros do Continente;
2TEN FZ RN José António Martins Pires Marinho, Força de Fuzileiros do Continente;
2TEN FZ RN António Joaquim Areias de Carvalho, Direcção do Serviço de Pessoal – 2.ª Rep.;
2TEN FZ RN António Ângelo Seixas Ferreira Leite, Escola de Fuzileiros;
2TEN FZ RN Henrique Manuel de Barros Geraldes, Escola de Fuzileiros;
2TEN FZ RN José da Conceição Góis, Escola de Fuzileiros;




A Lancha de Fiscalização Pequena «D. Aleixo»



Timor (1 Oficial):

2TEN RN João António Martins Ribeiro de Carvalho, Comando de Defesa Marítima de Timor;



Não foi possível determinar o paradeiro dos seguintes 2 Oficiais:

2TEN EMQ RN José Manuel da Graça Rocha (fragata “Comandante Roberto Ivens”);
2TEN FZ RN António Soares Gomes Miguel (Pelotão n.º 9 de Fuzileiros).

O 23.º CFORN, a partir de 25 de Abril de 1974, acompanhou todo o processo que se desenvolveu nos territórios ultramarinos, inclusivé porque muitos dos seus elementos eram Comandantes de unidades navais ou enquadravam unidades de fuzileiros.

A 27 de Março de 1975, todos os oficiais do 23º CFORN foram promovidos ao posto de Subtenente da Reserva Naval, incluindo os que estavam na situação de graduados. No final daquele ano a maioria deles foi licenciada.

Ingressaram nos Quadros Permanentes:

2TEN FZ RN José da Conceição Gois;
2TEN FZ RN Benjamim de Jesus Correia;
2TEN FZ RN José Maria Marques Bustorff Silva;
2TEN FZ RN José Manuel Lopes Pires;
2TEN FZ RN Armando José Ferrão Canto e Silva;




Fontes:
Texto do autor do blogue, compilado a partir de: Anuário da Reserva Naval, Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado, Lisboa, 1992; Dicionário de Navios & Relação de Efemérides, Adelino Rodrigues da Costa, Comissão Culturtal de Marinha, 2006; Fuzileiros – Factos e Feitos na Guerra de África, 1961/1974, Luis Sanches de Baêna, Comissão Cultural de Marinha, 2006; apontamentos e fotografia de curso cedidos pelo CMG FZE José da Conceição Gois, do 23º CFORN, que mais tarde ingressou nos Quadros Permanentes; Arquivo de Marinha, Revista da Armada e cedências pessoais de origens diversas;


mls