terça-feira, outubro 31, 2017

Angola, LFP "Espiga" - P 366


Os Oficiais da Reserva Naval na LFP "Espiga" - P 366



A LFP "Espiga".

Construída nos estaleiros alemães Bayerische Shiffbaugesellschaft mbH, em Erlenbach/Main foi aumentada ao efectivo dos navios da Armada no dia 4 de Agosto de 1961. Seguiu para Angola a bordo de um navio mercante, tendo desembarcado em Luanda no dia 17 de Agosto de 1961.

No dia 23 de Setembro, no porto de Luanda, decorreu uma solene cerimónia conjunta de armamento da LFP “Espiga” e das suas irmãs gémeas “Fomalhaut” e “Pollux”.

No dia 26 de Setembro do mesmo mês, largou de Luanda para a sua primeira missão operacional no rio Quanza, primeiro até ao Bom Jesus situado a 85 Km da foz e, mais tarde, até Massangano e Dondo, já a 214 Km do mesmo ponto de referência. Em 22 de Dezembro regressou a Luanda e foi integrada na Esquadrilha de Lanchas do Zaire.

A fiscalização do troço fronteiriço do rio Zaire e o apoio aos postos guarnecidos por fuzileiros, nomeadamente a Quissanga, Pedra do Feitiço, Makala, Tridente e Noqui, foram as suas principais missões. Durante cerca de 14 anos permaneceu em Angola, ora baseada em Santo António do Zaire ora em Luanda.



A LFP "Espiga" no porto de Luanda.
Em cima, atracada e, em baixo, a navegar no dia do aumento ao efectivo dos navios da Armada.




Durante todo o período em que esteve operacional foram comandantes da LFP “Espiga” os seguintes oficiais da Reserva Naval:


2TEN RN Rui Horácio da Silva Pires, 3.º CEORN – 22SET61/17ABR63
2TEN RN José Manuel de Carvalho Garcia e Costa, 4.º CEORN – 17ABR63/07SET65
2TEN RN Carlos Manuel Lopes de Carvalho, 7.º CEORN – 07SET65/26ABR67
2TEN RN Amadeu Nelson Contente Mota, 9.º CFORN – 26ABR67/09MAI69
2TEN RN Júlio Domingos Pedrosa Luz de Jesus, 13.º CFORN – 09MAI69/01JUN71
2TEN RN José Luis Cardosos de Meneses Brandão, 17.º CFORN – 01JUN71/27MAI72
2TEN RN Emídio Infante Pedroso, 16.º CFORN – 27MAI72/03JUL72
2TEN RN José Luis Cardoso de Meneses Brandão, 17.º CFORN – 03JUL72/15MAI73
2TEN RN João José Galhardas Vermelho, 20.º CFORN – 15MAI73/10NOV74
2TEN RN José Manuel Nogueira Soares, 23.º CFORN – 10NOV74/30SET75




A LFP "Espiga" no posto da "Pedra do Feitiço".

No início da vida operacional da LFP “Espiga”, foi comandante por um curto período, de 22SET61 a 08OUT61 um oficial dos QP’s, 2TEN Isaías Augusto Pinto Gomes Teixeira, data em que foi determinado atribuir o comando daquelas unidades a um oficial.

Pertenceu à classe “Bellatrix” com características, máquinas propulsoras, equipamentos, armamento e lotação idênticas, não tendo contudo o lançador de foguetes de 37 mm.

Em 30 de Setembro de 1975 foi abatida ao efectivo dos navios da Armada e cedida ao Governo da República Popular de Angola.



Fontes:

Dicionário de Navios, Comandante Adelino Rodrigues da Costa, Edições Culturais da Marinha – 2006; Setenta e Cinco Anos no Mar, Lanchas de Fiscalização Pequenas (LFP’s), 16º VOL, 2005, com fotos.

mls

quinta-feira, outubro 19, 2017

17.º CFORN - Curso de Formação de Oficiais da Reserva Naval, Set1970


(Post reformulado a partir de outro já publicado em 30 de Junho de 2010)




Listagem completa do 17.º CFORN.


Foi o segundo curso realizado no ano de 1970, a exemplo de anos anteriores que foi assinalado pela incorporação de dois cursos de formação de oficiais da Reserva Naval.




Em cima, na escadaria da Escola Naval, o 17.º CFORN, num habitual registo de família e, em baixo, uma outra foto de um grupo alargado de cadetes, no decurso da viagem de instrução.



O 17.º CFORN foi alistado em 2 de Setembro de 1970 e incorporou 103 cadetes assim distribuídos pelas várias classes: 32 cadetes na classe de Marinha, 2 cadetes na classe de Médicos Navais, 8 cadetes na classe de Engenheiros Maquinistas Navais, 19 cadetes na classe de Administração Naval, 24 cadetes na classe de Fuzileiros e 18 cadetes na classe de Técnicos Especialistas.

Comandava a Escola Naval o Contra-Almirante Pedro Fragoso de Matos e foi Director de Instrução o Capitão de Mar e Guerra Eugénio Eduardo da Silva Gameiro.




O Contra-Almirante Pedro Fragoso de Matos, Comandante da Escola Naval e o Director de Instrução, Capitão de Mar e Guerra Eugénio Eduardo da Silva Gameiro.

No final do período de instrução, o Prémio “Reserva Naval” foi entregue ao cadete da classe de Engenheiros Maquinistas Navais, Júlio Martins Montalvão e Silva. Este prémio destinava­-se a galardoar o aluno com classificação mais elevada no conjunto da frequência escolar e da apreciação de carácter militar.




O cadete EMQ RN Júlio Martins Montalvão e Silva.

Durante o ano de 1970, para a prossecução do plano de modernização da Marinha, conjuntamente com a necessidade de reforçar os meios navais empenhados na Guerra do Ultramar, foram aumentados ao efectivo dos navios da Armada as corvetas «General Pereira d’ Eça», «Jacinto Cândido», «João Coutinho» e «Augusto Castilho», os navios-patrulhas «Geba» e «Quanza», e as LFP «Sirius» e «Vega». Em 1971, vieram ainda reforçar aquele dispositivo a corveta «Honório Barreto», o navio-patrulha «Zaire» e a LDG «Alabarda».

No decorrer do mesmo ano de 1970, foram abatidos, ao mesmo efectivo, a fragata «Pacheco Pereira», os navios-patrulha «Madeira», «Princípe» e «S.Tomé» e o navio balizador «Almirante Schultz». Em 1971, seguiram idêntico destino a fragata «Nuno Tristão», o caça-minas «Santa Maria», o navio-patrulha «Santo Antão» e a LFP «Tete».




Em cima, António Silva Carneiro - LFP «Urano», António Gravata Filipe - LFP «Pollux»
e António Sevinate Pinto - LFP «Rigel»;
Em baixo, Francisco Cascabulho Tomé - LFP «Saturno», Frederico de Melo Franco - LFP «Vénus»
e Joaquim Barrocas Dórdio - LFP «Marte»




Muitos oficiais da Reserva Naval desempenharam missões e viriam a fazê-lo nestes navios, quer nos entretanto abatidos quer nos aumentados ao efectivo, todos eles tendo representando um papel relevante na História da Reserva Naval.

Em Novembro de 1970, teve lugar a operação “Mar Verde” a Guiné Conakry. Entre as unidades navais participantes, contaram-se as LFG «Orion» (onde embarcou o comandante da operação, o CTEN Alpoim Calvão, LFG «Hidra», LFG «Cassiopeia» e LFG «Dragão». Integraram ainda aquela força a LDG «Bombarda» e LDG «Montante» onde embarcaram mais de 600 homens, entre os quais o DFE 21 e onde estiveram envolvidos cerca de uma dezena de oficiais da Reserva Naval.




No decorrer da viagem de instrução do 17.º CFORN, em Março de 1971, a fragata «Comandante Sacadura Cabral» atracada no porto espanhol de Vigo

Face ao isolamento logístico e às necessidades operacionais no Lago Niassa a Marinha já dispunha nesta época de meios aéreos privativos para operações de reconhecimento, evacuações e transporte de correio ou frescos. As duas aeronaves disponíveis, um Cessna Skyline 182 e um Dornier 27, também foram pilotados por um elemento deste curso, o 2TEN RN António João Vieira Rodrigues.

Ainda uma nota especial para o 2TEN AN RN José António Cordeiro Baptista que prestou serviço no Comando de Defesa Marítima de Macau.




José Luis Meneses Brandão - LFP «Espiga» e Luis Manuel Pinto Pereira - LFP «Arcturus»

Foi também este curso em que, pela primeira vez, foram chamados a desempenhar funções de docentes na Escola Naval alguns oficiais da Reserva Naval oriundos das classes de Administração Naval e Técnicos Especialistas, situação que se repetiria em anos seguintes. Para aquele estabelecimento de ensino, foram nomeados os 2TEN AN José Manuel Gonçalves de Morais Cabral, 2TEN TE RN António Ressano Garcia Lamas e 2TEN TE RN Pedro Manuel Brito da Silva Correia.




Angola, Junho de 1971 - Aspecto de uma exploração petrolífera ao largo de Cabinda.

Apesar da enorme necessidade de Oficiais Subalternos por que passava a Marinha, em Fevereiro de 1972 foram autorizados seis oficiais do 17.º CFORN a exercer funções de assistente no Instituto de Ciências Económicas e Financeiras, ainda que sem prejuízo para o serviço.

Este relacionamento indirecto entre a Universidade e a Marinha, inspirou dezenas de Oficiais dos QP para a inscrição em cursos superiores de diversas universidades, apesar de as frequentarem numa situação de quase clandestinidade.

A partir de Abril de 1973 os oficiais do 17.º CFORN começaram a ser licenciados, tendo ingressado nos Quadros Permanentes os 2TEN FZE RN Francisco Manuel Lhano Preto e 2TEN FZ RN Nelson Cardoso Ribeiro Peres. Ambos ascenderam ao posto de Capitão-de-Mar-e-Guerra.

Contrariamente ao que se passara com o 16.º CFORN, houve grande mobilização dos elementos deste curso como Comandantes, Oficiais Imediatos de navios, Oficiais de Guarnição, integrando Companhias e Destacamentos de Fuzileiros ou Unidades e Serviços em terra, tendo sido designados para prestar serviço em África, ou Continente e Ilhas, os seguintes oficiais:



Bissau - Vista aérea das Instalações Navais de Bissau (INAB) e do Serviço da Assistência Oficinal (SAO).

Guiné (18 Oficiais):

2TEN RN Francisco Almeida d'Oliveira Baptista, LFP «Dragão»;
2TEN RN José António Teodósio Amaro, CDMGuiné;
2TEN EMQ RN Justino Amaro Brito Pombo, CDMGuiné;
2TEN TE RN Firmino Peixoto Coutinho, CDMGuiné;
2TEN RN Luís Manuel de Melo Pinto Pereira, LFP «Arcturus»;
2TEN RN Mário Jorge São Marcos de Almeida Beato, LFG «Cassiopeia»;
2TEN RN Sebastião de Campos Salgado, LDG «Bombarda»;
2TEN FZE RN António Lopes Telo, DFE 8;
2TEN FZE RN Arlindo de Sousa, DFE 8;
2TEN FZ RN Carlos Manuel de Melo Elias da Costa, CF 8;
2TEN FZ RN Nelson Cardoso Ribeiro Peres, CF 8;
2TEN FZ RN Rui Jorge Ferreira Cachado, CF 8;
2TEN FZ RN Rui Machado de Aguiar, CF 8;
2TEN FZE RN Ernesto Manuel Abreu Marques Cruz, DFE 12;
2TEN FZE RN José de Jesus Sousa e Castro, DFE 4;
2TEN FZE RN Max Carvalho Schreck, DFE 13;
2TEN FZE RN Raúl Agostinho Monteiro da Silva Santos, DFE 13;
2TEN TE RN António Fernando Garcia Gromicho, Comando-Chefe das Forças Armadas da Guiné;




Cabo Verde - Vista aérea da ilha do Sal

Cabo Verde (2 Oficiais):

2TEN MN RN José Manuel Brás Nogueira, Comando Naval de Cabo Verde;
2TEN TE RN Francisco Eduardo Moreira da Silva Alves, Comando Naval de Cabo Verde;




Em cima, a LFP «Vénus» em Angola, atracada no porto de Cabinda, em Junho de 1971 e, em baixo, embandeirada no dia da Marinha


Angola (16 Oficiais):

2TEN RN Álvaro Jaime Neves da Silva, navio-patrulha «Mandovi»;
2TEN RN António Manuel Gravata Filipe, LFP «Pollux»;
2TEN RN António Manuel Cordeiro Sevinate Pinto, LFP «Rigel»;
2TEN RN Armando da Fonseca Gouveia Ribeiro, LFG «Pégaso»;
2TEN RN Carlos Alberto Dias Nogueira, LDG «Alabarda»;
2TEN RN Carlos Augusto Mendes Alves, navio-patrulha «Cacine»;
2TEN RN Frederico José de Melo Franco na LFP «Vénus»;
2TEN RN João Joaquim de Sousa Cabrita, Comando Naval de Angola;
2TEN AN RN Dulcídio Terra Marques Pinheiro, Comando Naval de Angola;
2TEN AN RN José Domingos Alves da Silva Neves, Comando Naval de Angola;
2TEN RN José Luís Cardoso de Meneses Brandão, LFP «Espiga»;
2TEN RN Rui Alberto Antunes Pais dos Santos, navio-patrulha «Cunene»;
2TEN AN RN Domingos Martins Fernandes Iglésias, CDMSanto António do Zaire;
2TEN FZ RN Alberto José Bento Melo de Carvalho, CF 4;
2TEN FZ RN Joaquim Lopes de Matos, CF 6;
2TEN FZE RN Manuel Joaquim Lima Pereira, DFE 6;



Moçambique - Vista aérea da Estação Radionaval de Lourenço Marques

Moçambique (19 Oficiais):

2TEN RN António Carlos da Silva Carneiro, LFP «Urano»;
2TEN RN António João Vieira Rodrigues, Comando Naval de Moçambique;
2TEN RN Francisco Silvestre Ramos Ferreira, Comando Naval de Moçambique;
2TEN EMQ RN José Garcia Nogueira Reis, Comando Naval de Moçambique;
2TEN RN Francisco Cascabulho Tomé, LFP «Saturno»;
2TEN RN Januário Armando Neves Correia, LFP «Zambeze»;
2TEN RN João António de Sousa Pereira, LDG «Cimitarra»;
2TEN RN Joaquim João Ferreira Barrocas Dórdio, LFP «Marte»;
2TEN RN Luís Francisco Silva, Comando Naval de Moçambique (AV);
2TEN MN RN Armando Torres Abrantes, Comando Naval de Moçambique (AV);
2TEN AN RN Nuno Joaquim de Oliveira Ascensão, Comando Naval de Moçambique (AV);
2TEN AN RN João Pedro Guimarães Cardoso Baldaia, CDM dos Portos do Lago Niassa;
2TEN AN RN José António Cordeiro Baptista, CDM de Porto de Porto Amélia;
2TEN FZ RN Carlos Alberto de Meneses Feio Duro, CF 10;
2TEN FZE RN Francisco Manuel Lhano Preto, DFE 9;
2TEN FZE RN Joaquim Pires dos Santos, DFE 5;
2TEN FZE RN José Henriques Rodrigues Franco, DFE 5;
2TEN FZE RN José Manuel Siguensa de Barahona Fragoso, DFE 3;
2TEN FZ RN José Inácio Gonçalves Mimoso Padre, CF 9;

Continente, Ilhas e Outras Unidades (46 Oficiais):

2TEN RN António José do Carmo Silva, navio-auxiliar «S. Gabriel»;
2TEN RN António Manuel Rogado Salvador Pinheiro, navio-hidrográfico «Almeida Carvalho»;
2TEN RN António Manuel Silva da Gama Pinheiro, Estado-Maior da Armada;
2TEN TE RN José Manuel Amado da Silva, Estado-Maior da Armada;
2TEN RN João Manuel Nogueira Mendes Simões, LF «Azevia»/navio-auxiliar «S. Gabriel»;
2TEN RN Francisco Cardoso Pinto, Grupo n.º 1 de Escolas da Armada;
2TEN EMQ RN Francisco José Gonçalves Guedes Carvalhal, Grupo n.º 1 de Escolas da Armada;
2TEN EMQ RN Júlio Martins Montalvão e Silva, Grupo n.º 1 de Escolas da Armada;
2TEN AN RN Américo Ricardo Bernardo Vaz, Grupo n.º 1 de Escolas da Armada;
2TEN AN RN João Manuel Saraiva Sinde, Grupo n.º 1 de Escolas da Armada;
2TEN TE RN Eduardo de Sousa Saraiva, Grupo n.º 1 de Escolas da Armada;
2TEN RN João Francisco Emauz de Vasconcelos Guimarães, Direcção do Serviço de Instrução;
2TEN RN Rui Alberto Aguiar Vieira, Comando Naval dos Açores;
2TEN RN Sebastião Augusto Queiroga Marques de Almeida, fragata «Alm. Magalhães Corrêa»;
2TEN RN Sérgio Manuel Amorim Mitras, Grupo n.º 2 de Escolas da Armada;
2TEN TE RN Manuel Jesualdo Ferreira, Grupo n.º 2 de Escolas da Armada;
2TEN EMQ RN Dionísio Caetano Cardoso, Direcção do Serviço de Pessoal – 2.ª Rep.;
2TEN EMQ RN Manuel Maria Simões Nunes Agria, Direcção do Serviço de Pessoal – 2.ª Rep.;
2TEN EMQ RN João Manuel de Melo Franco, Direcção do Serviço de Abastecimento;
2TEN EMQ RN Rogério Monteiro Nunes, Direcção do Serviço de Abastecimento;
2TEN AN RN Abílio de Sá Oliveira, CA da Administração Central da Marinha;
2TEN AN RN Filipe de Jesus Pinhal, CA da Administração Central da Marinha;
2TEN AN RN Américo Henrique Rodrigues Ramos dos Santos, DG Serv. de Fomento Marítimo;
2TEN TE RN António Augusto Inglês Baião do Nascimento, DG Serv. de Fomento Marítimo;
2TEN TE RN José Luís Paquim Pereira Coutinho, DGe Serv. de Fomento Marítimo;
2TEN AN RN António José de Castro Bagão Félix, Int.ª dos Serv. de Adm. Financeira da Marinha;
2TEN AN RN António José Lapido Moreira Rato, Int.ª dos Serv. de Adm. Financeira da Marinha;
2TEN AN RN Carlos Alberto Domingues Ferraz, Int.ª dos Serv. de Adm. Financeira da Marinha;
2TEN AN RN Jorge Correia da Silva Bártolo, Int.ª dos Serv. de Adm. Financeira da Marinha;
2TEN AN RN José Manuel Gonçalves de Morais Cabral, Escola Naval;
2TEN TE RN António Ressano Garcia Lamas, Escola Naval;
2TEN TE RN Pedro Manuel Brito da Silva Correia, Escola Naval;
2TEN AN RN José Carlos da Silva Pais de Sousa, Direcção das Construções Navais;
2TEN AN RN Vitor Ângelo Mendes da Costa Martins, Direcção das Construções Navais;
2TEN AN RN Pedro Rogério de Azevedo Seixas Vale, Instituto Hidrográfico;
2TEN FZ RN Daniel Henrique Correia Belo, Força de Fuzileiros do Continente;
2TEN FZ RN Fernando de Jesus Torres de Sá, Força de Fuzileiros do Continente;
2TEN TE RN Luís Manuel César Nunes de Almeida, Força de Fuzileiros do Continente;
2TEN TE RN António Bernardo Vieira Pinho de Aguiar, Direcção do Serviço de Armas Navais;
2TEN TE RN Carlos Eduardo de Medina Ribeiro, Direcção do Serviço de Armas Navais;
2TEN TE RN António Simão Carvalho Fernandes, Dir. Serv. de Electricidade e Comunicações;
2TEN TE RN Fernando Carlos Rico Cascais Xavier, Grupo n.º 2 de Escolas da Armada (EAN);
2TEN TE RN João Pedro Latino Tavares, Escola de Fuzileiros;
2TEN TE RN Manuel Sande e Castro Salgado, Direcção de Infra-Estruras Navais;
2TEN TE RN Mário Adriano Fortuna Seabra Moura, Direcção de Infra-Estruturas Navais;
2TEN FZ RN José Nabais Abelho, Pelotão n.º 1 de Fuzileiros (não identificado);


Nota:
Dos 24 cadetes Fuzileiros, Francisco da Silva Antunes e José Pinto do Couto, não concluíram o curso com aprovação pelo que foram abatidos ao efectivo da Reserva Naval.




Fontes:
Texto do autor do blogue, compilado a partir de Anuário da Reserva Naval 1958-1975, Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado,Lisboa, 1992; Dicionário de Navios e Efemérides, Adelino Rodrigues da Costa, Edições Culturais da Marinha, 2006; Arquivo de Marinha; Revista da Armada; Texto e Fotos de arquivo do autor do blogue com cedências de origens diversas;


mls

terça-feira, outubro 17, 2017

Angola, LFP «Pollux» - P 368


Os Oficiais da Reserva Naval na LFP «Pollux» - P 368

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 17 de Outubro de 2010)


Construída nos estaleiros alemães Bayerische Shiffbaugesellschaft mbH, em Erlenbach/Main, seguiu para Angola a bordo de um navio mercante, tendo desembarcado em Luanda no dia 17 de Agosto de 1961.

Em 23 de Agosto do mesmo mês foi aumentada ao efectivo dos navios da Armada e, no dia 23 de Setembro, no porto de Luanda, decorreu uma solene cerimónia conjunta de armamento da LFP «Pollux» e das suas irmãs gémeas LFP «Fomalhaut» e LFP «Espiga», que passaram a integrar a Esquadrilha de Lanchas do Zaire.




A LFP «Pollux»

No dia seguinte, na companhia da LFP «Fomalhaut», deixou Luanda em direcção ao rio Zaire, na sua primeira missão operacional. A fiscalização do troço fronteiriço do rio Zaire e o apoio aos postos guarnecidos por fuzileiros, nomeadamente a Quissanga, Pedra do Feitiço, Makala, Tridente e Noqui, foram as suas principais missões durante vários anos.

O rio Quanza foi também cenário da sua intervenção frequente, em missões de fiscalização que a levaram ao Calumbo, Bom Jesus, Cabala, Muxima, Massangano e, ocasionalmente, até ao Dondo, quase a duzentos quilómetros da foz.

Durante cerca de 14 anos permaneceu em Angola, ora baseada em Santo António do Zaire ora em Luanda.

Durante todo o período em que esteve operacional foram comandantes da LFP «Pollux» os seguintes oficiais da Reserva Naval:

2TEN RN Pedro Miguel Norton dos Reis, 3.º CEORN, 11Nov61/14Abr63;
2TEN RN António Jorge Silva de Almeida Pinto, 4.º CEORN, 14Abr63/30Jul65;
2TEN RN Rui Jorge Lima Saraiva, 7.º CEORN, 30Jul65/26Dez66;
2TEN RN António Manuel de Sousa de Almeida Mendes, 6.º CEORN, 26Dez66/20Jan67;
2TEN RN José Manuel Neto Domingues, 8.º CEORN, 20Jan67/31Jan67;
2TEN RN Rui Jorge Lima Saraiva, 7.º CEORN, 31Jan67/10Abr67;
2TEN RN José Carlos Appleton Moreira Rato, 9.º CFORN, 10Abr67/10Mai69;
2TEN RN Francisco António Rosado Barreto Caldeira, 13.º CFORN, 10Mai69/05Mai71;
2TEN RN António Manuel Gravata Filipe, 17.º CFORN, 05Mai71/12Mai73;
2TEN RN Manuel António da Costa e Silva, 20.º CFORN, 12Mai73/29Out74;
2TEN RN Emídio Rafael Moreira Veloso, 23.º CFORN, 29Out74/30Set75;

Pertenceu à classe «Bellatrix» com características, máquinas propulsoras, equipamentos, armamento e lotação idênticas, não tendo contudo o lançador de foguetes de 37 mm.

Em 30 de Setembro de 1975 foi abatida ao efectivo dos navios da Armada e cedida ao Governo da República Popular de Angola. Segundo edições do Jane’s Fighting Ships posteriores a 1976, ainda terá navegado com a bandeira daquele país durante alguns anos.




Fontes:
Anuário da Reserva Naval 1958-1975, Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado, Lisboa, 1992; Dicionário de Navios, Adelino Rodrigues da Costa, Edições Culturais da Marinha – 2006; Setenta e Cinco Anos no Mar, Lanchas de Fiscalização Pequenas (LFP), 16º VOL, 2005; Texto e fotos de arquivo do autor;


mls

sábado, outubro 14, 2017

Reserva Naval e Fernando Pessoa


(Post reformulado a partir de outro já publicado em 4 de Junho de 2010)


A imagem, de rara oportunidade e beleza, e os temas abordados – Mar, Marinha e Reserva Naval, perdoam este atrevimento metafórico do imortal Fernando Pessoa, in Mensagem.



Foi captada de bordo do NTM “Creoula”, noa ano de 2003 numa viagem organizada pela AORN – Associação de Oficiais da Reserva Naval para jovens, filhos de associados e familiares, com o apoio da Marinha, proporcionando-lhes um primeiro contacto com o Mar.

Creoula 2003”, numa viagem redonda Lisboa – Funchal – Porto Santo – Lisboa realizada em Agosto/Setembro daquele ano, representou também o espírito da geração anterior de pais que, quase meio século antes, com início em 1958, serviram o País como oficiais da Reserva Naval da Marinha de Guerra.

E fizeram-no então no Continente e Ilhas, mas também também nos teatros de guerra de Angola, Guiné e Moçambique. Também em Cabo Verde, Macau e Timor.

Especializados em múltiplas áreas profissionais, a navegar ou em terra, como oficiais de guarnição de unidades navais ou fuzileiros cumpriram o dever de cidadania que lhes foi exigido.

Em números, de 1958 a 1974, desfilaram pela Marinha 1.712 oficiais da Reserva Naval e de 1976 a 1992 mais 1.886, uma vez que durante o ano de 1975 não foi realizado qualquer curso, contrariando aqueles números a ideia natural de que, o final dos conflitos além-mar, arrastaria consigo uma redução progressiva de admissões daquela classe de oficiais na Marinha de Guerra Portuguesa.

A passagem de 3.598 Oficiais da Reserva Naval pela Armada talvez justificasse um simbolismo próprio dentro da Instituição Marinha.

Voltaremos ao assunto em tempo próprio.




Revista n.º 17 da AORN



Fontes:
Texto e tratamento de imagem do autor do blogue; Revista n.º 17 da AORN - Associação dos Oficiais da Reserva Naval, Março 2004; Colaboração fotográfica de Cristina Silva.


mls

sábado, outubro 07, 2017

Angola, anos 60/70 – Os Fuzileiros no rio Zaire, Parte II


Angola - Os Fuzileiros no rio Zaire

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 9 de Outubro de 2010)




Angola, rio Zaire - Duas imagens da LFP "Pollux" em fiscalização e patrulha




O pequeno trecho filmado do final desta publicação foi rodado em Angola. A LFP «Pollux» navega no rio Zaire, provavelmente no final dos anos '60 e documenta a importância que o dispositivo naval da Marinha - Unidades Navais e Fuzileiros – tinha na fiscalização e vigilância daquele curso de água.

Transportes de pessoal, abastecimentos e outras cargas faziam parte das rotinas das guarnições de Unidades Navais e Destacamentos ou Companhias de Fuzileiros, garantindo a segurança de pessoas e bens transportados.

Com base em SAZAIRE – Comando de Defesa Marítima de Santo António do Zaire, onde existia uma Esquadrilha de Lanchas com unidades navais atribuídas, eram lançadas operações quer de simples fiscalização e patrulha quer actuando em conjunto com forças de Fuzileiros.

A partir de postos onde estavam sedeados ao longo do curso do Zaire, por exemplo a lendária “Pedra do Feitiço”, embarcados em LDM ou utilizando meios próprios, os botes, complementavam e apoiavam também a acção das unidades navais.

As “muilas” e os “bordoeiros” ainda hoje povoam as memórias históricas de militares que ali desempenharam missões ou populações que ali estiveram estabelecidas.

A unidade naval que participou no documento filmado, a LFP «Pollux» – P 368, foi uma Lancha de Fiscalização Pequena, cujo comando foi sempre efectuado por oficiais da Reserva Naval.






Fontes:
Texto e foto de arquivo do autor do blogue; cópia de filme gentilmente cedida pela Escola de Fuzileiros, a partir de película rodada, ao tempo, com a colaboração da Marinha;


mls

quarta-feira, outubro 04, 2017

Guiné, 1970 - DFE 21 (2)


DFE 21 - O primeiro Destacamento de Fuzileiros Especiais da «Série 20»

Parte II

Operação "Mar Verde"

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 28 de Maio de 2010)




DFE 21 - Uma breve pausa na progressão é aproveitada para descanso





O recrutamento inicial de elementos para integrar o DFE 21 já tinha sido iniciado em Setembro de 1969. Depois de activado, em 21 de Abril de 1970, participou, até Maio, em diversas operações no sul da Guiné depois do que, conjuntamente com o DFE8, passou a estar sedeado em Vila Cacheu.

Naquelas zonas efectuou várias acções, tendo sofrido pesadas baixas entre mortos e feridos, entre os quais se incluíram alguns oficiais e sargentos. Em Agosto, depois de uma curta passagem por Buba, foi transferido para Brá, para se juntar aos preparativos que antecederam a organização da operação “Mar Verde”, já em curso na ilha de Soga e na qual viria a participar.




A sudoeste do canal do Geba, no arquipélago dos Bijagós,
a ilha de Soga, base de preparação da operação "Mar Verde".
Situada a oeste da ilha de Rubane, estão ambas encaixadas entre os canais Diogo Gomes e Bubaque


A ilha de Soga foi escolhida como local de preparação pelas condições especiais que detinha, a par de uma situação estrategicamente recatada que oferecia a possível segurança em termos do necessário secretismo. A operação, quer na planificação prévia quer na organização e execução finais, teve como estratega e Comandante o CTEN Alpoim Calvão (OTC).

O DFE 21, na estrutura inicial, teve como Comandante o 1TEN FZE Raul Eugénio Dias da Cunha e Silva que tinha ingressado nos Quadros Permanentes, na classe de Fuzileiros, depois de ter efectuado uma primeira comissão de serviço na Guiné, como terceiro oficial do DFE 4, de 1965 a 1967. Pertenceu originalmente à Reserva Naval onde integrou o 7.º CEORN.

Em 21 Junho de 1971 o comando do Destacamento de Fuzileiros Africanos, DFE 21, foi sendo parcial e progressivamente rendido, ainda que alguns dos elementos que o constituiam continuassem voluntariamente até 1 de Abril de 1973.

Foi nomeado Comandante do DFE 21 o 1TEN FZE José Manuel de Matos Moniz, também ele originário da Reserva Naval. Tinha pertencido ao 8.º CEORN e, no final do curso foi integrado no DFE 1, em Moçambique e de 1967 a 1969, depois do que concorreu aos Quadros Permanentes na classe de Fuzileiros.

Comandantes:

1TEN FZE Raul Eugénio Dias da Cunha e Silva, 7.º CEORN, ingressou nos QP;
1TEN FZE José Manuel de Matos Moniz, 8.º CEORN, ingressou nos QP;

Oficiais Imediatos:

1TEN José Maria da Silva Horta, QP;
2TEN Luis António Proença Maia, QP;
2TEN FZE RN António José Rodrigues da Hora, 11.º CFORN, ingressou nos QP;
2TEN FZE RN Manuel Maria Peralta de Castro Centeno, 19.º CFORN, ingressou nos QP;

Oficiais:

2TEN FZE José Carlos Freire Falcão Lucas, 13.º CFORN;
2TEN FZE RN Eduardo Madureira da Veiga Rica, 14.º CFORN*;
2TEN FZE Manuel José Fernandes Guerra, 15.º CFORN;
2TEN FZE RN Jaime Manuel Gamboa de Melo Cabral, 16.º CFORN;
2TEN FZE RN Francisco Luis Saraiva de Vasconcelos, 16.º CFORN;
2TEN FZE RN João Frederico Saldanha Carvalho e Meneses, 19.º CFORN;
2TEN FZE RN Cândido Alexandre Lucas, 20.º CFORN;
2TEN FZE RN José Joaquim Caldeira Marques Monteiro de Macedo, 21.º CFORN;

* Meses depois, já na Guiné, sofreu um acidente em serviço tendo de ser evacuado.




DFE 21 - A evacuação de um ferido

Consideradas as guarnições dos navios que a integraram, a força que partiu da ilha de Soga em 20 de Novembro de 1970, totalizou próximo de 600 elementos. Foram 80 homens do DFE 21 que, com mais cerca de 200 homens pertencentes à “Front Nacional de Liberation de la Guiné” (FNLG) e 150 elementos da Companhia de Comandos Africanos comandada pelo Capitão João Bacar, iniciaram a operação “Mar Verde”.

Com o reforço de aviões P2V5 da Força Aérea Portuguesa, foram transportados e apoiados por uma força naval constituída por seis unidades navais.

Delas se indicam os respectivos Comandantes e Oficiais Imediatos, a saber:

LFG «Orion» (OTC) - CTEN Alberto Augusto Faria dos Santos e 2TEN Mário Manuel da Fonseca Alvarenga Rua, QP; nela embarcou o CTEN Alpoim Calvão, Comandante da operação;

LFG «Cassiopeia» – 1TEN Fausto José do Lago Domingues e 2TEN RN Alfredo Manuel de Paiva Pacheco, 13.º CFORN;

LFG «Dragão» – 1TEN António Alexandre Welti Duque de Martinho e 2TEN RN João Manuel Nunes Vaz, 13.º CFORN;

LFG «Hidra» – 1TEN José Augusto Fialho Góis e 2TEN Duarte José Cruz de Castro Centeno, QP;

LDG «Montante» – 1TEN Luis Manuel Dias da Costa Correia e 2TEN Raul David Nunes Vieira Pita, QP;

LDG «Bombarda» – 1TEN Arnaldo dos Santos Aguiar de Jesus e 2TEN RN Luis Manuel Ferreira Marques, 13.º CFORN;




Da esquerda para a direita, em Bissau: Alfredo Paiva Pacheco, Imediato da LFG «Hidra»;
João Manuel Nunes Vaz, Imediato da LFG «Sagitário», 1º TEN Arnaldo dos Santos Aguiar de Jesus, Comandante da LDG «Bombarda», José Guerreiro Banza, Comandante da LFP «Arcturus», Coutinho, Capelão Delmar Barreiros, CDMG e mais dois oficiais não identificados


Mais do que quaisquer outros considerandos estratégicos, militares, políticos e sociais que possam ter sido, ou vierem a ser invocados e memorizados em futuros considerandos filosóficos, ficou certamente para a História a libertação “concreta” de 25 militares, prisioneiros de guerra, e ainda um civil, resultado positivo inquestionável, justificativo de quaisquer decisões políticas e militares tomadas.

Nada mais valeroso e nobre do que uma missão cumprida, culminada pela libertação de reféns de guerra, devolvendo-lhes a dignidade de Homens e Combatentes ao serviço do país por que se bateram, restituindo-os à família e reconquistando-lhes a auto-estima, ambas perdidas no tempo de reclusão.

Com cunho meramente pessoal, aqui deixo exarado o meu apreço especial pela acção do DFE 21, cuja missão principal foi o ataque à prisão “La Montaigne” que levou a cabo com êxito total, não sem que deixe de ser importante tornar o apreço extensivo a todo o Comando da operação "Mar Verde", envolvendo todas as forças participantes, sem as quais não seria possível tal desfecho.

Noutra perspectiva social e política que rejeito, acompanhada de duvidosos e falaciosos argumentários, terá sido considerada como uma controversa e arriscada operação, também por nela terem sido envolvidos a quase plenitude dos meios da Marinha já empenhados num cenário guerra então mantido.

Para lá daquele assinalável resultado o grupo de assalto do 2TEN FZE RN Rebordão de Brito - grupo "Victor", com apenas 14 fuzileiros especiais e um guia, procedeu à neutralização da Marinha de Guerra do PAIGC (três vedetas e uma lancha de desembarque) e quatro lanchas torpedeiras da República da Guiné, todas acostadas no dique "La Prudence". Depois de eliminada a sentinela foram lançadas granadas para o interior das unidades navais, causando danos irreparáveis. Três delas afundaram-se de imediato e quatro incendiaram-se. Na breve escaramuça havida as nossas forças sofreram apenas um ferido ligeiro tendo provocado 24 baixas e retirado de seguida.

Melhor que quaisquer palavras, a foto abaixo ilustra um momento histórico pleno de significado. Um grupo de recém-libertados prisioneiros, depois do regresso à ilha de Soga, já em franca confraternização com a guarnição da LFG «Dragão» é fotografado na proa daquela lancha.



Desempenhava as funções de oficial Imediato da LFG «Dragão» o 2TEN RN João Manuel Vaz do 13.º CFORN. Sendo-o na realidade da LFG «Sagitário», uma imobilização prolongada desta lancha de fiscalização, muito sentido de responsabilidade assumida e camaradagem demonstradas, permitiram ao companheiro da LFG «Dragão» cumprir outros deveres na Metrópole.

De entre os prisioneiros libertados, o 2TEN João Manuel Vaz convidou um ex-prisioneiro, casualmente oficial, para com ele partilhar o jantar na LFG «Dragão». Algumas dificuldades na roupa que trazia vestida - uns parcos “slips” - criaram engulhos, rapidamente resolvidos pelo anfitrião que colocou a câmara de oficiais e alguma roupa pessoal à disposição do visitante.

A escolha incluiu uns calções e uma camisa, mas não permitiu ter em conta nem os efeitos do tempo de prisão visíveis no primeiro, nem a diferença de corpulência relativamente ao João Manuel Vaz, facto que acabou por se tornar chocantemente evidente depois de concretizada a improvisada adaptação de vestuário.

Nenhum número de roupagem resiste a regimes de clausura prolongadas com condições de privação tão humilhantes mas, quer a confrangente visão de uma camisa chegar aos joelhos quer um corpo inteiro caber numa pernas de uns calções, foram igualmente ultrapassadas sem constrangimentos.

Já à mesa, durante o jantar - um habitual peixe frito com arroz de tomate e salada - era evidente o nervosismo do convidado. Num expontâneo diálogo entabulado, quedaram também sem significado algumas dramáticas dificuldades do ex-prisioneiro na forma de lidar com garfo e faca, dando rapidamente lugar a outra forma prática de tomar uma refeição.

Opto pela dispensa de comentários ao que é por demais visível no nível de empenhamento e participação então exigido às guarnições de Destacamentos ou Companhias de Fuzileiros e Unidades Navais, onde os oficiais da Reserva Naval ombrearam com os seus pares dos Quadros Permanentes ao longo de 12 anos de guerra.

DFE 21 e operação "Mar Verde", podem ser tidos apenas como mais dois tão demonstrativos quanto eloquentes exemplos. Alguns dos participantes naquela epopeia já não se encontram entre nós, mas aqui fica a evocação que os mantém presentes no nosso espírito e memória.



(final)



Fontes:
Texto compilado com a colaboração de 2TEN RN João Manuel Nunes Vaz do 13.º CFORN; Arquivo de Marinha; Operação "Mar Verde" de António Luis Marinho - Temas e Debates, 2006; Fuzileiros - Factos e Feitos na Guerra de África - Guiné de Luis Sanches Baêna, 2006; Texto e fotos de arquivo do autor;


mls

domingo, outubro 01, 2017

In Memoriam "Vice-Almirante Francisco Ferrer Caeiro"


O último Comandante naval da Base Aérea do Montijo - BA n.º 6


"...
A vida de um indivíduo prolonga-se no mundo que a envolve, na medida em que este for impregnado pelo poder de irradiação das suas potencialidades gregárias. O juízo que faça de si próprio perde-se na primazia do julgamento que outros lhe outorgarem. Aquele que muito pode mas nada sabe dar, morre consigo próprio.
..."


Francisco Ferrer Caeiro, 1976





Vice-Almirante Francisco Ferrer Caeiro






Data de nascimento: 22-10-1910
Filiação: Agostinho Felício Pereira Caeiro e Dª. Beatriz Augusto Cutileiro
Natural de S. Pedro - Évora
Casou em 28-3-1936 com D. Carmen Cesariny de Vasconcelos
Descendência: Pedro, nascido a 18-3-1937 - Contra-Almirante e José Manuel, nascido a 15-1-1939 - Engenheiro Químico
Promoções: Asp. 1-10-1929; GM. 1-9-1932; 2º Ten. 1-3-1934; 1º Ten. 1-3-1940; Cap. Ten. 1-1-1953; Cap Frag - 1-1-1955; CMG 20-2-1958; Comodoro 10-12-1965; C/ Alm. 11-6-1968 (Vice-Almirante)

Comissões no Mar:

Cruzador Vasco da Gama - 1929; NH Cinco de Outubro - 1930 e 1932; Contra Torpedeiro Tâmega - 1930 e 1932; Canhoneira Raul Cascais - 1930, 1931 e 1932; Rebocador Lidador - 1930; Cruzador Vasco da Gama - 1931; NE Sagres - 1931, 1933 e 1934; Canhoneira Limpopo - 1931; Fragata D. Fernando II e Glória - 1932; Torpedeiro Sado - 1932 e 1934; Canhoneira Diu - 1932; Canhoneira Damão - 1933; Aviso Carvalho Araújo - 1934; NH Beira -1937 e 1938; Aviso João de Lisboa - 1947; C/T Tejo - 1950; C/T Douro - 1950; C/T Vouga 1950; FF Diogo Cão - 1961; FF Corte Real - 1961;

N/T Niassa - 1963 (Capitão de Bandeira); Aviso Bartolomeu Dias - de 9-3-1964 a 11-8-1964 (Comandante); LFG Escorpião - 1964; LFG Cassiopeia - 1964; LFP Deneb - 1964; FF Nuno Tristão - - 1965; LFG Hidra - 1965; Sub Narval - 1968; NRP Roberto Ivens - 1970; NRP Honório Barreto - 1971; NRP Santa Cruz - 1972.




O CMG Francisco Ferrer Caeiro assume o comando do NRP «Bartolomeu Dias» que lhe foi entregue pelo CMG Carlos Alberto Teixeira da Silva

Condecorações:

Medalha militar de prata de valor militar com palma MMp/vm c/p; Medalha militar de prata de serviços distintos MMp/sd; Medalha militar de mérito militar de 1ª classe MM/mm 1.ª cl; Medalha militar de mérito militar de 2ª classe (duas) 2MM/mm 2.ª cl; Ordem militar de Avis (Grã-Cruz); Ordem militar do Infante D. Henrique (comendador); Medalha militar de ouro de comportamento exemplar MMo/ce; Legião de Mérito da América do Norte (oficial) of. OLMA; Ordem de Leopoldo I da Bélgica (grande oficial) g. of. OLIB; Ordem de Mérito Naval do Brasil (comendador) com. OMNB; Ordem de Mérito Aeronáutico de Espanha (distintivo branco); Cr. OMAE d. br.; Ordem de Mérito Naval de Espanha (distintivo branco) Cr. OMNE d. br.; Medalha comemorativa das campanhas das Forças Armadas (Guiné) MC/C-G; Medalha naval de ouro comemorativa do V centenário da morte do Infante D. Henri- que MCo/IDH; Ordem de Mérito Naval do Brasil (grande oficial) g. of. OMNB; Medalha Naval de Vasco da Gama MNVG; Medalha Militar de Ouro de Serviços Distintos MMo/sd.




Painel com as Medalhas e Condecorações do Almirante Ferrer Caeiro e a placa com a dedicatória pessoal à Associação dos Oficiais da Reserva Naval



Outras datas:

21/03/35 - Começou a frequentar o curso de piloto da Escola Gago Coutinho em Aveiro;
27/03/35 - Passagem à Aviação Naval;
05/03/36 - Considerado especializado como piloto aviador militar e de hidroaviões;
23/06/50 - Concluiu o Curso Geral Naval de Guerra (CGNG);
10/03/58 - Assume o cargo de 1º Comandante da Base Aérea nº6 - Montijo;
31/12/58 - Regresso à Armada por não desejar transitar para o quadro de pilotos aviadores;
20/05/60 - Exonerado do cargo de 1º Comandante da Base Aérea nº6 - Montijo;

– De 9-3-1964 a 11-8-1964 foi comandante do Aviso Bartolomeu Dias (recebeu do CMG Carlos Alberto Teixeira da Silva e entregou ao CMG Luís Bogarim Correia Guedes);

– De 26-9-1964 a 22-9-1967 - Chefe da Repartição dos Serviços de Marinha e Comandante da Defesa Marítima da Guiné (rendeu o CFR Manuel Lopes de Mendonça);

– De 8-11-1967 - Sub-Chefe do Estado-Maior da Armada;

– De 25-7-1968 a 6-6-1973 - Comandante Naval do Continente (entregou ao Contra-Almirante Luciano Ferreira Bastos da Costa e Silva);

– De 8-11-1968 a 4-5-1970 - Comandante da Base Naval de Lisboa (em acumulação);

– De 31-10-1973 a 19-3-1975 - Chefe de Missão Militar na Nato, em Bruxelas;

– Em 4-4-1979 - Presidente da Comissão do Domínio Público Marítimo:

– Em 30-1-1980 - Passagem à situação de Reforma;




1935 - Aveiro, "Escola Gago Coutinho"
José Casimiro Alcobia Freitas Ribeiro (2TEN Av), Manuel Antunes Cardoso Barata (2TEN Av),
Alberto Henrique Ferreira Bastos da Costa e Silva (2TEN Av), Francisco Ferrer Caeiro (2TEN Av) e
Henrique Owen Pinto de Barros da Costa Pessoa (2TEN Av)




À margem da entrevista:

Em mais um dia no Ministério da Marinha, pela manhã, o Almirante chamou-me ao gabinete. Ao entrar, cumprimentei-o:

– Bom dia Sr. Almirante!

– Bom dia Lema! Olhe, tenho aqui um problema para resolver. Sabe, nós por vezes (sorriu) também erramos; estacionei irregularmente e tenho aqui o talão da multa para liquidação; gostava que me fizesse o favor de ir à esquadra proceder ao pagamento.

Enquanto dizia isto, tirou uma nota da carteira, meteu-a dentro de um envelope juntamente com o talão da multa e entregou-me tudo.

Ainda tentei vislumbrar qualquer sinal de rota a seguir e pensei formular uma pergunta, mas o cenho franzido e a distância histórica que medeava entre o Adamastor e o Homem do Leme fez-me desistir; que, apesar de tudo ainda pensava ser capaz de dar a volta a um assunto tão complicado! Ora esta! O Almirante a pedir-me para pagar a multa!

Na dúvida, fardado e com os cordões de ajudante, liguei para o motorista e fiz-me ao caminho.

Pensativo, percorri em passo estugado o longo corredor do Ministério, desci a escada de acesso à Praça do Comércio, entrei no carro e indiquei ao motorista ao que íamos. Já no caminho para a dita esquadra ia vociferando com os meus botões, cada vez mais amarelos!

Tenho de arranjar uma estratégia para me furtar à alhada em que estou metido! Eu e, obviamente, o oficial superior responsável pela esquadra...Se tenho a veleidade de chegar ao pé de um militar que se preze e dizer-lhe, assim a frio, que venho liquidar a multa, a mando do Almirante Comandante Naval do Continente, o mínimo que me poderia suceder com toda a justificação era ser arrecadado o resto do dia, não fosse eu ter a pretensão de repetir uma façanha deste tipo com outro qualquer militar com algum sentido de hierarquia.

Ao chegar, o motorista estacionou "discretamente" o carro em cima do passeio. Depois de me identificar devidamente na portaria, indaguei pelo oficial responsável, por quem fui recebido e a quem expus a minha angústia:

– “Não haverá maneira de resolver o problema?”

– “Só um minuto, Sr. Tenente”. Foi lá dentro, regressou após um curto espaço de tempo e disse-me: “– Diga ao Sr. Almirante que está tudo resolvido!”.

Agradeci e retirei-me sem qualquer pergunta.

Regressado ao Comando Naval, fui ter com o Almirante comunicando-lhe o resultado das minhas diligências e devolvendo-lhe simultaneamente a quantia entregue.

– “Então Lema, você não pagou a multa?”

– “Não, Sr. Almirante. Não foi necessário recorrer a esse processo!”

O Almirante franziu o cenho, como de resto lhe era comum, ficou a olhar para mim e rematou:

– “Não foi propriamente a forma que mais me agradou!”

Com a irreverência que me caracteriza até hoje e a convicção de ser parente, ainda que muito afastado, do homem do leme, retorqui-lhe:

– “Não faz mal Sr. Almirante, pode ser que haja uma próxima vez e na oportunidade procederei de acordo com as instruções do Sr. Almirante...

Percorreu-me um arrepio e tenho ideia de que os meus cordões de ajudante também tremeram!

O Almirante franziu perigosamente o cenho, crispou o perfil austero por uma fracção de segundo, fixou-me com um olhar penetrante... mas despregou-se a rir.

Quando me retirei ainda sorria.



A entrevista:

O Almirante Francisco Ferrer Caeiro ligou-se profundamente à História da Marinha na Guiné e não apenas enquanto Comandante da Defesa Marítima daquele território, entre 1964 e 1967, creditando-se como uma figura marcante da História da Reserva Naval.

Tive o privilégio de, por duas vezes, servir sob o seu Comando: a primeira em 66/67 enquanto Comandante da Defesa Marítima da Guiné, a desempenhava eu as funções de Oficial Imediato no NRP «Orion», LFG atribuída àquele Comando; a segunda, de 68/70 enquanto Comandante Naval do Continente e da Base Naval de Lisboa, na sua directa dependência, como oficial ajudante de ordens.

Durante anos, conservei sempre na memória a imagem de uma personalidade tão simples e humana quanto determinada e imprevisível, embora de controverso perfil; também algumas histórias de caserna inesquecíveis a que atletismo e humor militar com estrelas se aliaram sempre.

Confesso que, passados que foram mais de duas décadas após o último contacto, a primeira vez que o procurei, mais do que receoso ou intimidado, sentia-me como que na situação de ir repetir o exame de uma cadeira em que já tinha sido aprovado pelo “mestre”.

Pura imaginação minha já que amizade, camaradagem e disponibilidade foram, ao longo de alguns meses de relatos e recordações, as tónicas do relacionamento reatado em diversos encontros que com ele tive.




Em cima, o Vice-Almirante Francisco Ferrer Caeiro, no seu salote redige o texto-dedicatória de entrega das suas medalhas e condecorações, incluindo as Asas de Prata da Aviação Naval e, em baixo, em Bissau - 1967,
a bordo da LFG «Lira», junto à peça de popa, com um grupo de oficiais da Reserva Naval




Em 22 de Junho de 1999, numa iniciativa pessoal e com total autonomia de representação por parte da AORN – Associação dos Oficiais da Reserva Naval, em mais um encontro informalmente marcado na sua residência prontificou-se, amavelmente, a responder a algumas questões que tinha agendado previamente para lhe colocar. A isso se prontificou de forma familiar, com a habitual amizade e frontalidade:

mls - Como analisa o Sr. Almirante o percurso comum efectuado com a Reserva Naval entre 1957 (ano de fundação) e 1980, quer do ponto de vista de estratégia quer do ponto de vista de integração?

Alm FC - "É muito simples. As impressões que colhi nessa altura são as que prevalecem actualmente. Nos oficiais da Reserva Naval com quem lidei em variadíssimas situações, desde o comportamento em combate até à postura nos salões da diplomacia que a Marinha se orgulha de pisar o melhor que pode e sabe, encontrei sempre a melhor resposta que poderia obter.
Julgando estar a interpretar a verdade dos factos que tão importante é para mim, e tendo em conta a fama de “mau” que granjeei, arrisco afirmar que os oficiais da Reserva Naval que comigo conviveram e serviram, não colheram essa impressão da minha pessoa. Sempre me dei muitíssimo bem com esses rapazes.
Nunca me divorciei da juventude, até porque nessa altura estava bem próxima da minha própria juventude; através de um dos meus filhos, senti a crise académica, a confusão, o descontentamento.
Servindo o País como eu servi, considerei sempre como componentes do dever militar a disciplina e o sentido de justiça, procurando, em cada situação, distinguir o trigo do joio. Foi necessário articular esses conceitos garantindo que o País, em guerra, prosseguia o seu caminho com dignidade. Foi com este sentimento que recebi a entrada dos Oficiais da Reserva Naval."

mls - Como avaliaria, para ambas as partes, a integração na Marinha de Guerra Portuguesa de um universo de quase 4.000 oficiais da Reserva Naval, oriundos de todas as áreas profissionais que, ao longo de quase 40 anos, desfilaram pelo quadro dos Oficiais da Armada?

Alm FC - "Bem depressa me apercebi que os oficiais da Reserva Naval se enquadravam totalmente nos objectivos que prossegui no desempenho das minhas funções. Entendíamo-nos perfeitamente e, as pequenas discrepâncias que existiram resultaram tão somente de diferenças de personalidade normais no convívio entre seres humanos. Esses rapazes eram praticamente da geração dos meus filhos, com pouca diferença. Comportaram-se sempre com a Marinha de Guerra de uma maneira digna, ao contrário talvez daquilo que ouvia comentar a camaradas meus do Exército e da Força Aérea. Eram e sempre foram uns tipos “pacholas”.
Tudo isso se elevou a um nível extraordinário de grande admiração, de grande consideração durante a guerra (do Ultramar) na Guiné. O que aqueles rapazes foram na Guiné não tem paralelo: houve uma dedicação total e levaria talvez algum tempo a espraiar aquilo que passámos juntos e que não cabe aqui relatar. Os rapazes dos Fuzileiros então foram mesmo meus filhos."

mls - Permite-me recordar-lhe o episódio atrás relatado sob o título “ À margem da entrevista” e comentá-lo?

Alm FC - "Está a contar factos que induzem demonstrar que eu não era, afinal, “a fera” que se dizia. Era bem diferente disso. A selecção desses factos mostra, só por si, o propósito que o trouxe hoje até mim e o dever de lhe estar muito agradecido, a si pessoalmente e à AORN - Associação dos Oficiais da Reserva Naval, porque é através de provas dessa natureza que se consegue demonstrar que, muitas vezes, conclusões transcendentes devem ser tiradas de factos aparentemente simples. Só por isso, faço questão de lhes mostrar, a todos, a minha gratidão.
Não quero com isto dizer que todos os factos da minha vida sejam assim tão aleatórios quanto esses. Como toda a gente, tenho pecados que lastimo. Lastimo mas não os renego com a facilidade que normalmente temos em renegar as asneiras que cometemos. É melhor assimilarmos as asneiras como asneiras que foram porque, como alguém dizia, essas asneiras “falaram a tempo” e vieram trazer elementos para uma justiça que nós próprios desejamos."

mls - Numa carreira militar com uma vertente invulgar na Aviação Naval somando, para lá de outros aspectos, 3.412 horas de voo, pode transmitir-nos algo dessa experiência?

Alm FC - "A dificuldade é responder em extensão aceitável. Isso representa na minha vida algo que só não considero a mais importante faceta dessa mesma vida porque tenho que pôr, acima de tudo, a minha família e, sobretudo, a minha mulher. Acho que não consigo compreender a minha vida desligada desses elementos.
Também não posso dizer que esses factos foram os mais importantes por que tenho medo de estar a cometer uma injustiça para com a Marinha de Guerra. Antes de ser aviador quis ser marinheiro! Depois de ser marinheiro, fui aviador! Com muita vocação, muito entusiasmo mas não quero estabelecer comparações: é quase como perguntarem-me de qual dos meus dois filhos eu gosto mais. É impossível responder!
A Aviação e a Marinha são as minhas mães: a aviação, com aspectos muito particulares, teve para mim algo que me prendeu de uma forma muito especial, tendo de confessar, com tristeza e até com receio, poder estar a atraiçoar o que, na minha vida, foi sempre mais importante.
A Marinha foi sempre uma cadela para a Aviação Naval! Desculpe o desabafo mas trata-se da vontade de ser exacto, correcto e justo. Elas foram sempre irmãs e continuam a sê-lo, mas essas duas mães que tive nunca se entenderam e a Marinha tratou sempre com profunda injustiça a Aviação Naval.
Como dizia o Sacadura Cabral “a Marinha não gosta de gostar!” nem da sua própria irmã que era a Aviação Naval. Esta é a explicação mais benevolente que posso encontrar porque, na verdade e infelizmente, o meu mau fundo diz-me que a origem foi outra: a Aviação Naval ganhava mais uns tostões que não eram nada, comparados com o facto de 25,6% dos pilotos que para lá foram morrerem em desastres de aviação."

mls - O Museu da Reserva Naval é hoje uma realidade em curso, embora ainda com algumas limitações de espaço que não permitem à associação expôr e conservar devidamente todo o enorme espólio disponível: documentos, fotografias, equipamentos, artesanato, condecorações,...A AORN, Associação que representa a Reserva Naval, veria com todo o empenho aliado ao prestígio que tal traria à nossa Instituição, que o Sr. Almirante estivesse representado no nosso Museu com algo cujo significado mantenha viva a recordação das largas dezenas de oficiais da Reserva Naval que directa ou indirectamente desfilaram pelas Unidades que dirigiu ou comandou. Posso deixar esta possibilidade em aberto para consideração do Sr. Almirante?

Alm FC - "Com certeza. Para já a minha motivação é a mais forte e sentimental por aquilo que já lhe disse. A maneira como isso poderá acontecer é que não me ocorre de imediato. Falta-me o engenho e arte para resolver isso já. Tenho receio de que o que eu decida possa ser considerado uma forma de um indivíduo se gabar a ele próprio. Ao fim ao cabo, ninguém me gaba melhor do que eu!"

Epílogo da entrevista:

Escassos dias depois, o Almirante Francisco Ferrer Caeiro pediu-me para passar pela sua residência, o que efectuei na manhã do dia seguinte. Depois de breves minutos de amigável conversa e de forma simples e directa, conduziu-me ao "seu salote" para me informar que tinha decidido oferecer à Reserva Naval todas as suas Medalhas e Condecorações, incluindo as Asas de Prata da Aviação Naval.

Foi a AORN, Associação que representa a Reserva Naval, honrada com o privilégio da sua guarda permanente, em gesto que tem tanto de admiração e amizade como de responsabilidade acrescida na História.

Em 20 de Julho de 2000, o Almirante Francisco Ferrer Caeiro e respectiva Senhora, Dª Carmen Cesariny de Vasconcelos, numa iniciativa com algo de inédito, estiveram presentes num almoço na Parque das Nações, a convite dos antigos ajudantes de ordens, igualmente acompanhados das respectivas Senhoras.

Apenas um dos 4 oficiais da Reserva Naval que desempenharam aquelas funções não pôde estar presente, por estar ausente no estrangeiro: José Paulo d' Orey Menano do 16º CFORN.




No Parque das Nações, ladeando o Almirante Ferrer Caeiro:
Lourenço Albuquerque de Orey - 15º CFORN (à sua esquerda), Manuel Lema Santos - 8º CEORN (à sua direita) e António Forjaz Trigueiros - 19º CFORN (2º à sua direita)


Invulgar preito de homenagem, admiração e amizade, passadas mais de duas décadas após o último contacto havido com o Homem e Amigo, Comandante, Marinheiro mas também Aviador.


Manuel Lema Santos
1TEN RN, 8º CEORN, 1965




Fontes:
Arquivo de Marinha; Revista da Armada; Texto e fotos de arquivo do autor do blogue; Revista n.º 10 da AORN - Associação dos Oficiais da Reserva Naval, Outubro 1999;


mls

sábado, setembro 23, 2017

Guiné, nunca será demais...

...as acções das LD, LP, LDP e LDM na Guiné!

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 2 de Abril de 2010)


Na Guiné, todos os acessos a portos ou simples locais de abicagem que permitissem acesso a localidades habitadas eram demandadas por unidades navais do Comando da Defesa Marítima da Guiné quer em missões de interesse puramente operacional quer, sobretudo, nos contínuos movimentos de apoio logístico às Forças Armadas.


Especial relevo para os comboios logísticos de batelões, organizados pontual ou periodicamente, enquadrados e escoltados por LDM’s, que garantiam transporte a militares, populações, armamento e equipamento. Reabasteciam-se, por essa via, não só aquartelamentos e populações mas, simultaneamente, procedia-se ao necessário escoamento de produtos, parte integrante da economia daquele território.




Em cima uma perspectiva satélite da região de Tombali - Catió (actual) e, em baixo, um pormenor da carta militar então utilizada (1966). Anotam-se os pormenores do porto interior no rio Cadima, o porto exterior no rio Cagopere e as estradas de ligação à Vila de Catió e para Cufar



Se tem sentido referir portos ou simples locais de abicagem, a Vila de Catió (actualmente cidade), não pode deixar de ser uma referência histórica. Situada no sudoeste da Guiné, a norte das ilhas de Como, Caiar e Catunco, e a sul do Cantanhês, pertencia à região do Tombali, ao sector com esse mesmo nome - Catió. Região muito disputada militarmente pelo PAIGC e palco de tão intensos como permanentes conflitos.




Catió - Em cima, uma vista aérea e, em baixo, a pista de aviação



Tratava-se de uma localidade que pela localização, acabava por estar encravada e permanentemente sitiada numa zona que o PAIGC controlava na sua quase totalidade. Como um dos principais centros de escoamento do arroz do sul do território, em região densamente povoada, era visitada uma vez por mês por embarcações civis integradas em combóios escoltados.

O acesso fazia-se, quer pelo porto interior, no rio Cadime, afluente do Cagopere, por sua vez afluente do rio Cobade. Este último liga o rio Tombali ao rio Cumbijã e acessível a partir da confluência com o Tombali. Pelo porto exterior, situado no rio Cagopere podia fazer-se o acesso a Catió utilizando a estrada até à povoação.




A igreja de Catió

Esta última solução tinha a vantagem de dispor de maiores fundos e largura do rio para manobra das LDM e embarcações civis, embora com meios de abicagem praticamente inexistentes. A estacada existente onde se efectuava a atracação acabou quase em ruínas.

Por outro lado, a utilização do porto exterior estava permanentemente dependente da montagem de um dispositivo de segurança conveniente por parte das forças terrestres durante o tempo de permanência de navios e embarcações, normalmente 3 a 4 dias.

A outra solucão, praticamente a única ultimamente utilizada, era a do porto interior, onde existia um cais de pedra com possibilidade de atracarem as embarcações civis para operações de carga e descarga. As abicagens das LDM para o desembarque de viaturas e outro material pesado eram feitas no próprio cais, mas em péssimas condições.




Perspectiva do porto interior, no rio Cadima, completamente em seco

No canal de acesso ao porto interior, a cerca de 30 a 40 metros do alargamento onde se encontrava o cais, havia tendência para um pronunciado assoreamento, com tendência para fechar a entrada o que obrigava à dragagem. Limitação importante era também o porto interior ficar em seco no estofo da baixa-mar, sobretudo para as unidades navais que lá permaneciam durante o tempo de carga e descarga das embarcações civis.

Ali se cruzaram, em diferentes missões, militares de todos os ramos, a maioria do Exército, uma boa parte deles da Marinha - sendo que alguns Oficiais da Reserva Naval. Em encontros ocasionais ou não, ilustres desconhecidos ao tempo, ficou como que emitido um bilhete de identidade definitivo Guiné.

Décadas depois, promove encontros e cavaqueiras descontraídas, suscita relatos contraditórios, renova vivências, esbate diferenças, suscita apoios e amizade. Resumidamente, valores, que hoje configuram tesouros a preservar.

Abaixo ficam alguns testemunhos de passagens. Ainda que efêmeras, ficaram indelevelmente gravadas na História.



Em 2010.03.25, Benito Neves, em comunicação sobre "Nunca será demais" disse:

É como dizes... nunca será demais !!!!!!
É sempre um prazer navegar nas tuas águas, melhor dizendo, navegar contigo nas águas da "nossa" Guiné.
Desta vez, e mais uma vez, nas LDM, aquelas LDM que não esquecemos, que tanto nos ajudaram, que tanto nos valeram.... tanto que nem sabemos quanto!!!



Relembro-as com saudade e foi a saudade que me levou a abrir o baú das recordações e aí te envio algumas das muito poucas fotos, pintadas à mão e a pincel, que guardo das LDM.
No caso presente foi a LDM 310 e outras que não identifico mas que para ti aqui vão com um abraço.
Esta operação "Sobreiro", foi realizada no dia 21 de Fevereiro de 1967 e participaram a minha CCav 1484, a 4.ª CCaç que, na época, constituia a guarnição do aquartelamento de Bedanda, a CCaç 1591 e o Pelotão de Canhão sem Recuo 1154. O objectivo foi bater a região compreendida entre os rios Lama e o Ungauriuol.




Resultados: NT 2 mortos e 4 feridos; IN 3 mortos e, supostamente, feridos em número não estimado.
Depois de muito fogo a retirada foi feita em LDM – abençoadas - presumo que pelo rio Cumbijã, até Bedanda.
Continua a tua escrita que nos faz bem. Obrigado.

BNeves




Em 2010.03.26 mls respondeu a Benito Neves:

Sei pela tua própria boca, o que para ti e para muitos outros eventualmente mais silenciosos do que seria desejável, representou a Marinha e, particularmente, as LDM's que vos ajudavam a sobreviver naqueles lamaçais que todos pisámos.
Já que há como que um esquecimento voluntário da epopeia daquelas unidades navais, aqui substituo de quando em vez, mas sempre indevidamente, a Instituição a quem pertencerá assumir de forma inapelável esse dever moral e histórico.
Posso publicar a tua mensagem e as fotos?...apenas ajeitada editorialmente para publicação. Tenho mais...

"mls"




Em 2010.03.27 Benito Neves respondeu a mls:


Estás completamente à vontade para utilizares, como o queiras fazer, a mensagem e fotos que te enviei e que não são mais do que uma forma de gratidão que tenho e mantenho para com a Marinha.

B Neves




Em 2010.03.26 Benito Neves continuou para mls:

Há pouco dei-te uma resposta um tanto à pressa e acabei por não dizer tudo porque isto de haver horas para ir buscar os netos à escola, etc., etc., por vezes leva-nos a "acelerar" e, depois, acabamos por deixar de dizer coisas importantes que vou revelar ao mesmo tempo que respondo às questões que me pões:
... como dizia o outro: "era menino e moço" e mandaram-me para a Guiné com o posto de furriel miliciano, integrado na Companhia de Cavalaria 1484 que foi constituída no Regimento de Cavalaria 7 sito, na época, na Calçada da Ajuda.
O embarque foi feito no dia 20 de Outubro de 1965 no cais da Fundição, junto a Santa Apolónia, no paquete Niassa, com chegada a Bissau no dia 26 de Outubro.
Aqui para nós (embora esta informação conste dissimulada na história da Companhia) a viagem atrasou um dia porque foi vendida na nossa embaixada de Paris a informação de que o Niassa levaria duas bombas a bordo. Mar alto, sem costa à vista, o Niassa voltou para trás e fundeou na baía de Cascais. Depois... o espectáculo - sem sabermos o que se passava - coletes vestidos, Polícia Marítima, Mergulhadores, etc., etc, durante algumas horas. A notícia confirmou-se, segundo nos disseram, uma estaria na casa das máquinas e outra presa no casco exterior do navio.
Chegados a Bissau o nosso destino foi Nhacra onde permanecemos até ao dia 8 de Junho de 1966 - o adjunto do General Arnaldo Schultz dizia-se ter sido o padrinho de casamento do meu comandante de companhia. Na época a unidade tinha três pelotões em Nhacra, um pelotão destacado em Safim que, por sua vez, tinha uma Secção em Ensalmá e outra em João Landim.
Também aqui, em João Landim, onde cada Secção permanecia por períodos de 15 dias, posso dizer-te que só o facto de muitas vezes fundear no Mansoa o navio de fiscalização da Armada, mesmo em frente às nossas precárias instalações, permitia-nos uma noite muito mais tranquila. Também a vossa acção psicológica foi muito importante, até nestas pequenas coisas. Quantas vezes as pequenas coisas são tão importantes !!!!
Em 8 de Junho de 1966 embarcámos para Catió, com paragem em Bolama, como era da praxe.



Em Catió a CCav 1484 ficou em intervenção ao sector até ao dia 20 de Julho de 1967 e aqui, sim, soubemos o que era atravessar rios a vau, o que era ficar atascado, o que era o tarrafo, a mata, as operações, os feridos e os mortos.
Na parte das operações a minha sempre enorme gratidão para com a Marinha, para com a Força Aérea e outras forças que connosco colaboraram.
Para além da actividade operacional – verdade seja dita que em Catió todas as actividades eram operacionais - fizémos, em Cufar, a rendição da CCaç 763 (do Mário Fitas) e ali aguentámos até à chegada da CCaç 1621 (do Hugo Moura Ferreira) e estivemos no Cachil, na Ilha do Como, por mais de 30 dias, para rendição da CCaç 1587.
E, agora, algo de muito importante que me tinha ficado por dizer:
Quanta gratidão para com os homens da LP2 que, fundeados em Catió, diariamente, transportavam a água e o pão para a Companhia que se encontrava aquartelada no Cachil.




Quantas vezes com eles naveguei? Não sei mas foram largas dezenas. Quanto trabalho aquilo dava? Era muito, mas feito com gosto por quem tinha vinte anos. Carregar os barris, navegar pelo rio Cagopere até ao cais interior de Catió, descarregar os barris da lancha e voltar a carregá-los na Mercedes ou na GMC, ir enchê-los ao quartel de Catió. Voltar ao cais... esperar que a nova maré nos colocasse a lancha ao nível do cais para carregamento e nova viagem.
Quantas vezes, quase sempre, nestas viagens navegava connosco o medo de uma bazookada ou uma canhoada que nos afundasse.




As fotos que vão em anexo são do álbum do Victor Condeço, com quem entretanto falei e me autorizou a enviar-tas com liberdade de as utilizares como quiseres. Diz-me o Condeço que está convencido que te terá enviado estas fotos faz algum tempo. Portanto... liberdade de utilização.
Meu caro Lema, meu caro Amigo: Despejei o "saco", verti sentimentos e gratidão, gratidão eterna, pelo menos enquanto viver. E provavelmente por estas e por outras é que nos atrevemos a dizer que a rapaziada que passou pela Guiné é diferente da que esteve noutras partes do Império.
Já te dei que fazer. Corta, altera, modifica, faz como quiseres sem alterares o meu respeito e gratidão. Quanto à parte do Niassa ter voltado para trás, transcrevo-te o que está escrito na história oficial da CCav 1484:
"Em virtude de um alarme especial, o "Niassa" esteve fundeado em frente a Cascais, sofrendo assim o atraso de um dia. A viagem decorreu depois com normalidade, realizando-se a bordo palestras, sessões de cinema e jogos, tendo-se efectuado ainda um exercício de salvamento".
...as minhas desculpas pela longa mensagem.

B Neves




Em 2010.03.30 Victor Condeço comunicou a mls:

Vou enviar-te uma colecção de fotografias relacionadas com a Marinha, porto interior e exterior de Catió e também com a própria vila.
Delas farás o que entenderes, penso que te não servirão para muito mais do que a não ser vê-las.
Não têm particularidades para o teu trabalho, mas como diz o outro ‘quem dá o que tem...’
Não tenho fotos que digam respeito ás LDM’s em particular.
Julgo que se vislumbra numas das fotos no porto interior a LDM302, pelo menos num toldo consegue ler-se 302... que terá feito escolta a um comboio de reabastecimento em Setembro de 1967.
Para além de não ter fotos, não tenho memória visual de outras passagens.
Tenho para mim a ideia que as LDM’s teriam, dada a pouca largura do rio Cadime na zona do porto, que era digamos o início do rio propriamente dito, alguma dificuldade em manobrar para voltar a sair e por isso não iriam ali com muita assiduidade, ficando-se pelo porto exterior no rio Cagopere.



Do movimento no porto de Catió, para além dos barcos civis, batelões dos Correia e Gouveia o que mais recordo é a LP2, a lancha de apoio ao Cachil e que ali tinha o seu porto de abrigo.
A sua tripulação era gente boa, bons camaradas dos quais infelizmente já não recordo os nomes, com eles fiz (fizemos) grandes petiscadas, umas a bordo como se vê nas fotos, outras vindo eles ao quartel.



Das fotos que em tempos te mandei, penso que eram relativas à lancha Canopus no porto exterior e não sei se da LP2.
A propósito andei a fazer umas pesquisas sobre as LP e encontrei coisas curiosas, foram aumentadas 4 ao efectivo em 1963 e abatidas 4 menos de um ano depois, não obstante em 68 ainda estava em funcionamento pelo menos a LP2, junto envio também um doc do Word onde anotei essas curiosidades.
Manuel, se alguma das fotos te suscitar algum interesse e quiseres saber algo mais ou algum comentário, é só dizeres qual é, tentarei corresponder.
Peço desculpa por me ter alongado e nada ter adiantado relativamente às LDM.

Victor Condeço




Em 2010.03.31 mls respondeu a Victor Condeço:

Agradeço-te a valiosa colaboração no esforço de trazer a lume elementos quase desconhecidos sobre LDM's e LDP's em que me envolvo com facilidade. Procuro fazê-lo apenas pontualmente, na expectativa de que estas nossas linhas encontrem eco em quem de direito.
Algum desinteresse institucional acaba por ser colmatado, algo parcialmente, por antigos militares de todos os ramos que conheceram de perto a vivência daquelas guarnições, muitas vezes delas dependendo no abastecimento. Aí estaremos a referir toda a logística da Guiné em que se incluem a maioria dos aquartelamentos e Catió especificamente.
Também tem muito a ver com a Reserva Naval porque os combóios de abastecimento a Catió, Impungueda, Bedanda, Cabedú, Cacine e Gadamael eram na maior parte das vezes escoltados por LDM's integradas nos combóios com comando de oficiais subalternos, da Reserva Naval ou não e Fuzileiros ou não. Bom, mas a seguir teríamos de começar a efectuar outras abordagens como o Cacheu e não só. Voltemos ao nosso tema.
A escolta era completada em alguns troços, no Cobade por LFP's e no Cumbijã ou Cacine por LFG's, além do apoio aéreo. Chegou a haver combóios com 14 batelões ou embarcações. Imagina que granel imenso, uns com motor outros rebocados, marés que não davam tréguas, avarias e limitações de vária ordem e o velho IN à espreita para o habitual e variado foguetório de saudação.
Eu próprio, saindo da "Orion" no Cacine, efectuei uma operação com a LDM 307 e a Companhia estacionada em Cabedú.
Também tens razão ao afirmar que as LDM's se ficavam normalmente pelo porto exterior, no Cagopere, onde havia uma estacada que depois acabou arruinada, embora se tivesse de percorrer o resto do caminho para o aquartelamento por estrada.
Quanto a legislação, verifico que te manténs atento e vigilante. Certamente não serão reminiscências de Catió, mas a necessidade de rigor no teu xadrez histórico.
As primeiras Lanchas Patrulhas LP1 e LP2 e de Desembarque, LD 1, LD 2, LD 4 e LD 6 ainda participaram em diversas operações incluindo a "Tridente", em 1964.



As LD's 2 e 4 (mais tarde LDP's 102 e 103) com fuzileiros a bordo, vendo-se ao fundo a fragata "Nuno Tristão"; participaram todas na operação "Tridente"

As LD's (não LP's) de 1 a 7 vieram a dar origem às LDP's com o mesmo número. Pela sua reduzida autonomia e capacidade operacionais, quando comparadas com as LDM's, as área de actuação, salvo casos pontuais, passaram a desenvolver-se preferencialmente em águas mais próximas da base, em Bissau.
Mais tarde, ainda foram fabricadas as LDP's 108 e 109 mas a primeira foi para Angola e a segunda ficou aqui no Continente. A LDP 107 (ex-LD 7) foi para o Lago Niassa.
A LDP 103 (ex-LD 3) ficou para instrução na Escola de Fuzileiros e, em 1969, foi adaptada como meio de transporte do NA Sam Brás que estava em Moçambique e lá foi entregue.
Foram todas construídas nos Estaleiros Navais do Mondego. A maioria voltaram a ser renomeadas. Assim:
– LD 1 > LDP 101 (1963) > LDP 301 (1965) - Guiné
– LD 2 > LDP 102 (1963) > LDP 302 (1965) - Guiné
– LD 3 > LDP 103 (1963) > Escola de Fuzileiros (Instrução) > Sam Brás (1969)
– LD 4 > LDP 104 (1963) > LDP 303 (1965) - Guiné
– LD 5 > LDP 105 (1963) > Angola (Rio Zaire e Leste)
– LD 6 > LDP 106 (1963) > LDP 304 - Guiné
– LD 7 > LDP 107 (1963) > Moçambique (Lago Niassa)
– LDP 108 > Angola (Rio Zaire)
– LDP 109 > Continente
Julgo que a "302" a que te referes em "Catió" terá sido a LDP 302. Parece-me vislumbrar, na foto, o tipo de cobertura adoptado nas LDP mas deixo lugar a alguma dúvida.



Na foto da LFP "Canopus", reenviada agora por ti, reconheço sentado a meio do convés o meu camarada e colega de curso o Carlos Alberto Lopes, comandante daquela unidade naval. Espero bem que também esteja atento porque será uma foto extremamente invulgar com a lancha atracada ao cais de Catió, quase em seco.
Espero ter acrescentado algo útil ao teu já alargado conhecimento desta temática...

"mls"




Fontes:
Arquivo de Marinha; Revista da Armada; fotos de Victor Condeço, Benito Neves e arquivo do autor do blogue; Setenta e Cinco Anos no Mar, 17.º Vol, 2006, Comissão Cultural da Marinha; carta do IICT, escala 1:50000.


mls